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O que acontece agora com Roberto Dias, que recebeu voz de prisão na CPI da Covid? Entenda

O presidente da CPI da Covid alegou que o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde foi preso por causa das diversas contradições nas informações que prestou

JC
Estadão Conteúdo
Agência Senado
Publicado em 07/07/2021 às 22:20
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Marcos Oliveira/Agência Senado
Dias deixando a sala da CPI da Covid - FOTO: Marcos Oliveira/Agência Senado
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Atualizada à 0h08

O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias recebeu voz de prisão do presidente da CPI da Covid no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), nesta quarta-feira (7), enquanto estava depondo à comissão. Aziz alegou que Dias foi preso por causa das diversas contradições nas informações que prestou, apesar de ter assinado compromisso de dizer e não calar a verdade. Entenda o que pode acontece agora com o ex-diretor, que enfrenta acusações de pedir propina de US$ 1 por dose de vacina em negociações e de ter pressionado um servidor da Saúde a agilizar a aquisição da Covaxin.

Levado para as dependências da Polícia Legislativa, no Senado, Dias pagou fiança de R$ 1.100 e foi liberado no fim da noite. Ele permaneceu no local por aproximadamente cinco horas.

Dias saiu por volta das 23h10, acompanhado pela advogada, em um carro preto. Nas dependências da Polícia Legislativa, ele prestou depoimento sobre as declarações supostamente falsas que fez durante seu depoimento à CPI. O relatório do depoimento foi encaminhado ao Ministério Público.

O ex-diretor foi preso sob acusação de mentir à CPI da Covid. O artigo 342 do Código Penal diz que é crime "fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral".

A pena prevista é de reclusão, de dois a quatro anos, e aplicação de multa. O fato deixa de ser punível se, antes da sentença, o agente se retrate ou declare a verdade.

O laudo de prisão em flagrante de Dias registra que ‘foram verificadas diversas contradições nas informações prestadas pela testemunha compromissada', destacando que apesar de 'diversas oportunidades para retratação’, o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde ‘optou conscientemente por não se retratar a respeito de qualquer termo de seu depoimento'.

Durante sua oitiva na CPI, Dias disse que conheceu Dominguetti após ele aparecer em um restaurante de um shopping de Brasília em que jantava com um amigo. Na versão do ex-diretor, o encontro não havia sido agendado e o PM se juntou à mesa porque estava acompanhado de Marcelo Blanco, ex-assessor do Ministério da Saúde. O policial, então, se apresentou como representante da empresa Davati Medical Supply e disse que gostaria de fechar negócio com o governo para vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

A quebra de sigilo do celular de Dominguetti, porém, sugere que o encontro não foi por acaso, como afirmou Dias, mas estava previamente combinado. Em mensagens em áudio, divulgados pela CNN Brasil, o policial já tratava do encontro dois dias antes. A um interlocutor identificado como Rafael, o PM mencionou, no dia 23 de fevereiro, o encontro, que aconteceu no dia 25. "Rafael, tudo bem? A compra vai acontecer, tá? Estamos na fase burocrática. Em off, pra você saber, quem vai assinar é o Dias mesmo, tá? Caiu no colo do Dias… E a gente já se falou, né? E quinta-feira a gente tem uma reunião para finalizar com o Ministério". Roberto Dias alega que encontrou Dominguetti por acaso, sem ter agendado.

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