Legislativo

Vereadores do Recife rebatem críticas de Júnior Tércio a sindicatos

Júnior Tércio (PSC) fez um comparativo entre a manifestação de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no último sábado (1º) com os tradicionais atos no Dia do Trabalhador, 1º de Maio, comandados por sindicatos e, segundo ele, pelo "PT e pelos partidos que são seus puxadinhos"

Luisa Farias
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Publicado em 04/05/2021 às 20:39
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Assunto sobre o discurso de Júnior Tércio (PSC) proferido na segunda-feira (3) foi retomado nesta terça (4) pelo vice-líder do governo, Rinaldo Junior - FOTO: BETO DLC/JC IMAGEM
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Vereadores da Câmara Municipal do Recife repercutiram na sessão nesta terça-feira (4) um declaração do também vereador Júnior Tércio (PSC) em que critica a atuação dos sindicatos. Júnior Tércio abordou o assunto na sessão da segunda-feira (4) em um discurso sobre a manifestação pró-Bolsonaro na último sábado (1º) na Zona Sul do Recife.

"Também falamos do pedido do trabalhador, que está pedindo para trabalhar. Essa caminhada alcançou mais de 1500 cidades por nosso país”, afirmou. "No Recife, o evento saiu da Imbiribeira, na Zona Sul da cidade, e vimos o povo interagindo e acenando com a bandeira do Brasil. Vi pessoas chorando, pessoas que discursavam demonstravam um engajamento que alcançou as pessoas que passavam por ali", completou o vereador.

Júnior Tércio fez um comparativo entre a manifestação de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com os tradicionais atos no Dia do Trabalhador, 1º de Maio, comandados por sindicatos e, segundo ele, pelo "PT e pelos partidos que são seus puxadinhos". "Este 1º de maio foi bem diferente. Estávamos acostumados a shows grandiosíssimos de sindicatos endinheirados. Neste 1º de maio, os brasileiros estavam pedindo para trabalhar", disse. 

Ele comentou ainda sobre um caso de agressão sofrida por um militante do PT, Lucimauro Oliveira,  durante a manifestação pró-Bolsonaro, relatado pela vereadora Liana Cirne (PT) ainda na sessão da segunda (3). "Se houve agressões a alguém, durante a carreata, não estou sabendo. Que se abra um B.O. (boletim de ocorrência)", disse o vereador. 

Depois da fala de Júnior, Liana o rebateu. "Agrediram sim o meu companheiro e Vossa Excelência, agora, ironiza e quer agredir o meu partido. Temos que nos colocar contra a barbárie e dizer sim à civilização. Estamos num estágio que beira a barbárie e não vamos aceitar que isso aconteça", disse. Ela também saiu em defesa do PT.  "Pequeno é quem precisa de puxadinhos, no caso o presidente, que necessita do Centrão", finalizou. 

O assunto foi retomado nesta terça (4) pelo vice-líder do governo, Rinaldo Junior (PSB). "Segundo suas palavras, os sindicatos não têm mais dinheiro para ir às ruas. Sou um sindicalista por devoção e tento compreender no discurso de Júnior Tércio, que é um pastor, um guardador de rebanho, o que ele quis dizer com isso", disse Rinaldo.

Rinaldo é presidente da Força Sindical de Pernambuco, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Condomínios (SIEEC) e Diretor de Políticas Educacionais e Cultura da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios (Conatec). 

O vice-líder do governo lembrou do ato realizado pelo Movimento Mãos Solidárias, ligado ao Movimento dos Sem Terra (MST), que fez doação de alimentos no dia 1º de Maio. Ao todo, foram doadas 20 toneladas de alimentos e 500 marmitas oriundos de acampamentos e assentamentos do MST para cerca de 30 comunidades do Recife.

"O MST que é tão atacado pelas pessoas que estavam na avenida Boa Viagem, estava no Morro da Conceição, dando comida para quem tem fome. Enfim, um discurso que critica o movimento sindical é um ataque gratuito. Todos têm o direito de defender o seu público. Posso não concordar com uma linha, mas eu respeito o direito de cada um", afirmou o socialista. 

Ivan Moraes (Psol) também saiu em defesa dos sindicatos. "Estou na luta por direitos humanos há muito tempo, mais de 20 anos. Já estive em passeatas contra possíveis reformas na Previdências, inclusive. As pessoas têm total liberdade na Casa, na tribuna, de dizer o que pensam. Isso é democracia. Mas não podemos achar normal que pessoas tentem enganar o povo", afirmou o psolista. 

"A luta sindical brasileira é histórica desde o processo da redemocratização. Conquistas que nós, muitas vezes, aplaudimos como férias ou décimo terceiro salário, foram consolidadas com muita luta e custou muito suor e lágrimas", complementou Dani Portela (Psol). 

O vereador Luiz Eustáquio disse ter estranhado, enquanto sindicalista e evangélico, a manifestação ocorrida em Boa Viagem no sábado (1º). "Em respeito à vida, os sindicatos não estão protestando ultimamente. Quanto mais juntar pessoas nas ruas, podemos levá-las à morte. E não queremos isso. Os sindicatos até já realizaram sorteios de carros e apartamentos, sim, no passado, mas agora estão priorizando ajudar pessoas. E falando em manifestações, chamou-me a atenção de um movimento a favor do Governo Federal e que dizia 'eu autorizo'. Autorizo o que? Ao governo dar um golpe na democracia? O que você foi autorizar na rua? E, como cristão, devemos sim fazer o melhor para a vida que é ficar em casa e não aglomerar”, apontou. 

Em resposta, Júnior Tércio afirmou que ficava satisfeito com "pessoas desse nível", nas palavras dele, estarem o atacando. "Historicamente a gente vê a importância sim dos sindicatos. A gente esperava nesse 1º de maio um debate honesto, falando por exemplo do futuro do trabalho. A gente sabe que as tecnologias estão hoje tomando conta do espaço de trabalho dos trabalhadores. A gente não vê isso. A gente vê o sindicato simplesmente tomando partido de um grupo político hoje aqui", disse. 

Ele disse se sentir fortalecido pelas críticas dos vereadores. "O que me incomoda, e ai eu vou citar o nome do vereador Rinaldo, não são suas palavras, é o seu nível de deboche como você desenvolve suas falas. Não é nem o conteúdo, porque da minha postura eu fico feliz com pessoas que defendem esses valores políticos me atacarem, eu me sinto fortalecido". 

Já Liana afirmou não saber "o que o senhor (Júnior Tércio) acha sobre nosso nível. Eu por exemplo, tenho mestrado, doutorado em direito público, sou professora da UFPE, mas a minha honra é de ter chegado aqui pelo voto popular e ser colega de pessoas com trajetórias diferentes da minha", disse. 

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