COVID-19

Butantan inicia produção da vacina ButanVac contra covid-19; entenda o processo

Previsão é produzir 18 milhões de doses da ButanVac até junho

Agência Brasil JC
Agência Brasil
JC
Publicado em 28/04/2021 às 17:10
Notícia
GOVERNO DE SÃO PAULO
O Butantan deu entrada junto à Anvisa no dia 26 de março do Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento da Butanvac - FOTO: GOVERNO DE SÃO PAULO
Leitura:

Apesar de ainda não ter dado início aos testes em humanos, o Instituto Butantan anunciou nesta quarta-feira (28) o início da produção de uma nova vacina contra a covid-19, chamada ButanVac. Segundo o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, o primeiro lote produzido dessa vacina terá 1 milhão de doses. A previsão é que, até junho, sejam produzidas 18 milhões de doses dessa vacina.

A vacina Butanvac será produzida na fábrica do Butantan onde são feitas anualmente as vacinas contra a gripe, produção que já foi finalizada este ano. A ButanVac será produzida integralmente no Brasil, sem necessidade de importar insumos para a produção. Atualmente, o Instituto Butantan já produz uma vacina contra a covid-19, a CoronaVac, que está sendo aplicada em todo o Brasil por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A CoronaVac, no entanto, necessita da importação de matéria-prima da China.

A produção da ButanVac foi dividida em fases. Na primeira fase, que tem início hoje (28) e vai até 18 de maio, serão produzidos seis lotes, totalizando 6 milhões de doses da vacina. Na segunda fase, entre os dias 14 de maio e 1º de junho, serão produzidos mais seis lotes. Na terceira etapa, entre os dias 28 de maio e 15 de junho, mais seis lotes serão produzidos.

De acordo com o governador de São Paulo, João Doria, até o final deste ano, poderão ser produzidas 40 milhões de doses dessa nova vacina.

Pedido de testes

Na última sexta-feira (23), o Instituto Butantan enviou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o pedido para início dos testes em humanos da ButanVac, de fases 1 e 2.

Após o pedido feito pelo Butantan, a Anvisa terá prazo de 72 horas para dar seu parecer. No entanto, ontem (27), a Anvisa paralisou a análise do pedido do Butantan alegando que o instituto não entregou todos os documentos solicitados. "O pedido de autorização do Butantan, enviado à agência no dia 26/3, e o protocolo do estudo clínico enviado na última sexta-feira (23/4) ainda estão incompletos e não atendem aos requisitos técnicos para autorizar pesquisas clínicas de vacinas em seres humanos", disse o órgão regulador.

Segundo a Anvisa, entre os documentos que o Butantan ainda precisa enviar estão relatórios técnicos contendo dados e informações sobre a definição do perfil alvo de qualidade da vacina (substância ativa, adjuvantes, interação ativo + adjuvante e produto terminado) e outro contendo informações detalhadas sobre o banco de vírus mestre e de trabalho (fabricantes, etapas de produção, definição de lotes, controle de qualidade, estabilidade, lotes usados até o momento e lotes a serem usados no estudo clínico). A Anvisa também pediu informações sobre o processo produtivo e de controle de qualidade do imunizante.

Os estudos clínicos

A fase inicial de estudos em humanos busca avaliar a segurança da vacina e sua capacidade de induzir uma resposta imunológica. Para uma vacina ser aplicada na população, ela passa por uma fase de estudos em laboratório, uma fase pré-clínica de testes em animais e três etapas clínicas de testes em voluntários humanos, que avaliam a produção de anticorpos, a sua segurança e a sua eficácia.

Os testes da ButanVac serão feitos em adultos. Os estudos deverão começar com 1,8 mil voluntários. Já a Fase 3, com maior escala de participantes, deverá incluir 9 mil pessoas. Poderão fazer parte dos testes inclusive adultos já vacinados ou que já tiveram covid-19.

A tecnologia da ButanVac utiliza o vírus da Doença de Newcastle geneticamente modificado. O vetor viral contém a proteína Spike do coronavírus de forma íntegra. O desenvolvimento complementar da vacina será todo feito com tecnologia do Butantan, incluindo a multiplicação do vírus, condições de cultivo, ingredientes, adaptação dos ovos, conservação, purificação, inativação do vírus, escalonamento de doses e outras etapas.

