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Amigos e familiares se despedem do ex-vice-presidente Marco Maciel em Brasília

Marco Maciel foi deputado, governador de Pernambuco, senador, ministro-chefe do Gabinete Civil da Presidência da República e vice-presidente da República

JC Agência Senado
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Publicado em 12/06/2021 às 19:00
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ADEUS Velório, no Congresso Nacional, foi restrito a familiares e amigos - FOTO: ROQUE DE SÁ/AGÊNCIA SENADO
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O corpo do ex-senador e ex-vice-presidente da República Marco Maciel foi sepultado no fim da tarde deste sábado (12) na Ala dos Pioneiros do Cemitério Campo da Esperança, em Brasília. Antes disso, amigos e familiares se despediram do político pernambucano em velório intimista no Salão Negro do Congresso Nacional.

A urna com o corpo chegou à sede do Parlamento brasileiro pouco depois das 14 horas e foi carregada por soldados dos Dragões da Independência, unidade militar que cumpre o papel simbólico de guarda do presidente da República. O arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, comandou a cerimônia do velório ao lado do Frei Donald, da Paróquia Santo Antônio, e de outros padres.

O arcebispo destacou que uma das heranças do ex-senador será a valorização do diálogo, que se torna ainda mais importante numa época em que a sociedade brasileira nunca esteve tão polarizada.

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"Marco Maciel deixou um legado de diálogo. Era um homem que tinha seu partido, mas era capaz de conversar, com uma visão maior na busca do bem comum. Eu diria que ele deixou o legado de um autêntico político", disse Dom Paulo.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que o país deve homenagear Maciel neste momento em que há tanta discussão sobre o fortalecimento da democracia. "Sem dúvida, foi um construtor da transição e nos permitiu chegar a um porto seguro. Teve também trabalho importante na Constituinte de 1988 e foi um vice-presidente muito equilibrado. A democracia brasileira deve muito a ele, pois construiu a aliança democrática e foi um homem construtor de pontes e de consensos e por isso deixou sua marca", afirmou o magistrado do STF.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE), terceiro-secretário do Senado, representou a Mesa Diretora do Senado no velório. A Câmara dos Deputados foi representada pelo deputado Hiran Gonçalves (PP-RR). Pela manhã, o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já haviadivulgado umanota de pesarem que manifestou tristeza e seus sentimentos aos familiares do político pernambucano.

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Velório de Marco Maciel aconteceu no Salão Negro do Congresso Nacional - ROQUE DE SÁ/AGÊNCIA SENADO
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Velório de Marco Maciel - Roque de Sá/Agência Senado
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Velório de Marco Maciel - Roque de Sá/Agência Senado
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Velório de Marco Maciel aconteceu no Salão Negro do Congresso Nacional - ROQUE DE SÁ/AGÊNCIA SENADO

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) também compareceu ao Salão Negro, lamentou a perda e disse que Marco Maciel foi um exemplo de homem público. "Ele está fazendo falta neste momento de radicalismo de direita e de esquerda. A gente precisa realmente ter uma compreensão melhor do que ele fez. Foi um vice-presidente que colaborou muito com o país e que prestou muitos serviços. É uma perda muito grande, mas temos agora seu legado de uma pessoa conciliadora, correta, que sempre pensou no Brasil. Vai ficar para nós como exemplo de homem público", disse Izalci Lucas.

Marco estava internado num hospital em Brasília, em decorrência de complicações do Mal de Alzheimer, que o acometia desde 2014. Maciel deixa a mulher, Anna Maria, e três filhos. Advogado e professor, Marco Maciel foi deputado, governador de Pernambuco, senador, ministro-chefe do Gabinete Civil da Presidência da República e vice-presidente da República de 1995 a 2003, nos dois mandatos do governo Fernando Henrique Cardoso.

Histórico

Marco Maciel assumiu a presidência da República 87 vezes – “um pouco mais de 10 meses” – nos oito anos em que foi vice de Fernando Henrique Cardoso, que ocupou o Palácio do Planalto de 1995 a 2002. “Era o vice dos sonhos. Viajava e não tinha a menor preocupação, porque Marco era correto. E mais do que correto, minucioso, quase carinhoso. Por exemplo, muitas vezes me trazia algo para ler e marcava em amarelo para poupar o meu tempo. Ele era leal ”, afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em depoimento ao documentário Marco Maciel – A Política do Diálogo, realizado pela TV Câmara em 2016.

