Investigação

'Muitas pessoas merecem morrer'. Confira na íntegra a carta encontrada em esconderijo de Lázaro, o "serial killer do DF"

O documento foi escrito à mão em uma folha de papel A4

Giovanna Torreão Do jornal Correio para a Rede Nordeste
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Giovanna Torreão
Do jornal Correio para a Rede Nordeste
Publicado em 18/06/2021 às 13:26 | Atualizado em 18/06/2021 às 13:33
REPRODUÇÃO/POLÍCIA CIVIL
SUSPEITO Fugitivo teria roubado casa semanas antes de assassinato - FOTO: REPRODUÇÃO/POLÍCIA CIVIL
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Uma carta foi encontrada por policiais em um local onde Lázaro Barbosa, que ficou conhecido como 'serial killer de Brasília', teria usado como esconderijo na região de Edilândia, interior de Goiás. O documento foi escrito à mão em uma folha de papel A4 e estava abandonado no local.

 

Reprodução
A carta foi apreendida e levada para perícia - Reprodução

O texto, de acordo com o Metrópoles, discorre sobre quem tem o direito de morrer ou de viver. “Muitos que vivem merecem morrer, alguns que morrem merece (sic) viver”, diz a carta, que foi apreendida e levada para perícia. Os investigadores acreditam que Lázaro escreveu ou apenas carregava o manuscrito, que replica algumas falas de um personagem da trilogia Senhor dos Anéis.

Ao lado da carta, foram encontradas frutas dentro de cestos de palha. Havia também uma toalha rosa forrando a mesa. Na área, existe uma região de mata ciliar, o que teria facilitado a fuga do suspeito de matar uma família. No final, o texto faz menção de “outras forças agindo neste mundo, além da vontade do mal”.

De acordo com o Metrópoles, policiais acreditam que a perseguição ao suspeito da chacina que tirou a vida de quatro pessoas da mesma família é extremamente difícil em razão da desenvoltura do criminoso no Cerrado.

Baiano, ele nasceu e cresceu na região de Barra do Mendes. Quando criança, costumava se esconder em grutas e nas matas próximas. Por conta disso, adquiriu uma habilidade para sobreviver na mata.

Lázaro, segundo os policiais, tem o costume de queimar todo tipo de objeto que ele carrega e que não irá mais usar. Roupas velhas e molhadas, restos de comida, tudo é jogado no fogo. Além disso, o criminoso costuma caminhar pelo leito de riachos e córregos para dificultar o trabalho dos cães farejadores empregados na caçada.

Crimes de Lázaro

A saga de Lázaro começou no dia 9 de junho, quando ele matou uma família em Ceilândia, no Distrito Federal. Naquele dia, de acordo com o Correio Braziliense, o suspeito invadiu uma casa. Lá, ele matou Cláudio Vidal, 48, e os dois filhos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15.

Após o triplo homicídio, ele fugiu levando a empresária Cleonice Marques, 43, refém. No entanto, a mulher conseguiu ligar para o irmão, que chegou à casa e encontrou os três corpos no chão, mas suspeito já tinha fugido levando a refém.

Cleonice foi encontrada morta três dias depois, no sábado (12). O corpo estava em um córrego próximo a Sol Nascente, também no Distrito Federal. O cadáver estava sem roupa e com diversos cortes.

Logo após a morte da família, Lázaro Barbosa começou sua saga fugindo da polícia. O baiano é conhecido por ter grande capacidade de sobreviver na mata e pela sua habilidade de fugir das autoridades. Veja a linha do tempo:

Quinta-feira, 10 de junho: o homem teria invadido uma casa que fica a 3km do local onde o triplo homicídio foi cometido. Lá, de acordo com o Correio Braziliense, ele teria colocado Sílvia Campos, 40, proprietária da chácara, e o caseiro, identificado como Anderson, 18, na mira de seu revólver por 3 horas.

No local, ele teria obrigado os dois a fumarem maconha. Antes de fugir, ele roubou R$ 200, uma jaqueta, celulares e carregador.

Sexta-feira, 11 de junho: Lázaro fez mais um refém e roubou um Fiat Pálio em Ceilândia. Com o carro, ele se dirigiu a Cocalzinho, desta vez em Goiás, onde abandonou e incendiou o veículo.
As investigações apontam que lá se encontrou com um comparsa que o ofereceu suporte.

Sábado, 12 de junho: ele teria passado a tarde bebendo e se divertindo em uma chácara próxima à Lagoa Samuel. Lá o suspeito fez o caseiro refém. O serial killer também o obrigou a fumar maconha. Antes de fugir novamente, Lázaro destruiu o carro do refém.
Após deixar essa casa, ele foi para outra chácara, onde baleou três homens e roubou duas armas de fogo. Uma das vítimas era Thiago, que em entrevista ao Correio Braziliense deu mais detalhes de como o crime ocorreu.

"Estávamos conversando, quando ele chegou invadindo, por volta das 19h, e atirando. Meus dois amigos ficaram muito feridos e eu fui baleado na perna", contou ele enquanto saia do hospital com um ferimento na perna.

No final daquela noite, a polícia o encontrou e quase o prendeu. Houve troca de tiros, mas o suspeito conseguiu escapar enquanto ateava fogo a uma casa em Cocalzinho, interior de Goiás.

Domingo, 13 de junho: o foragido furtou um outro carro, também em Cocalzinho (GO), e abandonou o veículo, um Corsa vermelho, após avistar um ponto de bloqueio montado pela polícia.
No interior do automóvel, foi encontrado um carregador de munições. Policiais iniciaram uma intensa busca pela mata, usaram cães farejadores, drones e helicópteros.

Segunda-fera, 14 de junho: ele passou o dia na mata. De noite, tentou invadir uma chácara, quando trocou tiros com o caseiro. De acordo com o trabalhador, Lázaro teria se ferido. A informação não foi confirmada.

Após deixar o local, ele invadiu uma outra fazenda, onde passou a noite. Câmeras de segurança flagraram o criminoso.

Terça-feira, 15 de junho: houve um encontro entre Lázaro e a polícia. Durante a troca de tiros, dois policiais foram baleados de raspão. O serial killer conseguiu fugir.
Na noite deste dia, ele invadiu uma nova fazenda. Lá, ele preparou comida e fugiu novamente.

Quarta-feira, 16 de junho: o criminoso fez três pessoas de uma família refém. Ele as levou para a beira de um rio e pretendia matá-las. A polícia chegou a tempo de evitar o crime.

Quinta-feira, 17 de junho: Lázaro trocou tiros com a polícia novamente. Há a suspeita de que ele esteja ferido. As autoridades acreditam estar próximas dele, e fecharam um cerco no do distrito de Girassol, município de Cocalzinho.

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A carta foi apreendida e levada para perícia - FOTO:Reprodução

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