Auxílio Brasil

Saiba os bastidores do cancelamento do anúncio do Auxílio Brasil

Dois secretários do Ministério da Economia teriam ameaçado pedir demissão após ouvirem de Guedes a proposta de viabilizar recursos do Auxílio Brasil fora do teto de gastos

Estadão Conteúdo Luisa Farias
Estadão Conteúdo
Luisa Farias
Publicado em 19/10/2021 às 20:20
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EDU ANDRADE/ASCOM ME
Quando Paulo Guedes informou que a equipe econômica teria que viabilizar o valor de R$ 400 do auxílio em 2022, ao menos dois secretários se opuseram - FOTO: EDU ANDRADE/ASCOM ME
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Uma reunião realizada na noite desta segunda-feira (18) com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ministros e a equipe econômica no Palácio da Alvorada levou à decisão de cancelamento do evento de lançamento do Auxílio Brasil, que estava marcado para as 17 horas desta terça-feira (19).
De acordo com a coluna de Carla Araújo, do UOL, o ministro da Economia, Paulo Guedes, teria aceitado nessa reunião aderir ao plano B para a viabilização do programa, que implicaria no uso de recursos acima do teto de gastos. 
A manobra foi capitaneada pelos ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira, da Cidadania, João Roma, e da Secretaria de Governo, Flávio Arruda. Eles pediam o anúncio do Auxílio Brasil o quanto antes, entre outros motivos, pelo fato do auxílio emergencial estar próximo de acabar. 
Outra motivo foi a informação de que o relator da reforma do Imposto de Renda, Angelo Coronel (PSD-BA), não tinha data para apresentar o seu parecer. A reforma do IR era tida como uma das fontes de financiamento do Auxílio Brasil, assim como a aprovação da PEC dos Precatórios, prevista para esta terça (19) às 14 horas e adiada para a quarta (20). 
Os três ministros teriam convencido o presidente a lançar o programa. Porém, quando Guedes informou que a equipe econômica teria que viabilizar o valor de R$ 400 do auxílio em 2022, de acordo com o UOL, ao menos dois secretários se opuseram. 
A equipe econômica trabalharia na contenção de danos, na tentativa de limitar a despesa extrateto a R$ 30 bilhões, enquanto o Palácio do Planalto considerava esse valor ainda "em aberto".
Os secretários que foram contra eram Bruno Funchal (secretário especial da Fazenda) e Jeferson Bittencourt (secretário do Tesouro Nacional). Eles teriam ameaçado pedir demissão. Ainda de acordo com o UOL, o lançamento do programa teria sido cancelado e remarcado diversas vezes ao longo desta terça-feira (19). 

Divergências

Apesar de divergências entre a ala política e a econômica no governo Bolsonaro não ser novidade, atualmente Paulo Guedes está em uma posição de fragilidade, por conta das notícias de que o ministro está ligado a uma offshore no exterior. A situação faria com que Guedes tivesse que fazer concessões. 
A existência dessas empresas foi revelada no dia 8 de outubro pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ), caso que ficou conhecido como "Pandora Papers". Desde 2014, o ministro possui uma empresa nas Ilhas Virgens britânicas, avaliada em mais de R$ 52 milhões. 

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