O que mais chama a atenção da frase acima é que Marco Maciel e Fernando Henrique Cardoso passaram grande parte da vida em partidos de lados opostos. Maciel foi um tradicional quadro de siglas da direita – como Arena, PDS e o PFL – e Fernando Henrique, era considerado de esquerda até se tornar presidente da República, quando assumiu um perfil de centro-direita. As posições religiosas também eram diversas: Marco Maciel era muito católico e FHC agnóstico.

“Ponderado, tinha horror à crença ideológica cega e também à arrogância da razão. Homem de princípios, não desdenhava das orientações alheias. Construtivo na vida pública, derrubava barreiras, não construía muros que impedissem o diálogo”, afirmou Fernando Henrique, se referindo a Marco Maciel”, num texto intitulado Fé e Razão, uma das apresentações da biografia Marco Maciel – Um Artífice do Entendimento, de autoria do jornalista Angelo Castelo Branco.

A aproximação entre os dois ocorreu quando ambos eram senadores e o apartamento deles ficava próximo em Brasília, o que faziam eles se encontrarem, “de vez em quando”, como lembra Fernando Henrique. Quando começou essa convivência, “Marco Maciel já se inclinava abertamente a ajudar o fim do ciclo político que se iniciara em 1964”, como disse FHC na biografia citada acima.

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“Marco Maciel, Luís Eduardo Magalhães e Jorge Borhausen foram os primeiros a colocar a eventualidade de eu ser candidato a presidente da República”, lembrou Fernando Henrique no mesmo documentário. Os três foram dissidentes do antigo PDS e passaram a fazer parte do Partido da Frente Liberal (PFL) que apoiou a candidatura de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Fernando Henrique também afirmou que, entre os políticos do PFL, o que tinha mais influência sobre ele era Marco Maciel, “que era discreto”. Na época, se falava muito que o político mais importante do PFL era o baiano Antonio Carlos Magalhães.

Ainda no livro de Angelo Castelo Branco, Fernando Henrique Cardoso revelou que, como presidente, foi “várias vezes ao encontro anual que de deputados católicos, que Marco Maciel patrocinava em sua casa. Unia-nos o respeito às crenças e a vontade de que todos participassem da vida nacional”. E complementa: “a colaboração de Marco Maciel para o andamento das questões legislativas durante meu governo foi fundamental. Suas marcas na Lei de Arbitragem são indeléveis. Seus esforços para que se reconhecesse a função dos que faziam lobbies, sem que o fizessem ocultamente, são conhecidas”. Outra característica que Fernando Henrique cita de Maciel é a tolerância.

Ainda lembrando da sua gestão, Fernando Henrique revelou que Marco Maciel, não descuidava “especialmente das coisas de seu amado Pernambuco”, sendo “inúmeras as vezes em que reivindicou uma estrada importante ou, sobretudo, a continuação do Porto de Suape”.

1940 - Nasceu no dia 21 de julho. Foi o quinto filho de Carmem Sylvia de Oliveira e José do Rego Maciel. A ligação com a política foi influenciada pelo seu pai, que foi prefeito do Recife, deputado federal eleito em 1948 e vice-candidato a governador de Pernambuco em 1958.

1959 - Aprovado no vestibular da Faculdade de Direito do Recife. No primeiro ano do curso, foi diretor de Cultura do Diretório Central dos Estudantes (DCE). No segundo ano, se elegeu presidente do DCE.

1962 - Foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Pernambuco e tomou posse em 1963.

1967-1971 - Eleito deputado estadual pela Arena e líder do governo Nilo Coelho (Arena).

1967 - Casou-se com a amazonense Anna Maria com quem teve três filhos.

1971 - Começou a atuar como deputado federal. Esse primeiro mandato acabou em 1974. Exerceu o mesmo cargo entre 1975 e 1978.

1977-1978 - Atuou como presidente da Câmara dos Deputados, em Brasília.

1979-1982 - Governador de Pernambuco

1983 - Se elegeu senador, cargo que exerceu por 20 anos. O primeiro mandato na Casa Alta encerrou-se em 1991. Depois foi reeleito por mais quatro anos (1991-1994). Voltou a ocupar a mesma função em 2003.