A Doença de Newcastle é uma infecção que afeta aves e, por isso, segundo o Butantan, o vírus se desenvolve bem em ovos embrionados, permitindo eficiência produtiva em um processo similar ao usado na vacina contra a Influenza do Butantan. O vírus da doença de Newcastle não causa sintomas em seres humanos, constituindo-se em alternativa muito segura na produção. Inativado para a formulação da vacina, o vírus facilita sua estabilidade e deixa o imunizante ainda mais seguro.

CoronaVac

Nesta quarta-feira, o governador João Doria informou que antecipará a entrega de mais 600 mil doses da vacina CoronaVac ao Ministério da Saúde. Prevista inicialmente para 3 de maio, a entrega será feita já nesta sexta-feira (30).

Entenda como funciona o passo a passo de fabricação da ButanVac

Nesta quarta (28), o Instituto Butantan recebeu um lote de 520 mil ovos para iniciar a produção da ButanVac.

1. Recebimento e descarregamento dos ovos

Desde o descarregamento dos ovos do caminhão até a saída da matéria-prima pronta para o envase, são em torno de 300 pessoas envolvidas no processo.

INSTITUTO BUTANTAN
Fabricação da ButanVac - INSTITUTO BUTANTAN

2. Controle da qualidade dos ovos e avaliação da qualidade do embrião

Após o descarregamento e o preparo da solução com o vírus que será colocada em cada ovo, os ovos passam por um processo de ovoscopia, realizada por meio da aplicação de luz de forma individual, para avaliar a qualidade do embrião.

INSTITUTO BUTANTAN
Ovos para fabricação da ButanVac - INSTITUTO BUTANTAN

 

3. Acondicionamento em incubadoras na área não-viral da fábrica

Os ovos ficam acondicionados em incubadoras na área de transferência da parte não-viral da fábrica para a parte viral.

INSTITUTO BUTANTAN
Ovos para fabricação da ButanVac - INSTITUTO BUTANTAN

4. Transferência para a área viral e inoculação com solução com o vírus

Depois de transferidos, os ovos passam pela inoculação (introdução do vírus inativado). “Este lote de 520 mil ovos demorará em torno de 19 horas para ser inoculado”, explica Douglas Gonçalves de Macedo, gerente de produção do prédio de fabricação da vacina Influenza, onde será fabricada a ButanVac.

INSTITUTO BUTANTAN
Ovos para fabricação da ButanVac - INSTITUTO BUTANTAN

5. Acondicionamento em incubadoras para multiplicação do vírus

Os ovos vão novamente para as incubadoras, por um tempo de aproximadamente 72 horas, para que a multiplicação viral possa acontecer.

6. Resfriamento

Em seguida, são encaminhados para o resfriamento, onde ocorre a eutanásia do embrião.

7. Coleta do líquido alantóico do ovo, onde está concentrado o vírus replicado

Na próxima etapa, colhe-se o líquido alantóico do ovo, onde está concentrado o vírus replicado.

8. Processo de purificação do produto

9. Inativação

10. Filtração e acondicionamento em câmara fria

Nas etapas de purificação, clarificação e filtração, são retirados componentes como hemácias, proteínas que não são do interesse para a produção e água. Também nesta etapa o vírus é inativado. “Em aproximadamente 11 dias teremos o monovalente finalizado, que fica armazenado em câmara fria”, ressalta Douglas, responsável pela produção do monovalente da ButanVac.

11. Envio para o prédio de formulação e envase

Conforme a programação do PCP (Planejamento e Controle de Produção, área responsável por planejar todo o cronograma, desde a chegada dos ovos até a disponibilização da vacina para o Ministério da Saúde), ocorre o envio para o prédio de formulação e envase, onde a solução é colocada em frascos, vedada, rotulada e embalada.

 

INSTITUTO BUTANTAN
Fabricação da ButanVac - FOTO:INSTITUTO BUTANTAN
INSTITUTO BUTANTAN
Ovos para fabricação da ButanVac - FOTO:INSTITUTO BUTANTAN
INSTITUTO BUTANTAN
Ovos para fabricação da ButanVac - FOTO:INSTITUTO BUTANTAN
INSTITUTO BUTANTAN
Ovos para fabricação da ButanVac - FOTO:INSTITUTO BUTANTAN

Últimas notícias