IMUNIZAÇÃO

Bolsonaro pede à Índia urgência para antecipar envio da vacina de Oxford contra covid-19

Bolsonaro assinou uma carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, solicitando ajuda para antecipar a entrega ao Brasil de um lote de 2 milhões de doses

JC Estadão Conteúdo
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Estadão Conteúdo
Publicado em 08/01/2021 às 20:45
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ALAN SANTOS/PR
Bolsonaro ao lado de Narendra Modi em Brasília, em 2019 - FOTO: ALAN SANTOS/PR
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enviou uma carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, solicitando ajuda para antecipar a entrega ao Brasil de 2 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca e produzida por um laboratório indiano. O lote é a principal aposta do governo federal para começar ainda em janeiro o programa de imunização no País.
Na carta, Bolsonaro ressalta que, para "possibilitar a imediata implementação do nosso Programa Nacional de Imunização, muito apreciaria poder contar com os bons ofícios de Vossa Excelência para antecipar o fornecimento ao Brasil, com a possível urgência e sem prejudicar o programa indiano de vacinação, de 2 milhões de doses do imunizante produzido pelo Serum Institute of India".
O presidente lembra ainda que entre as vacinas selecionadas pelo governo brasileiro para imunizar sua população "encontram-se aquelas da empresa indiana Bharat Biotech International Limited (COVAXIN) e da AstraZeneca junto à Universidade de Oxford (COVISHIELD), também produzida pelo Serum Institute of India".

RUSSELL CHEYNE / POOL / AFP
Vacina desenvolvida pelo laboratório britânico AstraZeneca com a Universidade de Oxford - RUSSELL CHEYNE / POOL / AFP
Mais adiante, Bolsonaro aproveita para reiterar os agradecimentos pela liberação das exportações dos insumos farmacêuticos produzidos na Índia, de extrema relevância para o abastecimento de nosso mercado e para a saúde do povo brasileiro".
Desde o início da semana, Bolsonaro já cogitava pedir ajuda ao governo indiano para que não houvesse empecilhos ou demora na venda das vacinas ao Brasil. O Planalto corre contra o tempo e quer evitar deixar o protagonismo da imunização nas mãos do seu principal inimigo político, no momento, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Fiocruz pede à Anvisa uso emergencial de 2 milhões de doses da vacina de Oxford

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) pediu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nesta sexta-feira (8) o aval para o uso emergencial de 2 milhões de doses da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca. 

A agência estima que levará até 10 dias para autorizar ou não o uso emergencial. Esse prazo é interrompido, caso o órgão peça informações dentro do processo. Mais cedo, o Instituto Butantan pediu a mesma permissão à Anvisa para a Coronavac, vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac.

A Fiocruz deseja distribuir, ainda em janeiro, estas doses prontas, vindas de fábrica indiana. O produto foi comprado por R$ 59,4 milhões no momento em que o governo federal é pressionado para antecipar o calendário de vacinação no Brasil. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, aponta o dia 20 deste mês como data mais otimista para começar a aplicar as doses no País

A imunização com esta vacina exige a aplicação de duas doses.

A Fiocruz também receberá em janeiro insumo farmacêutico para completar a fabricação de cerca de 100 milhões de imunizantes deste modelo. A ideia é que as primeiras unidades sejam liberadas em fevereiro. No segundo semestre, a Fiocruz afirma que irá realizar todo o processo de fabricação de outras 110 milhões de unidades.

"As primeiras 24h serão utilizadas para fazer uma triagem do processo e checar se os documentos necessários estão disponíveis Se houver informação importante faltando, a Anvisa pode solicitar as informações adicionais ao laboratório. O prazo de 10 dias não considera o tempo do processo em status de exigência técnica", disse a Anvisa.

O governo investiu cerca de R$ 2 bilhões para a compra de doses e transferência de tecnologia para a Fiocruz. No plano nacional de imunização, o governo prevê aplicar doses desta vacina em cerca de 50 milhões de brasileiros de grupos prioritários ainda no primeiro semestre.

O governo considera que uma vantagem da vacina de Oxford/AstraZeneca é a facilidade de armazenamento, que exige temperaturas de 2 a 8 graus. Trata-se do intervalo já utilizado na rede de frios do SUS.

A falta de transparência sobre os dados desta vacina, porém, gerou críticas na comunidade científica. Um erro de dosagem levou a dois resultados de eficácia do produto: 62% quando aplicada em um regime de duas doses completas e 90% com meia dose seguida de outra completa. Há ainda dúvidas sobre os resultados para pessoas acima de 55 anos.

Responsável por coordenar o estudo clínico da vacina no Brasil, a médica Lily Yin Weckx disse ao jornal O Estado de S. Paulo que a primeira dose da vacina já mostra eficácia de cerca de 70% contra a doença, mas em intervalo curto. "A gente ainda pode ficar com a média de eficácia de 70%. O estudo continua; teremos um ano de segmento para ver a persistência da proteção, dos anticorpos, de segurança, etc."

Segundo Lily, "o que é importante é que temos uma vacina segura, eficaz e que pode fazer a diferença na pandemia. Esses número de 60%, 70%, 80% é de proteção contra a doença covid. Mas se considerarmos doenças graves e hospitalização, a vacina foi capaz de evitar quase 100%".

Ela diz que, entre as pessoas que foram vacinadas, nenhuma teve uma doença grave ou ficou hospitalizada por covid. Todas as hospitalizações ocorreram no grupo controle.

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Vacina desenvolvida pelo laboratório britânico AstraZeneca com a Universidade de Oxford - FOTO:RUSSELL CHEYNE / POOL / AFP

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