Governador de Pernambuco

Paulo Câmara defende apoio do PSB a Lula e diz que Alckmin é protagonista no plano nacional

O governador ainda falou de Carnaval, reajuste e outros temas, confira o que ele falou

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 25/12/2021 às 8:30
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BRUNO CAMPOS / JC IMAGEM
Governador de Pernambuco, Paulo Câmara, durante entrevista - FOTO: BRUNO CAMPOS / JC IMAGEM
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Após o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, deixar claro que não aceitará uma "relação de mão única" com o PT, o governador Paulo Câmara reforçou publicamente que defende o nome do ex-presidente Lula (PT) para ser o candidato apoiado pelos socialistas em 2022.

"Nós sabemos como foi importante a parceria para Pernambuco com o presidente Lula e Eduardo (Campos). Tenho certeza de que se ele ganhar a eleição e nós formos bem sucedidos aqui também em 2022, vamos ter uma condição, diante de tudo que a gente sabe fazer, de tirar do papel os projetos que temos para o Estado", afirmou o governador, que também é vice-presidente nacional do PSB.

As duas agremiações têm sido irredutíveis quanto a disputa pelo Governo de São Paulo, com o ex-governador Márcio França (PSB) e o ex-prefeito Fernando Haddad no páreo. Já em Pernambuco, também colocado como um reduto estratégico pelos dois partidos, o cenário tem caminhado para um consenso, mesmo com o PT lançando o senador Humberto Costa como alternativa de encabeçar a chapa da Frente Popular.

"Tenho certeza que os partidos da Frente Popular e o PT de Pernambuco vão colaborar com esse processo nacional e vamos chegar a um entendimento. Nós temos muito que ajudar o Brasil, a voltar a crescer, gerar emprego, a ter políticas públicas que diminuam as desigualdades, diminuam a pobreza. Então nós vamos superar isso", respondeu o chefe do Executivo.

Questionado sobre a possível ida do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (sem partido) para o PSB para ser vice de Lula, Paulo lembrou a relação com ele durante o primeiro mandato, quando o ex-tucano ocupava o Palácio dos Bandeirantes, e classificou o paulista como "uma pessoa muito respeitosa, colaborativa e solidária".

"Ele está convidado já para vir para o PSB e é uma decisão que cabe a ele vir para o partido. Ele é um protagonista importante do plano nacional que quer ajudar essa união de esforços nossos para 2022 e termos condições de tirar do poder essa forma como o Brasil vem sendo administrado. Se ele vier para o PSB, vai ser muito bem recebido, vai ser muito trabalhado para ajudar todos nós a ajudarmos o Brasil. É uma expectativa muito positiva e vejo nele uma determinação de ajudar o Brasil nesse momento", avaliou o pernambucanos.

Paulo Câmara também reconheceu que é preciso celeridade para definir quem será o candidato a governador, o que deverá ocorrer nas primeiras semanas de janeiro. Ele também falou sobre a tese de ter um perfil político.

"Eu mesmo, sendo quadro técnico que teve essa oportunidade de ser governador de Pernambuco, sempre compreendi a importância da política. Eu nunca neguei a política, pelo contrário, eu sempre defendi a política mesmo não tendo tanta experiência política como muitos tinham até então. E acho que a política é fundamental, então vamos ter condição de respeitar isso", declarou em entrevista ao JC. Os nomes que têm despontado na bolsa de aposta são os dos deputados federais Danilo Cabral, Tadeu Alencar e Felipe Carreras.

Direitos Humanos

O governador afirmou que ainda está estudando nomes para assumir a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, após a exoneração do então secretário Pedro Eurico, acusado de violência doméstica contra a economista Maria Eduarda Marques. O ex-secretário nega.

Apesar do registro de vários boletins de ocorrência ao longo dos anos, o gestor afirmou que o governo só tomou conhecimento das denúncias depois que o caso veio à tona na imprensa. "A gente sabe que esses boletins que existem são anteriores a 2010 e não tínhamos conhecimento. Pelo contrário, Pedro Eurico foi nosso secretário a partir de 2015, mas ele já estava no governo desde 2012. Ele fez um trabalho importante em todas as pastas que atuou. Nós não sabíamos efetivamente e repudiamos qualquer tipo de violência", declarou.

O governador disse ainda que espera a apuração dos fatos com celeridade. "Tão logo tomamos conhecimento, nós levamos ao conhecimento do secretário e ele pediu afastamento. Até porque não tinha condições de continuar numa situação como essa", explicou.

Debate sobre reajuste no radar

Em entrevista ao JC, o governador Paulo Câmara, declarou que não irá se omitir de discutir a possibilidade de reajustar os salários dos servidores estaduais no ano que vem. A proibição de reajustes e progressão funcional até 31 de dezembro de 2021 para categorias de servidores públicos que atuam na linha de frente no combate ao coronavírus, como os das áreas de saúde, segurança pública, limpeza urbana e serviços funerários, foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2020.

"Nós temos o dever de casa que foi feito. Evidentemente que nunca tem dinheiro sobrando, mas nós vamos sentar e mostrar nosso rumo, o que é possível avançar e fazer as pactuações necessárias para que o nosso funcionalismo continue sendo valorizado, porque eles tem nos ajudado muito, nos bons resultados no combate a pandemia", afirmou.

"Tudo isso vai ser levado em consideração, dentro das nossas restrições e nossos limites. Nós vamos ter que enfrentar esse tema, como sempre enfrentamos e nunca deixamos de nos omitir", completou.

Paulo Câmara considera que, apesar das dificuldades impostas pela pandemia da covid-19, foi possível chegar em 2021 investindo R$ 1,5 bilhão e com expectativas positivas para 2022 para ser "o melhor ano da história do investimento público de Pernambuco", em suas palavras. Com o Plano Retomada - na ordem de R$ 5 bilhões em investimentos de infraestrutura - e anúncios feitos em 111 municípios, seria possível melhorar os índices de desemprego no Estado.

"Isso vai nos dar condição de gerar 135 mil empregos e vai com certeza dar um reflexo positivo nesses índices em Pernambuco, que vão se somar também a outros indicadores que a gente tem que enfrentar, principalmente da formalidade", declarou Paulo Câmara. Segundo a Pnad, Pernambuco lidera o índice de desemprego do país com 19,3%, quando a média brasileira está em 12,6%.

Carnaval

Enquanto estados já vem se posicionando contra a realização do Carnaval em 2022, o governador afirma que a decisão em Pernambuco será feita com responsabilidade e embasamento científico, a partir do cenário a ser avaliado no mês de janeiro. "Se tiver algum risco para a população pernambucana de se fazer Carnaval, nós não vamos fazer. Nunca deixamos de fazer nada que a ciência e o comitê técnico recomendam desde o início dessa pandemia. Janeiro é um mês importante, principalmente por essa questão da covid, porque os picos em alguns estados ocorreram nesse período", explicou.

Questionado sobre a possibilidade de adiamento das festividades de momo, Paulo Câmara disse não parou para pensar em alternativas como essa, mas que caberá a cada município pernambucano fazer uma avaliação se seria válido fazer essa mudança no calendário.

"O adiamento vai depender dos municípios, se eles entenderem que vai ser importante para a cidade e para sua economia. Se tiver condições sanitárias com prazos de adiamento, nós vamos apoiar. De maneira nenhuma vamos deixar de apoiar. O Carnaval é uma festa muito peculiar, principalmente o Carnaval de Pernambuco, que é democrático, inclusivo, de rua e todos participam", afirmou o gestor.

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