1985-1986 - Atuou como ministro da Educação do governo de José Sarney. Ainda na mesma gestão, foi ministro chefe da Casa Civil entre 1987 e 1988.
2003 - Entrou para a Academia Brasileira de Letras. Ao longo da sua vida, publicou mais de 28 trabalhos em várias editoras, como o a do Senado e a José Olympio, entre outras.

2010 - Aos 70 anos, perdeu a primeira eleição da sua vida

2011 - Terminou o terceiro mandato de senador pelo DEM.

2014 - A partir do final deste ano, se torna mais recluso, ficando constrangido com os esquecimentos provocados pelo Mal de Alzheimer.

Marco Maciel conta os bastidores da Nova República

Marco Maciel contou os bastidores da redemocratização numa entrevista para a série A Nova República: visões da redemocratização, realizada pelo Jornal do Commercio e a Fundação Joaquim Nabuco. Os entrevistadores foram o cientista político Túlio Velho Barreto e os jornalistas Ivanildo Sampaio, Laurindo Ferreira, Sérgio Montenegro Filho e Paulo Sérgio Scarpa num encontro que ocorreu em 1º de fevereiro de 2005 no escritório do ex-senador no Recife. Em 2006, a série, com o nome homônimo, foi publicada em livro. Veja ao lado alguns trechos deste histórico depoimento.

ENTREVISTADORES - O Senhor, Aureliano Chaves, Tancredo Neves e Ulysses Guimarães foram signatários do documento “Compromisso com a Nação”, que uniu o PMDB e a Frente Liberal visando o Colégio Eleitoral de 1985. Pode nos contar um pouco dessa história ?

MARCO MACIEL - Sabemos que linhas paralelas não se encontram, mas no caso do processo que culminou com a chapa formada por Tancredo Neves e José Sarney, elas terminaram convergindo. As duas paralelas eram: o retorno da democracia e, de maneira mais conjuntural, a sucessão presidencial. Elas se encontraram num movimento que resultou no documento constitutivo da Aliança Democrática (Compromisso com a Nação), assinado no Congresso Nacional em 07 de agosto de 1984. Convém lembrar que o processo de transição para a democracia começara bem antes, em 1974, quando, em discurso pronunciado na convenção da Arena, o presidente Ernesto Geisel anunciou a abertura lenta e gradual para ser segura. A partir daí se desenvolveu um processo de redemocratização que teve muitos nomes: distensão, abertura, descompressão etc. Houve um momento que considero muito importante, mas pouco citado, que foi a promulgação, pelo Congresso Nacional, da Emenda Constitucional nº11, de 13 de outubro de 1978. Na ocasião, Geisel havia designado o senador Petrônio Portela, que era muito talentoso, para começar a ouvir a sociedade. Aí, vieram aqueles encontros com Dom Paulo Evaristo Arns, Raymundo Faoro, Barbosa Lima Sobrinho etc.

ENTREVISTADORES - O Sr. se refere à ‘Missão Portela’ ?

MACIEL – Sim. Eu participei de muitos eventos da ‘Missão Portela’, mas não de todos. Acontece que, em 1977, assumi a presidência da Câmara, e Portela era o presidente do Senado e da Arena. Ele tinha assumido no lugar de Filinto Muller, que morrera num desastre aéreo, e começou a conversar com a sociedade: OAB, ABI, CNBB, órgãos de classe, imprensa...O coroamento dessa ‘missão’ foi a Emenda Constitucional nº11, resultado de uma série de negociações que permitiram o fim do bipartidarismo, a liberdade de organização sindical, a livre manifestação do pensamento etc. Podia dar outros exemplos, mas o fundamental foi a revogação dos Atos Institucionais e Complementares. Não foi permitido que as medidas tomadas com base naqueles Atos fossem objeto de revisão pelo Judiciário, mas foi um passo significativo na medida em que o Estado de Direito foi restabelecido e essas questões começaram a permear os debates políticos.

ENTREVISTADORES - Até o governo do general João Batista Figueiredo...

