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''CPI da Covid não deve ser espaço para disputa política'', diz Humberto Costa

O senador Humberto Costa (PT-PE) foi um dos indicados para participar da CPI da Pandemia

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 19/04/2021 às 15:21
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WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO
Humberto é senador pelo PT em Pernambuco - FOTO: WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO
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Crítico ferrenho do Governo Jair Bolsonaro e indicado para membro da CPI da Covid, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirma que não fará da comissão de inquérito um lugar para disputa política. "A primeira preocupação é o fato de que, a julgar pela opinião de cientistas das organizações mundiais, essa pode ser a primeira de uma série de pandemias, uma série de emergências na área de saúde. Temos de aprender com eventuais erros e acertos cometidos nessa pandemia, para, no futuro, se formos afetados por novas doenças, que tenhamos uma pauta adequada do que deve ou não ser feito", comentou Humberto, durante o debate da Rádio Jornal, nesta segunda-feira (19).

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Humberto debateu a CPI da Covid com o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE); confira o debate:

Para Humberto, a pandemia do novo coronavírus (covid-19) colocou em debate a legislação sanitária do Brasil. "Essa legislação tem sido suficiente para enfrentar emergência sanitária como essa? O crime contra saúde pública e vários outros que foram cometidos foram devidamente avaliados? E outro aspecto é que como temos mais de 370 mil mortes é preciso dar uma resposta à população sobre a reponsabilidade de cada um no processo. Se haverá disputa política, não é meu objetivo, nem será o objetivo do PT", destacou o petista.

Em coletiva de imprensa na sexta-feira (16), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, anunciou que a reunião de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia ocorrerá após o feriado de 21 de abril, possivelmente no dia 22 ou no dia 27 de abril. Na primeira reunião devem ser eleitos o presidente e o vice-presidente da comissão, em escrutínio secreto. Também será definido o relator da CPI.

O presidente do Senado destacou que o objetivo é seguir os mesmo protocolos utilizados na eleição da Mesa Diretora do Senado. Seriam, então, oferecidas três urnas para votação: uma na sala onde ocorrer a reunião, outra em um corredor próximo e uma terceira no espaço externo ao prédio do Senado.

A CPI vai analisar os repasses feitos a Estados e municípios, mas Humberto Costa destaca que o objetivo não é investigar governadores e prefeitos.  "Não se pode deixar de investigar as atitudes denúncias sobre a mal utilização de recursos. O que não se pode é investigação contra governadores e prefeitos. Os fatos serão investigados e as evidencias encaminhadas às assembleias legislativas, tribunais de contas, ministérios públicos, câmaras de vereadores. Isso será feito e ninguém vai botar a mão na cabeça de ninguém, todos podem explicar seu lado, assim como o governo federal", afirmou o senador.

Impeachment

Questionado sobre o impacto da pandemia em um processo de impeachment contra Bolsonaro, Humberto Costa admitiu ser difícil o afastamento de um presidente em meio à pandemia. "Essa questão de ter ou não impeachment não depende de CPI. Há vários pedidos, razões, mas não acontece por várias razões. Bolsonaro tem base de sustentação importante no Congresso, elegeu dois presidentes, da Câmara e do Senado, tem apoio de parcela importante da sociedade e é difícil impeachment sem povo na rua e com pandemia a insatisfação não se transforma em protesto de massa na rua", afirmou o petista. Ainda assim, Humberto destaca que se após a CPI as discussões sobre impeachment avançarem ele irá apoiar. 

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