SAÚDE

Mandetta aconselha Pazzuelo a "escolher o lado certo e ouvir sua consciência"

Declaração vem um dia após o presidente Jair Bolsonaro ter desautorizado o acordo costurado pelo ministro de comprar 46 milhões de doses da CoronaVac

JC
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Publicado em 22/10/2020 às 12:04 | Atualizado em 22/10/2020 às 12:21
MARCOS CORRÊA/PR
Luiz Henrique Mandetta é ex-ministro da Saúde. - FOTO: MARCOS CORRÊA/PR
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O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta aconselhou, em entrevista a O Globo, que o atual ocupante do cargo, Eduardo Pazuello, escolha "o lado certo" e ouça sua consciência "do que é o melhor para o Brasil". A declaração vem um dia após o presidente Jair Bolsonaro ter desautorizado o acordo costurado pelo ministro de comprar 46 milhões de doses da CoronaVac, vacina contra o coronavírus desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Life Science.

"De um lado, a morte e a doença. Do outro, o vírus e a liderança tóxica. O ministro deve escolher o lado certo e ouvir sua consciência do que é o melhor para o Brasil. É simples assim", afirmou Mandetta durante a entrevista, sem mencionar diretamente o presidente.

Pazzuelo é o terceiro ministro da Saúde do governo Bolsonaro e durante a pandemia, após Mandetta e Nelson Tech. A passagem de Mandetta pelo ministério foi a mais longa, mas marcada por desentendimentos acerca das medidas de ação contra o coronavírus. Além da falta de apoio à cloroquina, medicamente o qual o ex-ministro nunca apoiou, o protagonismo de Mandetta incomodou Bolsonaro.

Coronavac

Nessa quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro cancelou a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, vacina contra o coronavírus produzida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan. Em entrevista à Jovem Pan, o brasileiro chegou a questionar a credibilidade das vacinas produzidas na China e disse que o coronavírus "pode ter nascido lá". Ele ainda afirmou que não comprará nenhum imunizante vindo do país asiático.

"Da China nós não comparemos, é decisão minha. Eu não acredito que ela [vacina] transmita segurança suficiente para a população pela sua origem", declarou o presidente. Questionado sobre os motivos que levaram à decisão, Bolsonaro responsabilizou a China e disse que era uma questão de credibilidade. "Acredito que teremos a vacina de outros países, até mesmo a nossa, que vai transmitir confiança para a população. A da China, lamentavelmente, já existe um descrédito muito grande por parte da população, até porque, como muitos dizem, esse vírus teria nascido lá", declarou.

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