MACIEL - Quando Figueiredo tomou posse, convidou Petrônio Portela para ministro da Justiça. Ele me procurou porque estava em dúvida. Eu disse que achava o convite natural, pois ele coordenava, pelo governo, o processo de abertura, que deveria prosseguir com Figueiredo. Aí, aconteceram duas coisas que fizeram com que o projeto não avançasse com a velocidade desejada, embora tenham sido votadas a lei partidária e a anistia: a morte súbita de Portela, que era o grande condutor do processo e tinha delegação do próprio Figueiredo para dialogar; e a renúncia do ministro Golbery do Couto e Silva, que era chefe do Gabinete Civil e fazia parceria com Portela.

ENTREVISTADORES - E o que levou o general Golbery a deixar o governo ?

MACIEL – Pressuponho que as posições dele começara a se conflitar com interesses do próprio governo Figueiredo com relação à abertura. O fato é que houve problemas internos, que levaram Golbery a pedir demissão e isso contribuiu para que ficasse a sensação de que poderia haver recuos. Mas ele saiu do governo de forma muito elegante. Não deu uma palavra sobre o assunto. Na minha ótica, o governo Figueiredo perdeu uma pessoa capaz e que desempenhou na companhia de Portela uma boa interlocução com a sociedade civil. Esses fatos foram decisivos.

ENTREVISTADORES – Para mostrar as dificuldades do Governo Figueiredo ?

MACIEL - Dificuldades crescentes. E depois, vamos falar claro, Figueiredo não tinha vocação para a atividade política. Ele sempre fazia questão de dizer que era um militar, que não era afeito a esses assuntos. Preferia que outros falassem em nome dele e ficou, sobretudo após o infarto, mais retraído. Então, o que aconteceu ? Sobreveio a outra vertente que caminhava em paralelo ao movimento de abertura: a questão da sucessão presidencial. Nesse momento, surgiu a candidatura de Paulo Maluf, correndo por fora. Havia também a candidatura do ministro Mário Andreazza e a do vice-presidente Aureliano Chaves, um nome muito forte, que tinha a simpatia de Roberto Marinho e, consequentemente, um espaço muito grande na TV Globo. Na época, só se falava em eleição no Colégio Eleitoral e o PDS tinha a maioria no Congresso e nos Estados.

ENTREVISTADORES – Passada a convenção do PDS, a Frente Liberal se aproximou do PMDB. De quem foi a ideia de formalizar o acordo através de um documento público ?

MACIEL – Tinha chegado o momento de definir a chapa e formalizar um programa. Um dia, em meu apartamento, numa reunião com Tancredo, Sarney, Pedro Simon e outros líderes do movimento, Ulysses sugeriu que definíssemos e puséssemos tudo no papel. Ele não queria formalizar apenas a chapa, mas também um programa que devia ser muito sucinto. Foi redigido o “Compromisso com a Nação”, que serviu como programa da Aliança Democrática.

ENTREVISTADORES - Qual foi a sua participação nesse processo ?

MACIEL – Pediram-me que coordenasse a elaboração do documento. Começamos as conversas e ficou estabelecido que ele devia conter os pontos que considerássemos importantes na definição das razões pelas quais estávamos promovendo a aliança entre o PMDB e a Frente Liberal. Mas, unidos em torno de quê ? Era necessário explicar, para não parecer uma composição que fosse apenas em torno de uma chapa. Houve colaborações de Celso Furtado, João Manuel Cardoso de Mello, deputados, senadores e lideranças políticas.

ENTREVISTADORES – Há alguns anos, em entrevistas à Fundação Getúlio Vargas, o general Gustavo Moraes Rego contou que foi interlocutor dos civis ligados a Tancredo, e incluiu o Senhor. Também disse que o Sr. teria convencido Geisel a aceitar Tancredo. Como eram essas conversas ?

MACIEL – O general Moraes Rego sabe que Geisel sofreu muito com os militares mais resistentes à abertura. Moraes Rego comandou a Brigada de Campinas e foi chefe do Gabinete Militar de Geisel. Muitos, no Exército, Marinha e Aeronáutica tiveram um papel importante. Houve encontros para esclarecer porque a escolha era Tancredo e não Ulysses. Tancredo passava aos militares mais confiança. Os militares sabiam que ele não era vinculado à esquerda, e era, como todo mineiro, um homem de composição, que ia procurar fazer uma transição sem maiores traumas. Sua longa vida pública o ajudava muito.

