POLÊMICA

"Não foi um ato político. Ele votou e vota no PT", afirma advogado de ex-candidato a vereador pelo PSC que atropelou manifestante no Recife

Acusado foi candidato a vereador da capital pernambucana em 2012 pelo Partido Social Cristão (PSC), integrante da base governista. Polícia instaurou inquérito policial para apurar o caso, que foi enquadrado como tentativa de homicídio

Katarina Moraes
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Katarina Moraes
Publicado em 03/10/2021 às 14:57 | Atualizado em 03/10/2021 às 17:47
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SOCORRO Vítima recebeu ajuda de manifestantes após ser atingida - FOTO: REPRODUÇÃO / TWITTER PCO
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O advogado Sérgio Gonçalves defendeu que o administrador Luciano Matias Soares não atropelou manifestante nesse sábado (2) no Recife por razões políticas, e que, inclusive, o cliente é simpático às reivindicações do ato contra Jair Bolsonaro (sem partido). Com a declaração, ele contraria relatos de que o acusado teria praticado o crime propositalmente por ser apoiador do presidente, já que foi candidato a vereador da capital pernambucana em 2012 pelo Partido Social Cristão (PSC), integrante da base governista.

"Ele foi relacionado como um aliado de Bolsonaro porque foi candidato a vereador pelo PSC em 2012, quando nem o nome Bolsonaro era falado. Já tenho em mãos e possivelmente nas redes sociais deve ter também ele informando que votou e vota no PT. Tenho também documentos que mostram ele com a camisa e a bandeira do PT. Inclusive ele falou nas entrevistas de ontem que é votante do presidente Lula. Ou seja, esse fato da data de ontem não foi um ato político. Não podemos direcioná-lo como se fosse um atentado aos manifestantes", afirmou Sérgio.

A Polícia Civil de Pernambuco, entretanto, instaurou inquérito policial para apurar o caso, que foi enquadrado como tentativa de homicídio. Colisão aconteceu na Avenida Martins de Barros, no bairro de Santo Antônio, durante dispersão da manifestação. Já o acusado registrou ocorrência de dano/depredação do seu veículo na Central de Plantões da Capital (Ceplanc), e deu entrevista ao NETV explicando como tudo aconteceu.

"Só passei por ela porque ela se pendurou no meu carro. As pessoas que tavam com ela começaram a dar um monte de pancada no meu carro, que está todo amassado na frente, o vidro quebrado. Então, eu fiquei com medo de ficar e acontecer uma coisa pior. E por isso que assim... Infelizmente, aconteceu, eu tô pedindo perdão mais uma vez, não é do meu caráter. Não é do meu feitio fazer isso", disse Luciano.

Segundo a advogada da vítima, Priscilla Rocha, ela convulsionou após a batida, precisou passar por cirurgia no pé e levou pontos na cabeça. Neste domingo (3), ela ainda está em observação e em recuperação no Real Hospital Português, que disse não poder divulgar informações oficiais sobre o quadro de saúde dela.

"Ela segue estável, bem e lembra do que aconteceu, embora esteja muito atordoada ainda. Estamos em contato com a família e salvaguardando a identidade dela para que quando ela melhorar, ela consiga de fato conversar melhor e dar a versão dela dos fatos", informou Priscilla. 

O advogado de Luciano informou que o cliente está à disposição para prestar qualquer tipo de esclarecimentos, e que ele não estava armado e nem havia ingerido substância alcoólica antes de dirigir. "Ele afirmou que de forma alguma estava armado ou que bebeu alguma substância. Ele se comprometeu a ir na delegacia e preencher todos os documentos necessários. Estamos à disposição da Polícia Civil", garantiu.

"O que ele informou às autoridades policiais foi que, ao se aproximar da manifestação pediu autorização a um dos manifestantes, e perguntou se iriam fechar a via. Ele disse que a pessoa informou que ele poderia passar pelo lado direito, tendo em vista que a manifestação seguiria para o lado esquerdo. Quando chegou na metade para o fim da manifestação, foi surpreendido por uma mulher informando que naquele momento ele não poderia passar mais. Nesse caso, ele ficou assustado, porque o carro dele não tem fumê e estava sozinho dirigindo", afirmou.

A versão é contrariada pela acusação. "Foram ouvidas ontem seis testemunhas, e uma delas confirmou que ele realmente chegou a mostrar a arma. Foi nesse momento que ela se assustou, um pouco antes dele atropelar a companheira [a vítima que está no hospital", relatou a advogada da vítima. 

Veja íntegra da nota da Polícia Civil

A Polícia Civil de Pernambuco, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), instaurou inquérito policial e está investigando uma tentativa de homicídio ocorrida na tarde de ontem (sábado, 02/10), na Avenida Martins de Barros, no bairro de Santo Antônio, quando uma mulher foi atropelada por um homem após a dispersão de uma manifestação politica. O acusado registrou, por sua vez, ocorrência de dano/ depredação do seu veículo na Central de Plantões da Capital (Ceplanc).

A Polícia Civil de Pernambuco tomará todas as providências para a apuração dos fatos.

Entenda o caso

Uma mulher que havia participado de uma manifestação pacífica contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, no Recife, foi atropelada, no início da tarde deste sábado, no Centro da cidade. Segundo a vereadora Dani Portela (PSOL), ela foi arrastada por cerca de 50 metros. Testemunhas contaram que o motorista teria avançado em direção ao grupo de manifestantes que a mulher fazia parte. O acidente aconteceu por volta das 12h30 na Avenida Martins de Barros, no bairro de Santo Antônio. A mulher foi socorrida pelo Samu para um hospital particular da capital pernambucana.

O motorista trafegava pela Avenida Martins de Barros. Ao parar no semáforo antes do cruzamento com a Ponte Maurício de Nassau teria se deparado com o grupo de manifestantes. Uma das versões é que ele não quis parar para esperar as pessoas atravessarem a via. A vítima se segurou no capô do carro. Quando o condutor freou bruscamente, logo depois da estação do BRT, ao lado do Armazém do Campo, a mulher caiu no chão. O motorista, então, passou por cima dela e fugiu sem prestar socorro.

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