Eleições

Com membros pró e contra Bolsonaro, oposição de Pernambuco tenta descobrir como lidar com o presidente em 2022

Dois dos três principais cotados para concorrer ao governo estadual pelo grupo são alinhados com o bolsonarismo, mas outras lideranças importantes fazem oposição ao governo do militar da reserva

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 05/04/2021 às 20:27
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JONAS SANTOS/DIVULGAÇÃO
Miguel Coelho, um dos principais cotados pelo grupo para disputar o Palácio do Campo das Princesas, é filho do líder do governo Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho - FOTO: JONAS SANTOS/DIVULGAÇÃO
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Enquanto define qual a melhor estratégia a adotar para as eleições de 2022 em Pernambuco, o grupo de partidos de centro-direita que faz oposição ao PSB do governador Paulo Câmara também terá que decidir que posicionamento assumirá com relação ao pleito nacional, uma vez que parte das siglas que integram o coletivo estão alinhadas com o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e parte faz uma oposição dura à gestão do militar da reserva no Planalto. Até o momento, dentro desse conjunto de forças, três nomes têm se destacado para encabeçar um projeto majoritário estadual, o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL); o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), e a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB). Destes, Anderson e Miguel têm grande proximidade com o bolsonarismo.

Entre as lideranças que fazem parte do grupo, o ex-governador e ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM), que em 2022 vai concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados, diz que ainda é cedo para esse tipo de definição. O democrata apoiou Bolsonaro no segundo turno em 2018 e, em 2020, quando disputou a Prefeitura do Recife, usou um slogan bem parecido ao que o chefe do Executivo utilizou em sua campanha presidencial: “Recife acima de tudo”. Atualmente, porém, ele tem feito críticas ao modo como a União tem conduzido as ações de combate à covid-19 no Brasil.

“O cenário para 2022 está muito aberto ainda. A gente não começou esse debate interno, as forças estão se organizando com relação a isso, vamos aguardar essas definições. Eu acho que, naturalmente, com a escolha do candidato a governador, as coisas devem ficar mais claras e, para tomar essa decisão, nós vamos respeitar as orientações dos partidos, inclusive nacionais”, afirmou Mendonça.

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Anderson e Miguel são, respectivamente, irmão e filho do deputado federal André Ferreira (PSB) e do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB). Hoje, os parlamentares ocupam cargos de liderança do governo em suas respectivas Casas Legislativas. Por conta disso, comenta-se ser possível que, caso um dos prefeitos seja candidato a governador, essa postulação sirva para dar palanque à tentativa de reeleição de Bolsonaro no Estado.

Com 48% dos brasileiros considerando o governo do presidente como ruim ou péssimo, segundo pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta segunda-feira (5), o deputado federal Daniel Coelho, que preside o diretório estadual do Cidadania - partido que defende o impeachment de Bolsonaro -, acredita ser arriscado para a oposição lançar apenas um candidato, se este estiver alinhado com o governo federal. “A oposição, se quiser ser competitiva e vencer as eleições, precisa ter dois palanques. Um palanque dos partidos de centro, que defendem uma alternativa a Bolsonaro e Lula (PT), e o palanque de Bolsonaro, pois a gente sabe que há partidos que estão alinhados a ele no grupo. Se não for assim, dificilmente a eleição terá dois turnos, como ocorreu na última campanha”, observou o parlamentar.

Em 2018, a eleição de Pernambuco foi decidida no primeiro turno, com Paulo Câmara vencendo com 50,70% dos votos. Questionado sobre o posicionamento que o Cidadania adotará caso a oposição decida lançar apenas uma candidatura em 2022, sendo esta de apoio ao presidente, o parlamentar disse que “ninguém tem posição definitiva” sobre o tema, tampouco ele.

O ex-senador Armando Monteiro (PSDB), por sua vez, encara de maneira tranquila esse cenário. Apesar de afirmar com veemência que não votará em Lula ou em Bolsonaro em 2022, o tucano diz que o que une a oposição em Pernambuco não são os posicionamentos dos partidos em âmbito nacional, mas o modo como todas as legendas encaram os governos do PSB no Estado.

“Nosso ponto de convergência é o fato de que todos estamos no campo da oposição ao PSB em Pernambuco. O fato de podermos, amanhã, não estar afinados com o mesmo palanque em nível nacional é uma outra questão. Em 2018, por exemplo, alguns apoiaram (Geraldo) Alckmin (PSDB) no primeiro turno, outros apoiaram o próprio Bolsonaro. Em 2022, eu estarei nacionalmente em um palanque ao centro, mas isso não impede que eu apoie, aqui, um candidato da oposição que possa reunir a preferência de todo esse conjunto e tenha, ele sim, uma proximidade com o governo Bolsonaro no plano nacional”, cravou Armando.

Apesar de afirmar reiteradamente que defende o lançamento de uma única candidatura do grupo, o ex-parlamentar admite estar aberto a negociar com seus aliados outras possibilidades, como a apresentação de mais de uma postulação, desde que isso seja fruto de um entendimento entre as forças políticas de oposição. “Eu defendo a unidade das oposições. Mas essa unidade pode indicar o caminho de uma candidatura única e pode indicar, por uma estratégia que seja claramente combinada, o caminho de mais de uma candidatura. Quem sabe? Agora nós não podemos ter aquelas escaramuças, aquelas divergências que marcaram a eleição de 2020, em que havia companheiros da oposição atacando os companheiros do mesmo campo. Isso não pode acontecer”, disparou Armando Monteiro.

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