DESARMAMENTO

'Presidência de Trump evidencia o risco nuclear', diz ICAN

Também houve crítica ao fato do presidente americano não ouvir especialistas

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Publicado em 06/10/2017 às 13:55
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A Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (ICAN), Prêmio Nobel da Paz por sua luta em favor do desarmamento nuclear, expressou nesta sexta-feira (6) seu mal-estar frente ao governo de Donald Trump, lamentando "não poder fazer nada para fazê-lo parar".

"A eleição do presidente Donald Trump deixou muitas pessoas desconfortáveis com o fato de que ele pode, sozinho, autorizar o uso de armas nucleares", declarou a diretora da ICAN, Beatrice Fihn, em Genebra.

"Se você se sente incômodo com a ideia de que Donald Trump pode ter armas nucleares (...), então deve ficar incomodado com a própria ideia de armas nucleares", completou.

Fihn também criticou o fato de o presidente americano "não ouvir os especialistas" e insistiu que sua supervisão de um grande arsenal nuclear "evidencia" perigos destas armas.

"É um momento de grande tensão no mundo, em que as declarações explosivas poderiam levar a todos nós, muito facilmente, para um horror sem nome. O espectro de um conflito nuclear paira sobre nós novamente e de forma ampla", ressaltou, considerando que "se há um momento para que as nações declarem sua oposição inequívoca às armas nucleares, este momento é agora".

Ela disse ainda que "as armas nucleares não representam segurança nem estabilidade" e questionou se as pessoas nos Estados Unidos, Japão e Coreia do Norte "sentem-se especialmente seguras".

"Nenhum país sério em termos de princípios humanitários deveria realizar semelhantes atividades nucleares", insistiu, antes de pedir um diálogo entre as partes.

"As negociações mostraram que podem ser eficazes", assegurou, fazendo um apelo a toda a comunidade internacional a apoiar o acordo sobre o programa nuclear iraniano, "desde que o Irã cumpra com o acordo".

Tratado

Setenta e dois anos após os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, este Nobel reconhece uma coalizão de mais de 300 ONGs que estimulou um tratado histórico de proibição das armas nucleares, adotado por 122 países em julho, mas cujo alcance é sobretudo simbólico, pela ausência das nove potências nucleares entre os signatários.

O tratado entrará em vigor uma vez que tenha sido ratificado por 50 países, disse Fihn, acrescentando que a ICAN espera que esse objetivo seja atingido até o final de 2018.

"Estamos orgulhosos de ter desempenhado um papel importante na sua criação (...) Qualquer nação que esteja buscando um mundo mais pacífico sem ameaça nuclear terá que assinar e ratificar esse acordo crucial sem demora".

O Prêmio Nobel "é uma homenagem aos esforços incansáveis de milhões de ativistas e cidadãos de todo o mundo que, desde o início da era atômica, protestaram fortemente contra as armas nucleares, ressaltou a ICAN em seu comunicado de imprensa.

"É também uma homenagem aos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki (...) e vítimas de testes nucleares em todo o mundo".

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