ENTREVISTADORES – Por que o Sr não foi o candidato a vice-presidente (na chapa de Tancredo) ?

MACIEL – Aureliano dizia: “Dois nomes assinaram o compromisso pela Aliança Democrática: um, sou eu, o outro é você. Eu não posso ser vice porque não temos reeleição. Então, deve ser você”. Tancredo, Ulysses e o próprio Sarney diziam: “Marco Maciel tem todas as condições”. Mas havia um problema de ordem legal: a fidelidade partidária. No nosso caso, só poderia mudar de partido uem tivesse sido eleito pela Arena, que já fora extinta. Eu tinha sido eleito pelo PDS e não pela Arena.

ENTREVISTADORES – O Sr esteve envolvido no episódio conhecido como Pacote de Abril, em abril de 1977. Qual a sua visão dele ?

MACIEL – Em 1º de abril, o presidente Geisel baixou o Ato Complementar nº 102 decretando o recesso do Congresso Nacional. Não houve fechamento do Congresso, houve recesso. É muito diferente. Petrônio Portela era presidente do Senado e eu da Câmara. Fomos surpreendidos, porque não podíamos avaliar que a rejeição da proposta enviada pelo Governo para reforma do Judiciário fosse provocar o recesso. Reagimos e 13 dias depois o recesso foi suspenso com a edição do ato complementar 103 e das Emendas Constitucionais nº 7 e nº8. Convém recordar que foi o mais curto recesso da história do Congresso. Durou de 1º a 14 de abril. E nesse ínterim houve a Semana Santa, durante a qual o Congresso não funciona. Então, na verdade, o Congresso só ficou sem sessões uma semana.

Amigos, parentes e autoridades se despedem

Fernando Henrique Cardoso (FHC), ex-presidente do Brasil

"Morreu hoje Marco Maciel. Exerceu a vice-presidência nas duas vezes em que fui Presidente. Se me pedirem uma palavra para caracterizá-lo diria: lealdade. Viajei muito, sem preocupações: Marco exercia com competência e discrição as funções que lhe correspondiam. Deixa saudades", declarou o tucano, no Twitter.

Margarida Cantarelli

"Com o falecimento de Marco Maciel, ficamos todos órfãos da ética de um homem público que tanto serviu a nossa terra com trabalho, competência e discrição. Eu perdi, também, um grande amigo a quem serei sempre grata."

Gustavo Krause

"AMIGOS,
Mais uma dor, mais uma perda, mais um sofrimento que acomete todos nós e que nos põe diante do mistério da existência humana.
Foi-se a referência e fica o exemplo renovado pelo amor/amigo.
Disse em vida o que ele representou para mim: O SER HUMANO MENOS IMPERFEITO COM QUEM CONVIVI CINCO DÉCADAS.
Como afirmou afirmou Anchieta Hélcias: FOI PARA A MORADA DE DEUS, O SEU GRANDE AMIGO."

Fernando Bezerra Coelho, senador

"O Brasil perde um de seus mais ilustres filhos. Com uma trajetória política marcada pela integridade e compromisso com interesse público, Marco Maciel foi exemplo de diálogo e conciliação em todos os cargos que ocupou. Como vice-presidente da República, soube a exata dimensão do cargo, que exerceu com ponderação sempre em busca do bem comum", destacou o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

"Como governador de Pernambuco, trabalhou pelo desenvolvimento do semiárido, missão que ainda nos desafia. Deixa legado que inspira todos aqueles que acreditam que a política é um instrumento de transformação do País. Meus sinceros sentimentos e solidariedade à família e aos amigos", complementou Fernando Bezerra Coelho.

Paulo Câmara, governador de Pernambuco

"Com a morte de Marco Maciel, o Brasil perde um político que sempre esteve aberto ao diálogo e ao entendimento. Ao longo de sua trajetória como deputado, governador, senador, ministro e vice-presidente da República, Marco Maciel defendeu suas posições com ética e elevado espírito público. Características que também o destacaram na Academia Brasileira de Letras. Presto minha solidariedade à dona Anna Maria Maciel, aos filhos e demais parentes e amigos. Fica decretado luto oficial de sete dias, em homenagem a esse grande pernambucano", afirmou Paulo.

