Levantamento

Pesquisa que aponta Lula e Bolsonaro empatados diz pouco sobre real cenário da eleição, avalia cientista político

Lula e Bolsonaro apareceram tecnicamente empatados para a disputa de 2022

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 06/04/2021 às 10:49
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ABR E BRENDA ALCÂNTARA/ACERVO JC IMAGEM
Levantamento foi realizado pela XP Investimentos/Ipespe - FOTO: ABR E BRENDA ALCÂNTARA/ACERVO JC IMAGEM
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Pesquisa XP-Ipespe apontou que o ex-presidente Lula (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido) estão tecnicamente empatados na corrida presidencial de 2022. No entanto, na avaliação do cientista político Antônio Lavareda, o levantamento ainda diz pouco sobre o real cenário eleitoral do próximo ano. Para o especialista, a diminuição de candidatos de centro e a decisão sobre candidatura ou não de Lula vão impactar na percepção do eleitor.

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"Essa pesquisa - realizada a mais de um ano e meio da eleição - diz pouco sobre cenários de voto. Nessa lista de possíveis candidatos entram nomes aos quais não se tem certeza de candidatura. Não é possível que o centro tenha tantos candidatos, pois, assim, estará fadado à derrota. Além disso, Lula já disse a pessoas próximas que pode não vir a ser candidato, ele tem processos, e ir disputar a eleição como réu é desconfortável", destacou Lavareda em entrevista à Rádio Jornal.

Ainda não vejo razões que levem Lula vir a ser candidato. Vejo ele mais forte como apoiador do que como candidato. Ele ainda tem os processos e acho contraproducente campanha com pano de fundo de questões judiciais
Antônio Lavareda, cientista político

No levantamento, o petista apareceu com uma pequena vantagem numérica de um ponto percentual em relação a Bolsonaro, mas ambos empatam por conta da margem de erro de 3,2 pontos percentuais. De acordo com a pesquisa, realizada nos dias 29, 30 e 31 de março,  Lula recebeu 29% das intenções de votos, enquanto o presidente, 28%. Na pesquisa anterior, Bolsonaro estava à frente com 27%, e Lula com 25%.

Em seguida surgem os nomes do ex-ministro Sergio Moro e Ciro Gomes, cada um com 9%. Luciano Huck (sem partido), marca 5%. Empatados com 3% estão João Doria (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL) e Luiz Henrique Mandetta (3%). Disseram que não votariam em ninguém, anulariam ou não saberiam 12%.

Sobre a dificuldade para o surgimento de novas lideranças para quebrar a polarização entre o candidato do PT e Bolsonaro, Lavareda diz que o problema está na falta de mecanismos constitucionais que deem visibilidade a novos nomes, como nas eleições americanas, onde existem primárias e nomes menos populares podem se destacar. 

"Lula participou de cinco eleições, é super conhecido, tem seguidores, adeptos, ele é candidato desde 1989. Bolsonaro é candidato desde 2018, ele sentou na cadeira de presidente, mas não abandonou palanque, segue em campanha diariamente. Sergio Moro esteve no noticiário diariamente, Ciro disputou em em três eleições presidenciais e Luciano Huck é apresentador com audiência, super conhecido. Então, faltam mecanismos para que nomes menos conhecidos surjam", afirmou o especialista.

 

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