Caso Queiroz

Veja as ligações de Fabrício Queiroz com a família Bolsonaro, segundo investigações

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro foi preso de forma preventiva nessa quinta-feira (18)

Gabriela Carvalho
Gabriela Carvalho
Publicado em 18/06/2020 às 12:13
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Fabrício Queiroz é ex-assessor de Flávio Bolsonaro na época em que Flávio era deputado estadual pelo Rio de Janeiro - FOTO: Reprodução/Facebook
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A prisão preventiva de Fabrício Queiroz, ex-assessor do - na época deputado estadual pelo Rio - senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), nesta quinta-feira (18), reacendeu questionamentos sobre a ligação de Queiroz com a família Bolsonaro. Fabrício foi encontrado em Atibaia, interior de São Paulo, na casa do advogado de Flávio, Frederico Wassef, que já havia dito em entrevistas televisionadas que não sabia do paradeiro do ex-assessor.

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O relacionamento da família Bolsonaro com Fabrício Queiroz é de longa data, segundo informações do Estadão. Ex-policial militar, Fabrício José Carlos de Queiroz conheceu o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Exército, na Brigada de Infantaria Paraquedista no Rio de Janeiro, onde serviram nos anos 80.

Após alguns anos, Jair virou vereador, deputado federal e, mais tarde, candidato à presidência da República. Enquanto isso, Queiroz foi para a Polícia Militar, onde chegou a ser suboficial.

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O reencontro entre os dois colegas de Exército aconteceu quando Jair o indicou para assessorar o filho Flávio Bolsonaro em seu cargo de deputado na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Oficialmente, Queiroz, que foi para a reserva em 2018, era motorista do parlamentar. Foi no gabinete na Assembleia Legislativa, onde o parlamentar começou sua carreira em 2003, que o suboficial da PM do Rio se envolveu supostamente com o esquema de "rachadinha".

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O esquema da suposta rachadinha dentro do gabinete de Flávio Bolsonaro começou a ser investigado em 2018, por conta das operações da Polícia Federal, Cadeia Velha e Furna da Onça, sobre casos de corrupção dentro da Alerj. Na época, Flávio não era investigado nessas ações, mas a Operação Cadeia Velha gerou um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que mostrava movimentações suspeitas de parlamentares e servidores da Casa legislativa. Um deles era Queiroz. As investigações foram encaminhadas ao Ministério público do Rio, ainda em 2018.

O relatório da Coaf apontava que, em 13 meses, o assessor movimentara mais de 1,2 milhão em sua conta. Nesta mesma conta, colegas de gabinete depositavam a maior parte de seus salários todo mês. O relatório também mostrou que da conta de Queiroz saíram pelo menos R$ 24 mil, transferidos para Michele Bolsonaro, na época assessora do então deputado Jair Bolsonaro. Michele é, atualmente, primeira-dama. Jair Bolsonaro alegou, na ocasião, que o valor era pagamento de uma dívida que Queiroz tinha com ele.

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A Operação Furna da Onça aconteceu em novembro daquele ano, entre os dois turnos das eleições presidenciais na qual Jair Bolsonaro concorria. Antes da operação ser deflagrada, tanto Queiroz quanto sua filha, Nathalia Mello de Queiroz, foram exonerados de seus cargos. Nathalia era da assessoria de Jair na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Vazamento

Tais exonerações foram depois utilizadas pelo suplente de Flávio Bolsonaro, Paulo Marinho, para apontar suposto vazamento de informações da Polícia Federal ao parlamentar.

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Marinho, que é pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, afirmou à Folha de S.Paulo em maio, que o filho do presidente Bolsonaro foi avisado pela Polícia Federal de que o assessor Queiroz seria alvo de investigação na Operação Furna da Onça. Além disso, Paulo relatou que os policiais teriam segurado a operação, então sigilosa, para que ela não ocorresse no meio do segundo turno, prejudicando assim a candidatura de Jair Bolsonaro.

 

 

 

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