João Campos, prefeito do Recife

"O Brasil e Pernambuco perdem um grande político, o recifense Marco Maciel. Em 45 anos de vida pública ocupou diversos cargos, culminando com a vice-presidência da República, por dois mandatos. Sempre fazendo política buscando construir pontes e entendimentos. Minha solidariedade à família e aos amigos. Que possam encontrar conforto neste momento de dor. Estou decretando luto oficial por três dias no Recife", declarou o prefeito, por nota.

Miguel Coelho, prefeito de Petrolina

"Pernambuco tem uma larga tradição de formar homens e mulheres notáveis. O vice-presidente Marco Maciel foi uma dessas figuras que marcaram época e deixaram legado. Para nossa tristeza, hoje perdemos esse homem público brilhante. Deputado estadual, federal, senador, ministro, governador e vice-presidente, o currículo demonstra o tamanho de Marco Maciel. Tinha uma mente extraordinária, sendo imortalizado na Academia Brasileira de Letras", afirmou Miguel Coelho.

"Era ainda amado pelos seus pares e admirado entre seus opositores. Acima disso, foi amado pelos pernambucanos. Orgulho do Nordeste, Marco Maciel honrou sua gente e permanecerá imortalizado na nossa história de bravos guerreiros. Minha solidariedade a todos os familiares e amigos. Mais que um dia triste, este sábado, 12 de junho de 2021, é uma data de reverência a um ilustre filho que tanto fez por Pernambuco e pelo Brasil", enfatizou o prefeito de Petrolina.

Luiz Fux, Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

"Marco Maciel deixou marcas na história do Brasil nas últimas décadas como jurista, parlamentar, governador e vice-presidente da República. O país perde um grande brasileiro, com elevado espírito republicano. Em nome do Supremo Tribunal Federal, manifesto pesar e deixo um abraço aos amigos e familiares", declarou.

Roberto Magalhães, ex-prefeito do Recife

"A notícia do falecimento de Marco Maciel me traz uma profunda tristeza, mas também um pensamento do que ele representou para minha geração e para mim particularmente que fui seu amigo próximo. Ele tinha qualidades extraordinárias, a começar pela integridade e honestidade. Devo a ele exemplos de vida, uma amizade sólida. Devo a ele muito o que aprendi na política. Da boa política, da política voltada para o interesse público, da política como se aprendia a fazer como Agamenon Magalhães e muitos outros pernambucanos ilustres", afirmou o ex-governador e ex-prefeito de Recife Roberto Magalhães.

"É uma grande perda. Já vínhamos perdendo com a doença que o acometeu nos últimos anos. Marco Maciel foi um exemplo de vida, como homem, como político, como pernambucano. Foi grande em todos os sentidos", enfatizou Roberto Magalhães.

Professor Lupércio, prefeito de Olinda

"A cidade de Olinda e todos os olindenses têm uma gratidão histórica com Marco Maciel. O nosso título de Patrimônio Cultural da Humanidade, conferido pela Unesco, foi obtido em 1982, último ano da administração dele no governo de Pernambuco. Tendo a sua gestão papel importante sobretudo na organização da complexa documentação que sacramentou a Marim dos Caetés como monumento mundial. Um dos traços mais marcantes da personalidade de Marco Maciel foi a sutileza, que ele soube utilizar junto com o diálogo e a tolerância no bom trato de fazer política."

Antonio Carlos Magalhães Neto, presidente do Democratas

"Neste 12 de junho, o Democratas se despede, já com o coração saudoso, de um dos seus fundadores. Marco Maciel foi um dos mais importantes quadros do nosso partido. Com sua exemplar atuação na vida pública, escreveu uma história irretocável de dedicação ao nosso País", afirmou Antonio Carlos Magalhães Neto.

"Em minha trajetória, pude me inspirar e aprender com seus ensinamentos. Ex-vice-presidente da República, Marco Maciel foi uma liderança capaz de motivar políticos de todas as idades. Quando ainda no movimento da Juventude do PFL, recebi palavras e gestos significativos de incentivo que jamais vou me esquecer. Mesmo carinho que nosso fundador direcionou a muitos jovens e políticos ao longo de toda a sua vida. Homem de elevado espírito público, tenho certeza que o legado de Marco Maciel será lembrado por toda nossa história. Hoje, envio toda solidariedade e carinho aos familiares e amigos deste grande líder. Um sincero e fraterno abraço da família Democratas".

