Entrevista

Fernando Haddad vê Brasil polarizado entre Lula e Bolsonaro e diz não haver margem para 'terceira via' em 2022

Haddad concedeu entrevista à Rádio Jornal Petrolina

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 05/08/2021 às 10:59
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RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO
Lula deve disputar a Presidência em 2022 e Haddad, o Governo de São Paulo - FOTO: RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO
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O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) diz não acreditar no surgimento de um candidato competitivo da chamada 'terceira via' e aponta que a polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido) deve prevalecer na disputa pela Presidência da República em 2022.

Em entrevista à Rádio Jornal Petrolina, na manhã desta quinta-feira (5), o petista afirmou que Lula será realmente candidato e que enxerga um cenário melhor para o PT, que teve alta rejeição em eleições anteriores.

"Não acredito (em terceira via) porque os brasileiros que não querem Lula nem Bolsonaro não chegam a 20% e isso será dividido em três candidaturas. Então, não espero que o mais bem colocado passe de 12%, enquanto o atual presidente e Lula estarão com mais de 25% ou 30%. Por isso, acho difícil que se viabilize", disse.

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Levantamento da XP Investimentos mostra que, na percepção de investidores do mercado financeiro, o ex-presidente Lula (PT) tem 45% de probabilidade de vencer as eleições de 2022, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pontua com 39%. Na percepção dos investidores, um candidato da chamada "terceira via" teria 17% de chance sair vitorioso do pleito. Entre os nomes aventados, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), aparece como favorito, marcando 45% de probabilidade de ser eleito. Ele é seguido pelo ex-ministro Sergio Moro (20%) e pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que soma 12%.

Outros postulantes cogitados para a terceira via, como o ex-governador Ciro Gomes (PDT), o apresentador José Luiz Datena e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), pontuaram abaixo de 10% entre os entrevistados. 

Segundo Haddad, nomes como Datena sempre terão visibilidade, mas não projeto. "Não tem partido por trás. Eu eu saí com 3% para 44% porque tinha projeto, não foi só simpatia. Qual projeto o Datena apresenta? Todo apresentador terá voto, pois está na televisão, as pessoas identificam, mas qual projeto? Favorecer quem é rico ou atender a família brasileira?", questionou.

O ex-presidente Michel Temer (MDB) é um dos que defende uma candidatura de terceira via. Na terça-feira (3), em um webinar no canal do YouTube da empresa Arko Advice sobre “A realidade Brasileira e a oportunidade de 3ª via”, ele disse ser “indispensável” a existência da terceira via nas eleições de 2022.

“Eu acho que é indispensável a 3ª via e não é em função do candidato. Essa é uma homenagem ao eleitor. O eleitor tem que ter uma opção. Hoje há 2 radicalizações, o eleitor tem que ter a oportunidade de encontrar o caminho do meio, porque não pode acontecer de votar em branco porque não vão querer votar nem um e nem em outro”, afirmou.

De acordo com Temer, “é importante que alguém venha a público para dizer que precisamos de paz no país, harmonia entre as instituições, precisamos que se cumpra a Constituição rigorosamente”, disse Temer, que avaliou que tem muita gente trabalhando na hipótese da 3ª via, mas que existe preocupação sobre o excesso de candidaturas, podendo contribuir ainda mais para a polarização.

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