BRASÍLIA

Após ser preso na CPI da Covid, Roberto Dias paga fiança e é liberado

O ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde permaneceu no local por aproximadamente cinco horas e saiu após pagar fiança de R$ 1.100

JC Estadão Conteúdo
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Estadão Conteúdo
Publicado em 07/07/2021 às 23:20
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Waldemir Barreto/Agência Senado
Dias sendo levado para as dependências da Polícia Legislativa - FOTO: Waldemir Barreto/Agência Senado
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Atualizada às 23h55

Levado para as dependências da Polícia Legislativa, no Senado, após ser preso na CPI da Covid nesta quarta-feira (7), o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias pagou fiança de R$ 1.100 e foi liberado no fim da noite. Ele permaneceu no local por aproximadamente cinco horas. 

Dias saiu por volta das 23h10, acompanhado de sua advogada, em um carro preto.  Nas dependências da Polícia Legislativa, ele prestou depoimento sobre as declarações supostamente falsas que fez durante seu depoimento à CPI. O relatório foi enviado ao Ministério Público.

O ex-diretor foi preso sob acusação de mentir à CPI da Covid. O artigo 342 do Código Penal define como crime "fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral". 

A pena prevista é de reclusão, de dois a quatro anos, e aplicação de multa. O fato deixa de ser punível se, antes da sentença, o agente se retrate ou declare a verdade.

O laudo de prisão em flagrante de Dias registra que ‘foram verificadas diversas contradições nas informações prestadas pela testemunha compromissada', destacando que apesar de 'diversas oportunidades para retratação’, o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde ‘optou conscientemente por não se retratar a respeito de qualquer termo de seu depoimento'.

Durante sua oitiva na CPI, Dias disse que conheceu Dominguetti após ele aparecer em um restaurante de um shopping de Brasília em que jantava com um amigo. Na versão do ex-diretor, o encontro não havia sido agendado e o PM se juntou à mesa porque estava acompanhado de Marcelo Blanco, ex-assessor do Ministério da Saúde. O policial, então, se apresentou como representante da empresa Davati Medical Supply e disse que gostaria de fechar negócio com o governo para vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

A quebra de sigilo do celular de Dominguetti, porém, sugere que o encontro não foi por acaso, como afirmou Dias, mas estava previamente combinado. Em mensagens em áudio, divulgados pela CNN Brasil, o policial já tratava do encontro dois dias antes. A um interlocutor identificado como Rafael, o PM mencionou, no dia 23 de fevereiro, o encontro, que aconteceu no dia 25. "Rafael, tudo bem? A compra vai acontecer, tá? Estamos na fase burocrática. Em off, pra você saber, quem vai assinar é o Dias mesmo, tá? Caiu no colo do Dias… E a gente já se falou, né? E quinta-feira a gente tem uma reunião para finalizar com o Ministério". Roberto Dias alega que encontrou Dominguetti por acaso, sem ter agendado.

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