Massacre

Atirador da Flórida ouvia 'demônios' que lhe ordenavam matar

Segundo trechos do interrogatório, jovem afirmou que há muitos anos era atormentado por 'demônios'

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Publicado em 07/08/2018 às 1:06
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Segundo trechos do interrogatório, jovem afirmou que há muitos anos era atormentado por 'demônios' - FOTO: Foto: AFP
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O suposto autor do massacre de 17 pessoas em uma escola na Flórida no Dia dos Namorados escutava ''demônios'' que lhe ordenavam ''queimar, matar e destruir'', segundo trechos do interrogatório policial divulgado nesta segunda-feira.

Nikolas Cruz, de 19 anos, foi detido sem resistência logo após o ataque, no dia 14 de fevereiro, em Parkland, ao norte de Miami, e interrogado no gabinete do comissário do condado de Broward.

Segundo este interrogatório, Cruz se recusou a receber um copo d'água do detetive John Curcio afirmando que ''não merecia'', e pediu: ''me matem, apenas me matem, maldito seja''.

Em seguida, disse ao detetive que tinha ''demônios em sua cabeça, que há muitos anos o atormentavam, que lhe davam instruções para comprar armas, matar animais e destruir tudo''.

''Quais são os demônios?'' - perguntou o detetive. ''As vozes'' - respondeu Cruz. ''O lado malvado''.

"O que a voz pede para você fazer?" - insistiu Curcio. ''Queima, mata, destrói'' - respondeu o jovem.

Tentativa de suicídio

Cruz revelou que tentou se matar dois meses antes do ataque - após a morte de sua mãe, em novembro de 2017 - com uma overdose dos analgésicos Ibuprofeno e Advil. "Não sei quantos comprimidos tomei. Um montão".

Quando o detetive perguntou por que motivo decidiu comprar um fuzil de assalto AR-15 - que Cruz utilizou no ataque - o jovem respondeu: ''Porque achei 'cool'''.

Cruz comprou o fuzil legalmente, em um país onde a posse e a venda de armas é legal.

O depoimento de Cruz, que foi apontado como o atirador de Parkland, foi divulgado após a juíza encarregada do caso, Elizabeth Scherer, aprovar um pedido dos jornais Miami Herald e Sun Sentinel para ter acesso e divulgar o conteúdo.

O jovem Cruz enfrenta a pena de morte pelo massacre em Parkland, que reativou o debate sobre o controle de armas e deflagrou manifestações em todo os Estados Unidos sob o lema "Nunca mais".

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