EUA

''Tentativa clara de golpe'', diz Roberto Freire sobre invasão do Congresso norte-americano

Presidente nacional do Cidadania, o pernambucano criticou o silêncio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após o ataque

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 07/01/2021 às 11:36
Foto: Facebook/Reprodução
Roberto Freire, presidente nacional do Cidadania - FOTO: Foto: Facebook/Reprodução
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Ex-deputado federal e presidente nacional do Cidadania, o pernambucano Roberto Freire classificou, na manhã desta quinta-feira (7), a invasão do Capitólio por manifestantes pró-Donald Trump como uma "tentativa clara de golpe" orquestrada pelo presidente norte-americano. A confusão ocorreu nesta quarta (6) e deixou pelo menos uma pessoa morta, mas há registros de outras três mortes nas imediações do Congresso "em razão de emergências médicas" durante o incidente. Vários membros das forças de segurança dos Estados Unidos ficaram feridos no confronto.

"O que houve foi uma tentativa clara de golpe. O movimento foi todo organizado com a finalidade de tentar impedir o livre funcionamento do Congresso norte-americano em um momento importante, que era a certificação da vitória do Joe Biden nas últimas eleições presidenciais. Mas a democracia foi mais forte e o intento golpista do Trump agora foi definitivamente derrotado", observou Freire, em entrevista ao JC.

Opositor duro do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o dirigente partidário criticou a postura do chefe do Executivo nacional, que diferentemente de outras lideranças mundiais, ainda não deu nenhuma declaração no sentido de rechaçar o que ocorreu nos Estados Unidos. "Nós temos aqui um sabujo como presidente da República que segue o Trump. Todos os Países mais sérios do mundo se pronunciaram. Aqui no Brasil, o Congresso Nacional se pronunciou. Mas o Bolsonaro, ao contrário. Pessoas muito ligadas a ele e muitos dos seus seguidores inclusive torceram pela insurreição, pelo golpe", disparou.

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Questionado se teme que um movimento semelhante se repita em solo brasileiro, Roberto Freire diz que a democracia nacional já tem sofrido várias investidas pelo próprio presidente Bolsonaro ou por seus apoiadores, embora esses movimentos não tenham a mesma "dramaticidade dos Estados Unidos". O ex-parlamentar acrescenta, no entanto, que as instituições do País têm tido êxito em frear esses "ataques anti-democráticos".

"Com o presidencialismo, com o poder dado ao presidente, há uma luta constante contra esses ataques, mas nossas instituições têm conseguido cumprir o seu papel. Houve alguns retrocessos com relação à questão democrática no Brasil por ação do Bolsonaro, como na questão do armamento, no incentivo à violência, uma certa complacência com a corrupção, mas também tivemos vitórias. E precisamos inclusive nos preparar para uma vitória importante agora em fevereiro, com a possível eleição do deputado Baleia Rossi (MDB) como presidente da Câmara dos Deputados", detalhou Freire.

Apesar de lamentar o fato ocorrido nos Estados Unidos, Roberto Freire defende que os norte-americanos e o restante do mundo retirem alguns aprendizados do que aconteceu. "Não é de se tirar de um fato profundamente lamentável coisas boas, mas a vida ensina. E eu tenho a impressão de que isso foi importantíssimo para os Estados Unidos porque o fato expressou mudança da correlação de forças no País, consolida ainda mais a vitória do Biden, as mudanças que estão ocorrendo, inclusive na questão racial. Isso nos mostra o inimigo que estamos enfrentando. O extremismo de direita, forças anti-democráticas, fascistoides lá nos Estados Unidos representadas por Donald Trump e aqui representadas por Bolsonaro", finalizou o ex-deputado.

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