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Eleições 2022: PT considera encabeçar majoritária da Frente Popular em Pernambuco

PT e PSB estão ensaiando uma reaproximação nacional e algumas lideranças petistas do Estado não descartam a possibilidade do partido indicar o candidato a governador na coligação hoje liderada pelos socialistas

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 28/06/2021 às 19:52
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SÉRGIO BERNARDO / ACERVO JC IMAGEM
ESTRATÉGICA Vaga do Senado para Humberto em 2018 viabilizou aliança entre PT e PSB para reeleger Paulo - FOTO: SÉRGIO BERNARDO / ACERVO JC IMAGEM
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Enquanto as cúpulas do PT e do PSB ensaiam uma reaproximação visando as eleições presidenciais de 2022, em Pernambuco algumas lideranças petistas têm projetado uma possível consequência local da aliança que pode ser considerada por muitos como praticamente impossível. Ao menos para o senador Humberto Costa (PT) e para o deputado federal Carlos Veras (PT), um realinhamento nacional entre o PT e socialistas pode se desdobrar na formação de uma chapa majoritária pernambucana composta por um candidato ao governo do PT e com o PSB ocupando a vice ou a vaga para o Senado. O apoio do PT a um postulante do PSB ou o lançamento de uma candidatura petista independente da Frente Popular também são consideradas pelo partido do ex-presidente Lula.

O cenário parece improvável porque o PSB, além de governar o Estado há quase 16 anos, também é a agremiação que elegeu mais prefeitos em Pernambuco em 2020 - inclusive o da capital, Recife - e a que detém a maior bancada de deputados na Câmara Federal. Além disso, a ala pernambucana do PSB é uma das mais influentes no partido, sendo o Estado, portanto, umas das prioridades nacionais socialistas.

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Na visão de quem acredita na tese do PT liderando a Frente Popular, porém, essas questões não impediriam que o arranjo fosse feito. "Eu acredito que se o PT vier a participar de uma chapa majoritária, se nós estivermos apoiando um candidato a governador de outro partido, nós vamos pensar em como vamos participar, se como vice ou na vaga do Senado, e há também a possibilidade do PT ter uma candidatura. Se o PT tiver uma candidatura, embora não seja o meu objetivo maior, eu acredito que posso colocar o meu nome à disposição do partido. Acho que é um nome competitivo que posso até colocar, se houver esse espaço, para a Frente Popular", afirmou Humberto Costa à Rádio Clube na manhã desta segunda-feira (28).

Apesar de recentemente a deputada federal Marília Arraes (PT) ter dito que estaria disposta a disputar o Governo de Pernambuco caso o PT decidisse lançar candidato, Humberto afirmou que ela deve tentar renovar o seu mandato na Câmara, pois essa seria a expectativa "do PT nacional, dos colegas que ela tem na Câmara Federal, e do próprio presidente Lula".

Na semana passada, Carlos Veras disse que o PT tem que estar preparado para todas as possibilidades de cenários em 2022, e que "não dá para o partido discutir nomes só se não der certo a aliança com o PSB em nível nacional". O deputado mencionou Humberto e Marília como nomes fortes do PT para a disputa e também citou o cenário levantado hoje por Humberto.

"Em 2018 nós tivemos Paulo Câmara candidato à reeleição para governador e Humberto para senador. A gente pode, em 2022, ter Humberto candidato a governador e Paulo candidato a senador, mantendo a mesma lógica que construímos em 2018", declarou Veras, na ocasião.

Quando questionado se há, no PT, alguma resistência à figura do secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Geraldo Julio, principal cotado do PSB para a sucessão de Paulo Câmara, Humberto afirmou que não caberia a ele tecer comentários sobre o socialista, mas que, de sua parte, não tem "nenhum veto a quem quer que seja".

Atualmente filiado ao PCdoB, o deputado estadual João Paulo já afirmou que retornará ao PT até as eleições do ano que vem. Ao JC, o ex-prefeito do Recife afirmou que acredita que há uma "possibilidade grande de coligação do PSB com o PT em Pernambuco" e que crê no lançamento de uma candidatura petista ao governo apenas se a aliança não se concretizar. "Eu sinto que essa posição (de alinhamento com socialistas) é majoritária no Estado. O sentimento é que a grande estratégia dos militantes é destruir o bolsonarismo, e isso passa pela formação de uma frente ampla com outros partidos de esquerda, como o PSB", pontuou João Paulo.

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