Pré-História

Vestígios da pré-história à mostra no Museu de Arqueologia da Unicap

Localizado no Centro do Recife, o museu expõe material encontrado num cemitério indígena da pré-história, em Brejo da Madre de Deus

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 19/06/2016 às 6:06
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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À primeira vista, a ideia pode até parecer macabra: entrar num museu para ver esqueletos humanos, alguns deles ainda com restos de cabelos no crânio. Acontece que as ossadas expostas no Museu de Arqueologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), localizado no bairro da Soledade, no Centro do Recife, têm pedigree e muita história para contar aos visitantes.

Encontrados num cemitério indígena pré-histórico na Furna do Estrago, no município de Brejo da Madre de Deus, Agreste do Estado, os esqueletos pertenceram a povos caçadores coletores que habitaram aquela área dois mil anos atrás. “Essa comunidade é a precursora do povo nordestino, comprovada por estudos genéticos”, afirma a bióloga Maria do Carmo Caldas, diretora do museu.

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Esqueletos humanos da pré-história em exibição no Museu de Arqueologia da Unicap, no Recife - Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Esqueletos do Museu de Arqueologia da Unicap pertenceram a povos coletores caçadores da pré-história - Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Esqueletos humanos da pré-história em exibição no Museu de Arqueologia da Unicap, no Recife - Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Museu de Arqueologia da Unicap é guardião de material encontrado em cemitério indígena pré-histórico - Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Achado arqueológico da Furna do Estrago, em Brejo da Madre de Deus, compõe acervo do Museu da Unicap - Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Museu de Arqueologia da Unicap é guardião de material encontrado em cemitério indígena pré-histórico - Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Esqueletos do Museu de Arqueologia da Unicap pertenceram a povos coletores caçadores da pré-história - Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Cemitério indígena pré-histórico localizado na Furna do Estrago, em Brejo da Madre de Deus (PE) - Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Acervo pessoal da pesquisadora Jeannette Lima, que achou o cemitério indígena na Furna do Estrago - Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Maria do Carmo Caldas, bióloga e coordenadora do Museu de Arqueologia da Unicap - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
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Livro sobre Museu de Arqueologia é uma homenagem à pesquisadora Jeannette Lima, diz Maria do Carmo - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
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O livro Memórias do Museu de Arqueologia da Unicap é financiado pelo Instituto Brasileiro de Museus - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem

 

Nossos ancestrais, a partir das informações recuperadas nos esqueletos, tinham a cabeça chata, o corpo robusto e eram baixinhos. Os homens mediam de 1,57 metro a 1,63 metro de altura. As mulheres variavam de 1,49 metro a 1,59 metro. Um dos esqueletos em exibição, de uma mulher adulta, mostra o padrão de sepultamento primário (corpo com carne) na Furna do Estrago.

Ela foi sepultada na posição fetal com braços e pernas flexionados e amarrados, envolta em esteira e novamente amarrada, explica Andrio José dos Santos, estudante de história da Unicap e um dos monitores. O museu providenciou uma réplica desse esqueleto, feita de resina, para ser manuseada pelos visitantes cegos. “É mais fácil entender a explicação quando se toca na peça”, diz Andrio.

Crianças eram enterradas na mesma posição, mas não tinham os membros amarrados. Diferentemente dos adultos, sepultados de lado, ficavam de barriga para cima. No espaço dedicado ao sepultamento secundário (só ossos) o público vai descobrir que os povos coletores caçadores pintavam as ossadas com ocre, tinta feita com a mistura de óxido de ferro e óleo vegetal ou mineral.

“Depois de limpar e pintar, colocavam numa urna e enterravam novamente. Esse ritual mostra a importância que eles davam ao indivíduo, naquele tempo os povos acreditavam que a alma estava presa aos ossos, há um simbolismo nesse ato”, comenta Andrio. Logo em seguida, fica o corredor dos crânios preservados e é lá que estão as cabeças com cabelo e restos de cartilagem.

Não há nada de sobrenatural com as ossadas, vai logo explicando o monitor. O material está preservado porque, na Furna do Estrago, os esqueletos estavam protegidos do sol e da chuva, o Ph baixo do local inibe a ação de microrganismos e por causa do solo ácido e seco. “Hoje, continuam preservados porque as salas têm refrigeração em tempo integral, desumificadores e formol nas caixas que abrigam as peças.”

Um dos esqueletos, enterrado com uma flauta feita de osso entre os braços, está em exibição na sala do flautista. “Os corpos eram sepultados com os pertences dos mortos, possivelmente ele tocava esse instrumento”, comenta o monitor. “O estudo das ossadas revelou hábitos alimentares e culturais dos povos caçadores.”

O museu, criado em 1987, é o guardião de “um grande achado arqueológico do Brasil”, diz Maria do Carmo, acrescentando que cada peça revela a pré-história nordestina. O cemitério indígena foi descoberto nos anos 80 pela antropóloga Jeannette Lima, falecida em 2005. Ela também localizou ossos de animais da megafauna em Brejo da Madre de Deus.

Maria do Carmo faz um resgate dessa história na publicação Memórias do Museu de Arqueologia da Unicap, que acaba de ficar pronta. O livro, patrocinado pelo Instituto Brasileiro de Museus, será distribuído com outros centros culturais, bibliotecas e universidades. Para saber mais acesse o portal museu.unicap.br. Aproveite e faça um tour virtual pelas salas.

Visitas em grupo devem ser agendadas pelo site. O museu funciona numa parte do Palacete da Soledade, de segunda a sexta-feira, pela manhã e à tarde, sem cobrança de ingresso. Chegando à recepção, é só procurar um dos monitores e eles abrem as portas.

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