Eleições 2022

Erundina prega união em torno de Lula, mas faz ressalvas sobre alianças: "Não pode ser a qualquer preço"

Recém-saído do PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin pode ser candidato a vice na chapa do ex-presidente

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 28/12/2021 às 10:09
Luiza Erundina (PSOL)
Luiza Erundina (PSOL)
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Um dos mais longevos nomes da esquerda brasileira, a deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), de 87 anos, defende que a oposição ao presidente Jair Bolsonaro (PL) não pode vacilar diante da candidatura do mandatário à reeleição e prega união em torno de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas faz ressalvas sobre as alianças do petista, fazendo referência à entrada do ex-governador Geraldo Alckmin (recém-saído do PSDB, agora sem partido) como vice na chapa do ex-presidente.

“Não pode ser a qualquer preço. Não pode ser a preço de conciliações que não permitirão que se façam as reformas de que o país precisa. Precisamos recuperar aquilo que se perdeu ao longo de três anos de Bolsonaro. A busca de governabilidade não pode levar a conciliações que não servem para construir um outro país”, afirmou a psolista em entrevista à Folha de S.Paulo.

Segundo a parlamentar, suas ressalvas não têm relação com nomes. “Não tenho nada contra a pessoa do ex-governador [Alckmin], mas o partido do qual ele fez parte a vida inteira é conciliador de primeiríssima hora. Todo governo, seja qual for, tem tucano nele. Lembremos que o [governador João] Doria apoiou o Bolsonaro. O modelo histórico do PSDB é de governos privatistas, neoliberais, de Estado mínimo e que subordinam o Legislativo.”

Críticas a Arthur Lira

Na entrevista, a parlamentar, que já foi filiada ao PT e ao PSB, também fez críticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e à aprovação do Orçamento de 2022. Na semana passada, o Congresso definiu que o Fundo Eleitoral, usado para financiar as campanhas, será de R$ 4,9 bilhões. O valor é menor do que os R$ 5,7 bilhões inicialmente calculados, mas ainda considerado alto para a sua finalidade.

“Quem governa o país não é Bolsonaro, com as bobagens que ele faz todo dia. Quem governa, comprometendo o futuro do país, seu patrimônio, sua soberania, é sem dúvida nenhuma Lira e [Paulo] Guedes. Os dois têm uma base de sustentação alimentada a preço de ouro, haja vista o quanto se destinou no Orçamento para as emendas de relator, mais de R$ 16 bilhões”, declarou Luiza.

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