Jarbas Vasconcelos, senador

"Marco Maciel foi uma das grandes expressões da política brasileira. Ainda jovem atravessou as fronteiras de Pernambuco, ocupando os maiores cargos da República, sempre com seu estilo hábil, agregador, discreto e elegante. Foi um dos fiadores da transição democrática. Atuamos em campos políticos opostos até nos somarmos em um grande esforço para recuperar o ambiente social e econômico de Pernambuco em 1998", relembrou Jarbas, na sua conta no Instagram.

"Afastado da vida pública há muitos anos por grave enfermidade, construímos uma relação sincera de respeito e amizade. Foi uma das pessoas mais dignas que conheci e convivi, sempre cultivando a boa política, o diálogo e o amor por Pernambuco e pelo Brasil. Envio minha solidariedade e carinho para Anna Maria, Gisela, Cristiana, João Maurício e todos os familiares e amigos", declarou.

Humberto Costa, senador

"Eu lamento o falecimento do ex-vice-presidente, ex-governador e ex-senador de Pernambuco, Marco Maciel. Alguém que marcou a sua trajetória política pela moderação, pela conciliação, pelo entendimento, um adversário sempre leal. Uma pessoa como Marco Maciel fará falta neste momento, em que existe no Brasil uma radicalização de determinados segmentos que se colocam contra o estado de direito e contra as instituições. Eu quero externar à família os meus sentimentos e dizer que Pernambuco tem, nesse dia, uma perda significativa", observou Humberto.

Mendonça Filho, ex-governador, ex-ministro da Educação e ex-deputado federal

"É uma notícia muito triste a partida de Marco Maciel. Nos faz refletir bastante sobre o seu significado, o seu exemplo de vida, o que ele fez pela política pernambucana e pela política brasileira. Ele indiscutivelmente é uma das referências mais marcantes na política pernambucana e brasileira. Deixa muita saudade, uma lacuna gigante. Sempre foi um político conciliador, que buscava o crescimento, o desenvolvimento, o bem estar do povo, sempre a partir do diálogo e da conciliação. Ao mesmo tempo foi um grande realizador. Ele tem uma obra aqui em Pernambuco desde o Sertão, com as obras de estradas, adutoras, barragens, o projeto Asa Branca passando por símbolos econômicos relevantes aqui em Pernambuco como o Porto de Suape, que contou com um grande investimento durante a sua gestão como governador. O Aeroporto dos Guararapes, terminal que foi concluído a partir de uma parceria com o governo federal, ele como vice-presidente e Jarbas como governador do Estado", afirmou.

Bruno Araújo, ex-deputado federal por Pernambuco e presidente nacional do PSDB

"Um homem honrado. Nasceu para servir na vida pública com vocação e dedicação exemplar. A história contemporânea da Política (“P” maiúsculo) brasileira teve nele um articulador mestre com discrição e humildade de um franciscano. Nesse momento de extremos a lembrança de sua postura mostra como a luta de ideias e posições precisa retornar ao eixo civilizatório. O Marco Maciel, maestro da redemocratização, Vice-Presidente da República, Ministro, Governador de Pernambuco, Presidente da Câmara dos Deputados, Senador, Deputado Estadual e Líder Estudantil será uma referência na formação de quadros da política que serve à sociedade. Os nossos mais sinceros sentimentos a Anna Maria, companheira de toda uma vida, e a toda sua família."

Ângelo Castelo Branco, ex-secretário de Imprensa do Governo do Estado e do Ministério da Educação nas gestões de Marco Maciel e autor do livro Um Artífice do Entendimento, com notas biográficas, editado pela CEPE

"A morte de Marco Maciel depois de uma longa enfermidade que o excluiu prematuramente das atividades político partidárias nos deixa mais distante de um virtuoso ciclo de líderes que abdicaram de conquistas materiais ou pessoais e se dedicavam exclusiva e obstinadamente aos elevados interesses do país à luz da retidão, da ética e do rigor na gestão dos procedimentos administrativos. Marco Maciel pertenceu a uma geração de republicanos liberais, cultores da lei e fiéis aos princípios da liberdade e dos direitos civis. Soube, como poucos, lidar com a natureza da arte política do possível para salvaguardar o país de rupturas indesejadas e assegurar avanços graduais que se faziam necessários no rumo da redemocratização finalmente consagrada na carta constitucional de 1988."

