Entrevista

''O clima é de enterrar essa proposta que serviu para disseminar ódio'', diz Raul Henry sobre a PEC do Voto impresso na Câmara

A Câmara pode votar nesta terça-feira (10) a proposta, mas o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou, no entanto, que a votação poderá ser adiada por causa de uma manifestação militar

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 10/08/2021 às 10:21
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PABLO VALADARES/AGÊNCIA CÂMARA
Raul Henry é deputado federal pelo MDB de Pernambuco - FOTO: PABLO VALADARES/AGÊNCIA CÂMARA
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Marcada para esta terça-feira (10), no plenário da Câmara dos deputados, a votação da Proposta de Emenda à Constituição (135/19) que institui o voto impresso para auditoria não deve ser aprovada, na avaliação do deputado federal, Raul Henry (MDB). 

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A PEC foi rejeitada na última sexta-feira pela Comissão Especial criada para analisar o assunto. Todavia, como o colegiado não tem poder para definir o destino da matéria, o chamado caráter terminativo, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP), decidiu colocar a proposta para análise dos 513 deputados.

O clima na Câmara é de enterrar hoje essa proposta que serviu para disseminar ódio e divisão na sociedade.
Raul Henry sobre a PEC do voto impresso

Raul Henry ficou responsável por um relatório que recomenda o arquivamento da proposta. Porém, à Rádio Jornal, na manhã desta terça-feira, ele disse que não será mais lido o relatório no plenário e a proposta que será avaliada pelos parlamentares será a original, da deputada Bia Kicis, do PSL de Brasília, que determina a impressão de “cédulas físicas conferíveis pelo eleitor” independentemente do meio empregado para o registro dos votos em eleições, plebiscitos e referendos.

"Fui informado que não haverá leitura do relatório no Plenário. O processo foi concluído na comissão e será lida a PEC original, proposta de Bia Kicis. Teremos maioria muito tranquila contra a aprovação dessa PEC, uma ideia anacrônica, extemporânea", comentou Henry.

Para ser aprovado, o texto tem que passar por duas votações e ter o apoio de pelo menos 308 votos em cada uma delas. A proposta é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que vem questionando, sem provas a lisura das eleições no Brasil.

Na entrevista, Raul ainda explicou o porquê de ser contrário ao voto impresso e disse que suas redes sociais ficaram congestionadas com mensagens contrárias e favoráveis ao projeto.

"Esse sistema não teve denúncia comprovada de fraude, é seguro, é auditável. A urna já emite boletim impresso que é entregue a fiscais de partidos e é exposta na porta do local de votação. Só depois que vai à internet, então é só tirar amostragem no sistema e comparar com boletins de conhecimento público, é simples. Dizem que com a impressora é mais seguro, mas se dizem que há fraude na urna, por qual motivo não haveria na impressora também? A proposta é uma insanidade, não faz sentido mas o Brasil está assim, dividido, polarizado e as pessoas perderam a lucidez. Toda discussão é radicalizada", comentou o deputado emedebista.

Arthur Lira

A sessão do Plenário que pode analisar a proposta está marcada para as 15 horas. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou, no entanto, que a votação poderá ser adiada por causa de uma manifestação militar prevista para esta terça-feira, na Esplanada dos Ministérios.

Lira disse que é uma "trágica coincidência" a manifestação ocorrer no mesmo dia em que a Câmara pautou a PEC do Voto Impresso e que, em razão disso, vai consultar os líderes partidários sobre a possibilidade de adiar a votação.

Raul Henry disse que o desfile de tanques militares é "extravagante e não tem o menor sentido". Na visão do deputado, a reação é a pior possível na Câmara. Ele ainda apontou que o presidente Jair Bolsonaro poderia ter seguido por outro caminho. "Bolsonaro venceu com 57 milhões de votos, tinha como fazer reformas importantes, fizemos a reforma da Previdência, ele encontrou um Congresso reformista. Tínhamos a reforma tributária, a reforma do estado brasileiro, que é um antro de privilégios, mas o presidente escolheu uma agenda de conflito", disse o parlamentar. 

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