FENÕMENO

O que se sabe até agora sobre o tsunami que poderia atingir o Nordeste do Brasil?

O vulcão Cumbre Vieja, localizado nas Ilhas Canárias, no litoral da África, registrou alerta amarelo de risco de erupção

Bruna Oliveira Vanessa Moura
Bruna Oliveira
Vanessa Moura
Publicado em 17/09/2021 às 8:21
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DIVULGAÇÃO/METSUL METEOROLOGIA
ALERTA Risco de erupção do vulcão Cumbre Vieja foi emitido - FOTO: DIVULGAÇÃO/METSUL METEOROLOGIA
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Desde a quinta-feira (16), quando se acendeu o alerta amarelo de risco de erupção do vulcão Cumbre Vieja, localizado nas Ilhas Canárias, na costa da África, não se fala de outra coisa. Isso porque, caso haja uma erupção explosiva, é possível que um tsunami se forme e atinja o Nordeste do Brasil. Esta história, porém, é antiga, e ainda uma possibilidade de baixo risco.

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Foi em 2001, há 20 anos, que dois dos maiores pesquisadores do mundo: Steven Ward, do Instituto de Geofísica da University of Califórnia (EUA); e Simon Day, do Departamento de Ciências Geológicas da University College, de Londres (Inglaterra), levantaram a hipótese do vulcão Cumbre Vieja causar um tsunami que poderia atingir o Brasil.

Na época, os dois chegaram a publicar um artigo científico alertando diversos países do Atlântico sobre a possibilidade. Para isso, eles realizaram o mapeamento da atividade sísmica, do histórico de erupções, das correntes marítimas e de diversos outros pontos relacionados ao fenômeno. Mas, de acordo com os pesquisadores, as últimas erupções do Cumbre Vieja ocorreram nos anos de 1949 e 1971 e em nenhuma das vezes a erupção causou problemas relacionados a tsunamis. 

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Há alguns dias, no entanto, a atividade sísmica na região registrou mudanças, o que acendeu o alerta amarelo de risco de erupção. Apesar do cenário causar medo, é importante salientar que o nível "amarelo" de risco é o segundo em uma escala de quatro. Desta forma, ele revela ainda uma possibilidade pequena de erupção.

Simulação 

Na simulação de erupção explosiva feita por Steven Ward e Simon Day há 20 anos, a área de impacto de 250 km de diâmetro seria capaz de produzir tsunamis em diversas direções e "várias ondas de centenas de metros de altura atingiram as costas das três ilhas mais a oeste da cadeia das Canárias." De acordo com a pesquisa, em apenas 15 a 60 minutos as Ilhas Canárias seriam atingidas por ondas de 50 a 100 metros de altura.

Já no Brasil, em até nove horas essas ondas chegariam. "As vanguardas do tsunami (10 m) atingiriam inicialmente a América do Norte. Simultaneamente, ondas maiores (15-20 m) chegariam à costa norte da América do Sul. Nossos modelos de computador preveem que as ondas do tsunami, de 10 a 25 m de altura, serão sentidas em distâncias transoceânicas abrangendo a maior parte da bacia do Atlântico", disseram. 

'Não há motivo para pânico'

Por conta disso, a possibilidade de um tsunami atingir o Nordeste do Brasil tem deixado muita gente preocupada. Dúvidas sobre as áreas que poderiam ser atingidas e suas possíveis consequências começaram a surgir. Afinal, esse tsunami seria capaz de chegar a Pernambuco? A professora Tereza Araújo, do Departamento de Oceanografia, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), falou sobre essa e outras questões relacionadas ao tema.

A princípio, é importante compreender o que é um tsunami. As ondas gigantes, como também é conhecido, podem atingir em média altura de 150 metros, que irá variar de acordo com a intensidade. Elas podem percorrer milhares de quilômetros, atingindo velocidade de aproximadamente 700km/h. O tsunami é mais comum em áreas com instabilidade tectônica.

Segundo Tereza Araújo, apesar do vulcão Cumbre Vieja ter entrado em estágio amarelo, devido a alterações em suas atividades sísmicas detectadas no último sábado (11), as chances de que um tsunami atinja o Brasil são mínimas.

"Não posso dizer que não há possibilidade, porque ela existe, mas ela é bem pequena. Não há necessidade da população entrar em pânico. O vulcão ter registrado atividade não significa que ele de fato vá entrar em erupção e nem que um tsunami que irá atingir o Brasil", falou.

À reportagem do JC, a professora explicou que, na maioria das vezes, o tsunami acontece em decorrência de um terremoto, que libera muita energia de uma vez, que pode se propagar e perder só perder a energia na Costa. No entanto, é importante lembrar que nem todo terremoto gera uma onda gigante.

"A probabilidade um tsunami ocorrer em decorrência de um terremoto é bem maior que a de um vulcão, mas não é motivo para medo. Tremores de terra foram constatados em Natal e Fortaleza recentemente e nenhum deles provocaram ondas gigantes", completou a professora.

O que esperar?

O Brasil está posicionado no centro de uma placa tectônica, a sul-américa, isso faz com que em seu território quase não haja perigo de atividades decorrentes de abalos sísmicos. No entanto, uma erupção vulcânica no Cumbre Vieja - considerada remota - poderia colocar em risco essa estabilidade. Por isso, especialistas alertam para que a população fique atenta e vigilante ao monitoramento da atividade vulcânica e sísmica. 

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