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Ao comentar sobre Lázaro, serial killer do DF, Bolsonaro defende porte de armas

"Eu não consigo dormir, apesar de uma segurança enorme aqui no Alvorada, sem ter uma arma do meu lado", declarou o presidente

Bruna Oliveira
Estadão Conteúdo
Douglas Hacknen
Publicado em 18/06/2021 às 8:28
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EVARISTO SA / AFP
O presidente da República, Jair Bolsonaro - FOTO: EVARISTO SA / AFP
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O presidente Jair Bolsonaro comentou na noite dessa quinta-feira (18) sobre o caso de Lázaro Barbosa, homem de 32 anos suspeito de matar quatro pessoas da mesma família no Distrito Federal na semana passada e que se encontra foragido. Na ocasião, o chefe do Executivo aproveitou o tema para entrar em defesa do porte de armas.

"Tem um maníaco na região do DF e GO cometendo barbaridade, matando gente, estuprando... Esse elemento tentou entrar numa chácara e foi repelido porque o cara tinha uma calibre doze lá dentro.
Os bandidos estão armados, você não tem paz nem dentro de casa. Eu não consigo dormir, apesar de uma segurança enorme aqui no Alvorada, sem ter uma arma do meu lado", declarou o presidente.

Em seguida, Bolsonaro afirmou que o armamento seria uma solução mais eficaz, já que, segundo ele, durante uma invasão, muitas vezes demora horas para a vítima pegar o telefone, ligar para a polícia e uma equipe chegar até o local da ocorrência.

"Quem não quer ter arma, é só não comprar. Não tem problema nenhum. Agora, se estiver sofrendo uma invasão, até pegar o telefone e ligar, muitas vezes a polícia leva horas. Uma arma é sua defesa, ou será que você não se garante? Arma protege a sua vida, sua família. Arma não mata; quem mata é o elemento que está atrás dela", disse.

Moradores da região onde foi feito cerco a Lázaro Barbosa relatam terror

A outrora pacata cidade de Cocalzinho de Goiás (GO), no meio do caminho entre Brasília e Goiânia, enfrenta dias de medo. O motivo é Lázaro Barbosa, de 32 anos, conhecido como "serial killer do DF", acusado de matar uma família inteira na semana passada. O cerco policial para capturá-lo já dura dez dias e as buscas se concentram na região, onde ele foi visto pela última vez.

Paulo de Souza Monteiro, de 58 anos, que trabalha em uma propriedade rural no distrito de Girassol, pertencente a Cocalzinho, resume o espírito dos moradores: "A gente não consegue nem dormir". O chacareiro afirmou que sua mulher está grávida e ele tem receio de que algo de ruim possa acontecer. "Penso mais nela."

A Polícia Militar usa helicópteros, cães farejadores e conta com auxílio da Polícia Federal para capturá-lo. Segundo agentes que acompanham as buscas, Lázaro conhece bem a área, onde mora sua família, e tem facilidade para se esconder na mata. A polícia confirmou que o homem também é investigado pela morte de um caseiro em Girassol, no dia 5 de junho, quatro dias antes do assassinato de uma família em Ceilândia.

"Estou com 58 anos, nunca vi um trabalho desses, nunca vi mesmo. Esse tanto de avião em cima de mim e eu andando, nunca vi", afirmou o chacareiro. Cocalzinho é uma cidade pequena, com pouco mais de 18 mil habitantes, a 115 km de Brasília. O município costuma apresentar baixos índices de homicídio. De acordo com dados mais recentes do Atlas da Violência, levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a taxa de homicídio na cidade era de sete por 100 mil habitantes em 2017.

Amanda Tavares, de 24 anos, dona de um salão de beleza na área urbana da cidade, afirmou que o cerco a Lázaro mudou drasticamente a rotina dos moradores. "O medo de ele aparecer na casa da gente só aumenta a cada dia que passa", afirmou.

"A chácara que ele entrou ontem (terça-feira) e fez três reféns sempre foi tranquila. Sempre passamos feriados lá e nunca imaginamos que tamanha barbaridade poderia acontecer tão perto da gente", disse a moradora.

