DECLARAÇÃO

Ministro da Educação de Bolsonaro diz que 'universidade deveria ser para poucos'

Além disso, Milton Ribeiro defendeu que reitores das universidades não podem ser "esquerdistas" ou "lulistas"

Marcelo Aprígio
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Marcelo Aprígio
Publicado em 10/08/2021 às 12:10 | Atualizado em 10/08/2021 às 12:26
ALAN SANTOS/PR
Milton Ribeiro foi ministro da Educação no governo Bolsonaro - FOTO: ALAN SANTOS/PR
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O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou em entrevista à TV Brasil que a "universidade deveria, na verdade, ser para poucos". Ele defendeu que reitores dessas universidades não podem ser "esquerdistas" ou "lulistas". Além disso, para o ministro, as verdadeiras "vedetes" (protagonistas) do futuro sejam os institutos federais, capazes de formar técnicos.

"A universidade, na verdade, deveria ser para poucos nesse sentido de ser útil à sociedade. Tenho muito engenheiro ou advogado dirigindo Uber porque não consegue colocação devida. Se fosse um técnico de informática, conseguiria emprego, porque tem uma demanda muito grande", disse Ribeiro, em entrevista ao programa "Sem Censura", na noite desta segunda-feira (9).

O chefe do MEC contou ainda que tem boa relação com cerca de 25 reitores das 69 universidades federais. Segundo o ministro, dez já estiveram em reunião com o presidente Jair Bolsonaro. A lista tríplice para escolha dos reitores já está com o chefe do executivo. “Alguns optaram por visões de mundo socialistas. Não precisa ser bolsonarista. Mas não pode ser esquerdista, nem lulista”, afirmou o ministro. 

"Eu acho que reitor tem que cuidar da educação e ponto-final, e respeitar quem pensa diferente. As universidades federais não podem se tornar comitê político de um partido A, de direita, e muito menos de esquerda", completou.

Cotistas e "alunos preparados"

O ministro também abordou a política de cotas em instituições de ensino superior. Em sua fala, Ribeiro afirmou que metade dos alunos das universidades são cotistas e a outra metade são "alunos preparados". Na avaliação dele, "a crítica que havia no passado, de que só 'filhinho de papai' estuda em universidade pública" foi descontruída com a lei das cotas. 

"Pelo menos nas federais, 50% das vagas são direcionadas para cotas. Mas os outros 50% são de alunos preparados, que não trabalham durante o dia e podem fazer cursinho. Considero justo, porque são os pais dos 'filhinhos de papai' que pagam impostos e sustentam a universidade pública. Não podem ser penalizados", afirmou o ministro.

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