Raul Henry, deputado federal e presidente do MDB-PE

"Hoje nos deixou Marco Maciel. Um homem exemplar em tudo. Sua vida é uma síntese de muitas virtudes: coerência, lealdade, decência no trato da coisa pública, capacidade de trabalho e visão de futuro, cordialidade e disposição para o diálogo, inclusive com os adversários e, sobretudo, espírito público. Sua existência foi toda dedicada à defesa dos interesses de Pernambuco e do Brasil. Deixa um enorme legado e fará muita falta ao nosso país."

"Tive o privilégio de me aproximar dele na campanha de 1994, quando se elegeu pela primeira vez vice-presidente da República. De lá para cá, mantivemos uma relação fraterna, que muito me honra. Transmito à sua família e aos seus muitos amigos meu mais profundo sentimento de pesar e solidariedade", completou Raul.

José Múcio Monteiro, presidente do Tribunal de Contas da União

"Marco Maciel inaugurou um estilo no Brasil. Ele era uma referência. Criou um adjetivo, macielista. Era um negociador, um homem ameno, um homem do diálogo, ultrapassou as fronteiras de Pernambuco e respeitado no Brasil inteiro. Um exemplo, um extraordinário governador, ministro, extraordinário homem público, chefe de família. Pernambuco hoje está verdadeiramente de luto, a classe política, os homens de bem, os que acham que a política é a arte de servir as pessoas, servir à sociedade. Foi um exemplo a ser seguido, uma escola. O Brasil acordou hoje empobrecido. E todos, com absoluta certeza, se houve uma unanimidade, foi Marco Maciel. Tinha um profundo respeito e admiração por ele. Foi através dele, em 1976, que eu ingressei como vice-prefeito de Rio Formoso, incentivado por ele."

Rodrigo Pacheco, senador e presidente do Congresso Nacional

"É com tristeza que recebo a notícia, neste sábado (12), do falecimento de Marco Maciel, que foi governador de Pernambuco, senador e vice-presidente da República no governo Fernando Henrique Cardoso. O pernambucano lutava há 7 anos contra o mal de Alzheimer. Sua partida inflige enorme perda para a política brasileira e a arte da conciliação. Meus sentimentos à sua família, amigos e admiradores."

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)

"Marco Maciel foi um exemplar homem de estado. Deixa um legado de diálogo, de construção de pontes que viabilizaram soluções imprescindíveis para o nosso país. Uma irreparável perda. Meus sentimentos à família."

Armando Monteiro Neto, ex-senador

"Como político, Marco Maciel encarnou as maiores virtudes republicanas, honradez e dedicação às melhores causas. Como cidadão exemplar, nos deixou lições de moderação, equilíbrio e civilidade, que devem ser sempre valorizadas, especialmente neste tempo em que vivemos. Uma grande perda para o Brasil. O meu abraço a Dona Ana Maria e familiares."

Danilo Cabral, deputado federal

"Pernambuco perdeu Marco Maciel. Sua trajetória como deputado, senador, governador e vice-presidente teve o símbolo da correção e lealdade aos seus princípios. Cultivou, na vida pessoal e política, o valor do respeito a fidalguia com as pessoas, que tanto faz falta hoje ao Brasil."

Fernando Monteiro, deputado federal

"A partida de Marco Maciel, marco de Pernambuco, representa a perda também de parte importante da história política do nosso Estado e do País. Marco Maciel deixa a todos nós o legado de um homem público sempre aberto ao diálogo sem esquecer de suas convicções. Meus sentimentos a toda a família e amigos. Que Deus conforte a todos neste momento tão difícil."

Joaquim Francisco, ex-governador de Pernambuco

"O Brasil e Pernambuco perdem um grande político. Um homem de bem, capaz, um trabalhador incansável pelos interesses do povo, do seu Estado, da sua região e do País. Marco Maciel merece uma análise mais profunda da sua vida, da sua trajetória política, como homem, como professor. Porque é um homem efetivamente de dimensões gigantescamente atualizadas, apesar de ter vivido um pouco na época mais passada."

 

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