Segundo turno | Análise

Semana decisiva no embate político entre Raquel Lyra e João Campos em Olinda e Paulista

Esta semana será decisiva para, enfim, se saber qual dos dois líderes sairá vencedor de mais esta etapa de confrontação, que termina no dia 27

Por TEREZINHA NUNES do BlogDellas Especial para o JC Publicado em 18/10/2024 às 17:49

Olinda e Paulista têm candidatos conhecidos a prefeito neste segundo turno. Os mais jovens, como Mirella Almeida (PSD) e Vinicius Castello (PT), disputam a preferência dos eleitores em Olinda; os mais experientes na política, como Severino Ramos (PSDB) e Junior Matuto (PSB), em Paulista.

Mas o que está contando mesmo é a guerra particular que se estabeleceu entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos, padrinhos dos candidatos citados.

Um embate, com cada lado dizendo que fez mais prefeitos no estado do que o outro. Esta semana será decisiva para, enfim, se saber qual dos dois líderes sairá vencedor de mais esta etapa de confrontação, que termina no domingo 27.

"Está tão acirrada a disputa que o estado como um todo tem acompanhado esse segundo turno em Olinda e Paulista como se fosse tão importante quanto o primeiro”, comentou esta semana um deputado estadual de linha independente, demonstrando que, se não fosse a presença das duas maiores lideranças do estado e o aceno a 2026, o pleito não estaria provocando tanta celeuma.

O rolo compressor de João Campos

Na verdade, como os passos do prefeito do Recife indicam que ele deseja ser candidato a governador, qualquer atitude que tome remete, de imediato, à luta com a governadora que será candidata à reeleição.

E, neste aspecto, João faz questão de não esconder seus propósitos. Se no primeiro turno delegou ao irmão, o deputado federal Pedro Campos, a tarefa de acompanhar Vinicius e Matuto, neste segundo ele próprio assumiu o leme da embarcação.

Cuidou pessoalmente da retirada de partidos do palanque de Mirella, ligando para os vereadores eleitos das legendas e os convencendo a mudar de lado.

Em uma semana, Vinicius, que só tinha apoio de três dos 17 vereadores de Olinda, pulou para nove, ganhando por um para Mirella. Até o líder do governo Lupércio, na Câmara, o vereador Biai (Avante), trocou de posição.

Um vereador que mudou de posição festejou na Câmara tentando convencer os colegas a seguirem Vinícius: “agora é o rolo compressor, quem quiser que fique de fora”.

Chegou a vazar via WhatsApp esta semana o áudio de um outro vereador explicando ao pastor a mudança. Ele recebera, de pronto, a cobrança diante de outra guerra existente em Olinda, esta de natureza surda, dos conservadores, que não aceitam votar no PT, contra a esquerda, que no município já venceu muitas eleições e está fechada com Vinicius.

A estratégia comedida de Raquel Lyra

De estilo político diferente do de João Campos, a governadora Raquel Lyra tem sido mais comedida, embora tenha articulado o apoio do PP a Mirella, quando foi desautorizado o candidato a prefeito pelo partido na cidade, Marcio Botelho, que apoiou Vinícius.

Também teve as bênçãos da governadora a declaração de neutralidade da candidata Izabel Urquiza, a terceira mais votada no primeiro turno.

Raquel participou de carreatas das campanhas de Mirella e de Ramos no primeiro e segundo turnos e deve intensificar sua presença nesta última semana.

E, a não ser que algo mude daqui para o dia da eleição, a balança favoreceria a governadora com seu candidato em Paulista, Severino Ramos, aparecendo de forma privilegiada nas pesquisas.

Como na cidade o embate é direto entre o PSDB e PSB, o PSDB saindo vencedor não só leva o partido a nível estadual a contar com 32 prefeituras como garante a Raquel o apoio de uma das duas Prefeituras em disputa nesse segundo turno. Em Olinda, o prognóstico no momento é de empate técnico.

Seja como for, no próximo domingo, dia 27, será enfim conhecido o resultado e, a partir daí, estará dada a largada para a eleição de 2026. Com exagerados dois anos de antecedência !!!

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