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ARRUDA

André Frutuoso oficializa afastamento da vice-presidência do Santa Cruz. O que essa decisão representa para o futebol pernambucano?

Alvo de um ato de vandalismo protagonizado por integrantes da torcida organizada do clube, advogado disse que não pretende retornar ao clube

Marcelo Cavalcante
Marcelo Cavalcante
Publicado em 29/07/2021 às 14:32
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ACERVO PESSOAL
DESPEDIDA André Frutuoso confirmou sua licença do cargo de vice-presidente do Santa Cruz e não pretende retornar - FOTO: ACERVO PESSOAL
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Quando foi questionado no início da semana se estaria deixando o cargo de vice-presidente do Santa Cruz, o advogado André Frutuoso respondeu da seguinte forma: "Estamos conversando sobre esse assunto, mas a chance de continuar é de 5%". Sentíamos na sua resposta um tom triste, pois a saída não estava nos seus planos. Principalmente dessa forma. Frutuoso não renunciou. Mas pediu licença de 180 dias e não tem a menor intenção em voltar. E a sua saída do Santa Cruz tem um peso enorme não apenas para o clube, mas para o futebol pernambucano. A violência está vencendo.  

André Frutuoso está fora do Santa Cruz porque foi alvo de vandalismo. Como, ultimamente, as pessoas costumam esquecer do passado recente, é importante lembrar: o escritório do advogado, no bairro do Espinheiro, foi apedrejado por integrantes de uma torcida organizada. Em pleno horário de funcionamento, com funcionários e outras pessoas que nada têm a ver com futebol. Um absurdo incomensurável. E nada foi feito. Nada. O único ato ocorrido após essa violência foi exatamente a decisão de Frutuoso em sair do clube. 

Os vândalos foram ao bairro do Espinheiro com esse propósito: pressionar o dirigente a sair do Arruda usando a violência e o medo. Conseguiram. Antes, o presidente do conselho deliberativo, Mário Godoy, fez o mesmo. O motivo: recebeu ameaças pelas redes sociais. Os casos abrem um precedente sem tamanho. E a pergunta "Até quando?" fica sem resposta.  E o que mais me impressiona não é apenas o caso em si, mas a falta de atitude de quem faz o futebol em mudar essa realidade. Posso estar enganado, mas eu não vi e nem ouvi dirigente algum,  exceto o próprio André Frutuoso, a fazer alguma declaração sobre o caso. 

Em 2014, quando um torcedor morreu nas  redondezas do Arruda, atingido por um vaso sanitário arremessado da arquibancada do estádio, achávamos que o futebol pernambucano havia chegado ao fundo do poço. Houve comoção, debates, matérias nos jornais de todo Brasil. Mergulhamos na crise, mas que  poderia criar um ressurgimento. Não foi. O que se levou ao pensamento: "não se faz nada porque aconteceu com um anônimo torcedor . Quando ocorrer alguma violência a uma pessoa importante da sociedade, num instante se fazem algo". Pois bem,  o agredido, desta vez, foi o vice-presidente do clube. E agora? Pelo visto, tudo está normalizado. E anormal é quem ainda deseja viver um futebol em paz. Apenas isso: PAZ. 

As 41 contratações feitas pelo Santa Cruz para a temporada, as dispensas de jogadores que pouco jogaram,  os quatro treinadores que assumiram a equipe, o risco de rebaixamento à Série D... tudo ficou pequeno diante do motivo que levou a um dirigente do Santa Cruz a renunciar ao cargo. O que nos leva a acreditar que a violência está travestida nos bastidores do Arruda. O que é algo sério, triste e preocupante.  

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