DECRETO

Parlamentares do governo e da oposição reagem à nova quarentena em Pernambuco

Mesmo aqueles parlamentares que consideram acertada a decisão de medidas mais restritivas, há ponderações sobre que tipo de suporte será dado aos setores diretamente afetados pelo fechamento das atividades e a superlotação do transporte público

Mirella Araújo
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Mirella Araújo
Publicado em 15/03/2021 às 18:12 | Atualizado em 15/03/2021 às 19:12
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Medida passa a valer a partir desta quinta-feira (18), somente os serviços essenciais permanecerão ativos - FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
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Matéria atualizada às 19h12 

Na esfera legislativa, o anúncio de medidas restritivas mais severas, feito pelo governador Paulo Câmara (PSB), nesta segunda-feira (15), dividiu a opinião dos parlamentares. Mesmo entre os que apoiam o lockdown neste momento - ficando proibido o funcionamento de atividades sociais e econômicas não essenciais, todos os dias da semana - também há preocupação sobre como o Estado dará suporte aos setores afetados diretamente com as novas medidas e com relação a superlotação do transporte público, sobretudo na Região Metropolitana do Recife.

Para o líder do Governo na Assembleia Legislativa (Alepe), Isaltino Nascimento (PSB), o endurecimento das restrições são reflexo da ausência do governo federal em adotar medidas concretas para o enfrentamento da pandemia da covid-19. “Na ausência do presidente coveiro da república, os governadores são obrigados a serem firmes. O governo federal deveria articular uma ação coletiva para o conjunto dos estados e municípios. O governador Paulo Câmara está atuando para preservar a vida das pessoas”, declara o socialista.

Ainda segundo Isaltino, a aquisição das vacinas pela União deveria ter ocorrido no tempo certo. “Se tivéssemos comprado no tempo certo e aplicado na maioria da população, não teríamos essa realidade no Brasil. Mas, o presidente negou o tempo inteiro a gravidade da covid-19, tentou dizer que era uma gripezinha e adotou medidas com medicações que não têm comprovação científica”, critica o parlamentar.

A deputada Teresa Leitão (PT), também considera correta as medidas restritivas que passarão a valer a partir desta quinta-feira (18), no entanto, fez algumas ponderações. “Em tese eu concordo, mas tenho uma preocupação grande com o transporte público. Deveria limitar a quantidade de passageiros e proibir andar em pé nos ônibus”, ressalta Teresa. Sobre a suspensão das aulas presenciais, na rede pública e privada, a parlamentar defende que ao lado dessa suspensão, o Governo do Estado também consiga avançar nas questões relacionadas a essa transição digital para o acesso remoto.

>>Aulas presenciais suspensas em escolas e faculdades de Pernambuco a partir do dia 18 de março

“Enquanto meu projeto de lei de vacina para todos os trabalhadores em educação não for votado e executado, fica difícil assegurar aulas presenciais. Sei que a escola é fundamental, e que as aulas presenciais funcionam muito melhor, porque o acesso às aulas remotas é muito desigual. Mas também é um ambiente de muito contato e circulação”, declarou a petista.

Líder da Oposição, Antônio Coelho (DEM), considera o lockdown uma medida drástica, porém necessária, diante da crescente aceleração da transmissão do vírus. “Todavia, da nossa parte, vamos continuar reivindicando ações da gestão estadual no sentido de tomar outras medidas complementares com o objetivo de reduzir a pressão – e até mesmo o estrangulamento – no nosso sistema de saúde”, destacou Coelho.

“Vamos acompanhar de perto a abertura de novos leitos de UTI e enfermaria, assim como iniciativas nas áreas econômica e social a fim de assegurar que o fardo e o sacrifício impostos à sociedade sejam os menores e o mais curtos possível”, complementou.

O vice-líder da Oposição, Romero Sales Filhos (PTB), criticou a falta de diálogo com os setores produtivos antes de estabelecer o novo decreto. “Nós estamos repetindo o que fizemos no ano passado e ainda falta diálogo e planejamento. E isso é uníssono em todas as categorias do setor produtivo. Nós estamos vivendo uma crise que não é apenas sanitária, mas social e econômica muito grande. Não somos contra a nenhum tipo de medida que está sendo tomada contra a covid-19, mas é preciso ter condições de dar conforto e informação a toda população”, declara.

Romero Filho também chama atenção para o transporte público, as reduções das frotas que ocorrem nas empresas de ônibus. “Essas medidas ficam desacreditadas ao vermos que os ônibus continuam lotados. Se é uma medida necessária, é necessário que todas as pessoas tenham segurança, não é só em um local específico”, complementa.

CÂMARA DO RECIFE

Na Câmara Municipal do Recife, os vereadores também repercutiram o decreto que estabelece o período de quarentena durante 10 dias. Para o líder do bloco de Oposição, o vereador Renato Antunes (PSC), a situação crítica da rede pública de saúde teria sido “um caos anunciado”, e há cobranças ao Governo do Estado e à Prefeitura do Recife sobre a desativação de leitos e hospitais de campanha e como será executado recursos direcionados para a covid-19.

Outro ponto colocado por Renato Antunes, também se refere a falta de diálogo com os comerciantes. “Foi uma decisão quase que monocrática, poderia ter tido uma rodada de conversa para que fosse esclarecido de que forma se pretende amenizar o sofrimento dessas pessoas”, declarou.

Em seu discurso, o governador Paulo Câmara pontuou a responsabilidade do governo federal com o agravamento da pandemia. “O governo federal precisa, de uma vez por todas, cumprir seu papel. De nossa parte, não deixamos, e jamais deixaremos, de cumprir nossa missão”, declarou o gestor.

Sobre esse ponto, Renato Antunes afirma que existe uma politização do assunto e que não houve interesse dos entes (União, estados e municípios) em buscar um consenso. “Todos queriam ser os salvadores da pátria, mas quem paga é a população. O prefeito, o governador e o presidente precisam deixar a vaidade de lado e tratar de soluções em conjunto”, afirmou Antunes.

 Líder do Governo na Câmara, o vereador Samuel Salazar (MDB), afirma que decisões como estas não são fáceis de ser tomadas por nenhum governo. "São várias balanças que precisam ser equilibradas, a quantidade de contágio, ao mesmo tempo a quantidade de leitos que estão abertos. Ninguém tem interesse de fazer lockdown, é ruim para todo o Estado. Tem que ter união dos três poderes e o apelo que faço é que a própria população também tenha consciência. Nós estamos buscando salvar vidas", afirmou Salazar. Sobre o fechamento de leitos, o emedebista destaca que existe um custo para se manter esses leitos, e todas as medidas foram tomadas de acordo com o monitoramento dos índices da pandemia. 

 


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