Ataques

Após sugerir metralhar deputada, Ratinho diz que não vai falar mais sobre política

Ratinho sugeriu que a deputada Natália Bonavides (PT-RN) fosse metralhada, pelo fato de ter dado entrada em um projeto na Câmara dos Deputados que propõe a retirada da expressão "marido e mulher" da união civil

Luisa Farias
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Luisa Farias
Publicado em 19/12/2021 às 12:42 | Atualizado em 19/12/2021 às 12:59
ISAC NÓBREGA/PR E PABLO VALADARES/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Ratinho e Natália Bonavides - FOTO: ISAC NÓBREGA/PR E PABLO VALADARES/CÂMARA DOS DEPUTADOS
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Após a repercussão da sua fala sobre a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) na última quinta-feira (15), o apresentador Ratinho afirmou que não queria falar mais de política.

No seu programa Turma do Ratinho na rádio Massa FM, ele sugeriu que a parlamentar fosse metralhada, pelo fato de ter dado entrada em um projeto na Câmara dos Deputados que propõe a retirada da expressão "marido e mulher" da união civil.

“Aliás, nós temos que colocar mais fofoca nesse programa e menos política, porque nós estamos passando por um período de muito radicalismo. É radicalismo dos dois lados. Radicalismo muito da direita e um radicalismo muito da esquerda. Então, qualquer comentário, os da esquerda mudam conforme eles querem e os da direita mudam conforme eles querem", afirmou Ratinho, segundo o TV POP. 

Ele afirmou ainda que as suas falas são comumente distorcidas. "Então, eu, por exemplo, vou evitar de fazer comentário porque qualquer comentário eles mudam aqui o seu pensamento. A imprensa, a mídia social muda o que você está falando. Você não tá falando com aquela intenção, mas… Às vezes, você tá falando um negócio até de brincadeira e vão lá e mudam conforme o interesse deles. O da direita radical e o da esquerda radical também. Então, tá muito chato isso e eu vou sair a partir de hoje dessa chatice", completou. 

O objetivo do projeto de lei da deputada apresentado em novembro de 2021 é garantir o tratamento igual entre casais, uma vez que casais homoafetivos podem se casar no Civil, a partir de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O texto muda o artigo nº 1.535 do Código Civil, que versa sobre a fala do juiz no momento da celebração do casamento civil. 

O novo texto diz: "De acordo com a vontade que acabam de declarar perante mim, eu, em nome da lei, declaro firmado o casamento". Atualmente, a lei diz que o juiz deve afirmar "De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro casados". 

Repercussão

Na quinta (15), ao comentar sobre o projeto da deputada, ele a atacou. "Natália, você não tem o que fazer, não? Você não tem o que fazer, minha filha? Vá lavar roupa a caixa do teu marido, a cueca dele, porque isso é uma imbecilidade querer mudar esse tipo de coisa. Tinha que eliminar esses loucos? Não dá para pegar uma metralhadora, não?". 

Natália Bonavides postou um vídeo da fala do apresentador nas redes sociais, que classificou como "ameaças e ataques covardes", e prometeu acioná-lo na justiça. 

"Incitar homicídio é crime! Ele coloca a minha vida e minha integridade física em risco. Ratinho ainda disse que eu fosse lavar as cuecas de meu marido. Essas ameaças e ataques covardes não ficarão impunes. O apresentador utilizou uma concessão pública para cometer crime", afirmou a deputada. 

 

O Grupo de Trabalho para Prevenção e Combate à Violência Política de Gênero da Procuradoria Regional Eleitoral em Brasília pediu ao órgão a abertura de uma investigação sobre os ataques do apresentador à deputada. 

A representação é assinada pelas procuradoras Raquel Branquinho e Nathália Mariel Ferreira de Souza. Elas apontaram indícios de violência psicológica. De acordo com a peça, o apresentador cometeu crime previsto no artigo 326-B do Código Eleitoral

A norma veda a qualquer pessoa "assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia, com a finalidade de impedir ou de dificultar a sua campanha eleitoral ou o desempenho de seu mandato eletivo". A lei prevê pena de reclusão, de um a quatro anos e multa. 

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