A empresária relata que o movimento no seu salão diminui pelo receio das pessoas de deixarem suas casas. "Por conta da pandemia, não está podendo ter nada. A cidade não pode ter nada nos bares e o pessoal estava indo para fazenda, fazendo aniversário, chá de bebê, tudo em fazenda. Agora está todo mundo com medo de ir."

Na terça-feira (15), Lázaro fez uma pessoa refém em Edilândia (GO), na mesma região de Cocalzinho, e trocou tiros com policiais. Um agente foi atingido, mas ficou bem após socorro médico. "Foram tiros de raspão, dois tiros, os dois passaram de raspão no rosto. Já foi socorrido e está tranquilo", disse o secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Marques, em entrevista na noite de terça-feira. O foragido havia sido visto em propriedades rurais na região do entorno do DF e Goiás. Desde então, porém, não há mais sinais de onde ele está escondido.

Uma força-tarefa com cerca de 200 policiais foi montada e tem usado o distrito de Girassol, área rural de Cocalzinho, como base. O secretário de segurança de Goiás disse nesta quinta-feira (17) que o grupo deve ser reforçado por 20 agentes da Força Nacional de Segurança.

Um grupo de oração esteve próximo a uma das bases usadas pela polícia na manhã desta quinta-feira (17) pedindo proteção divina para a vida dos policiais e dos moradores.

"Que esse homem venha a ser descoberto, que Deus também visite ele, a alma dele, visite ele agora e onde ele esteja agora. Que Deus possa revelar onde ele está. Deus pode revelar o oculto", afirmou Conceição Aparecida, de 53 anos, dona de casa, que faz parte de um grupo de oração. Ela vive há 25 anos no distrito Girassol, pertencente a Cocalzinho.

Lázaro é acusado de matar, a tiros e facadas, três pessoas na zona rural de Ceilândia no último dia 9 de junho. Os mortos eram Cláudio Vidal de Oliveira, de 48 anos, e os filhos Gustavo Marques Vidas, de 21 anos, e Carlos Eduardo Marques Vidal, de 15 anos.

O foragido também é apontado como responsável pelo sequestro da mulher de Cláudio, Cleonice Marques de Andrade. O corpo dela foi encontrado no dia 12 à beira de um córrego, próximo da casa onde a família morava.

Lázaro é investigado ainda pela morte de um caseiro em Girassol, no dia 5 de junho, quatro dias antes do assassinato da família.

Nascido na cidade baiana de Barra do Mendes, a 530 quilômetros de Salvador, Lázaro já respondeu, na cidade natal, a um processo por homicídio quando tinha 20 anos. Em 2011, já em Ceilândia, ele foi condenado por estupro e roubo com emprego de arma. Ele chegou a ser preso em 2018, em Águas Lindas de Goiás, mas fugiu do encarceramento poucos meses depois.

Perseguição a Lázaro Barbosa entra no décimo dia

A perseguição a Lázaro Barbosa entrou no décimo dia nesta sexta-feira (18). Conhecido como "serial killer do DF", o homem é suspeito de matar quatro pessoas de uma mesma família, em Ceilândia. Mais de 200 policiais participam da operação, que se concentra em Cocalzinho de Goiás (GO), no meio do caminho entre Brasília e Goiânia.

O secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO), Rodney Rocha Miranda, afirmou durante coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (17), que o Lázaro teria sido ferido durante troca de tiros com policiais. O tiroteio ocorreu na durante a tarde.

"Cão farejador achou pano ensanguentado, pode ser até um ferimento grave. Ele tentou acertar um dos cachorros, policiais visualizaram e revidaram. Ele entrou em uma vala e depois, provavelmente, na água, e os policiais perderam o rastro dele", disse o secretário.

Segundo a polícia, o tiroteio aconteceu por volta de 17h. Essa foi a segunda vez que ele trocou tiros com os agentes. A primeira foi durante o resgate de uma família feita refém. Miranda informou que um cão da polícia farejou um pedaço de pano com sangue e acredita-se o objeto foi usado por Lázaro, tentando estancar algum ferimento.

Algumas equipes estão utilizando óculos de visão noturna. "Como é um sujeito perigosíssimo, está armado e atirando, resolvemos esperar amanhecer para procurar, porque o terreno é muito perigoso. Vamos virar uma madrugada fazendo como incursões em volta. Entendemos que ele está no limite."

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