BOUBOULINA

Cientistas detectam óleo dois dias antes de passagem de navio grego

Descoberta levanta a hipótese de que o petroleiro grego não seja o responsável pelo derramamento

Estadão Conteúdo
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Publicado em 07/11/2019 às 11:34
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Foto: Ülari Tomson/ Marine Traffic
FOTO: Foto: Ülari Tomson/ Marine Traffic
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Especialistas detectaram uma grande mancha de óleo no litoral do Nordeste dois dias antes da passagem do navio grego Bouboulina, apontado pela Polícia Federal como o principal suspeito pelo vazamento. A imagem, encontrada pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a 40 quilômetros do Rio Grande do Norte, levanta a hipótese de que o petroleiro grego não seja o responsável pelo derramamento. A Delta Tankers, dona do navio, nega envolvimento.

>>> Leia também: Veja imagens do navio Bouboulina, suspeito pelo derramamento de óleo no Nordeste

Segundo Humberto Barbosa, coordenador do Lapis e responsável pela análise da imagem, a mancha detectada teria 85 quilômetros de extensão por 1 quilômetro de largura. A imagem do Sentinel 1A é do dia 24 de julho e mostra a mancha de um fluido, "possivelmente associada a petróleo", segundo os cientistas, seguida por dois navios, um maior e outro menor. A embarcação de pequeno porte está mais próxima à mancha e poderia ser a fonte do vazamento.

A embarcação detectada na imagem não pode ser o petroleiro Bouboulina, segundo Barbosa. Outra imagem do satélite europeu analisada pelo grupo de pesquisadores anteriormente revela que o navio grego só passou pelo local dois dias mais tarde, em 26 de julho. O laboratório da Ufal também acompanhou todo o itinerário do navio grego, da Venezuela até a Malásia. E sustenta que é improvável que seja o Bouboulina o causador do vazamento. "Verificamos que, aparentemente, não houve paradas do navio durante o percurso", disse Barbosa.

Em nota divulgada no sábado, a petroleira Delta Tankers, responsável pelo Bouboulina, afirmou que não havia provas de que o navio tivesse vazado óleo na costa do Brasil. O texto informava também que não havia indícios de que o navio tenha parado, realizado transferência de óleo para outra embarcação, desacelerado ou desviado de rota. O comunicado dizia ainda que toda a carga de óleo cru recebida na Venezuela foi entregue na Malásia.

Ontem, a empresa informou que tem toda a documentação que comprova que o Bouboulina não é o responsável pelo vazamento. A Delta prometeu entregar o material às autoridades.

Foto: Litsa Vroutsi-Sanoudou/ Marine Traffic
Bouboulina, de origem grega, em Piraeus, próximo a Atenas - Foto: Litsa Vroutsi-Sanoudou/ Marine Traffic
Foto: Mats Klevtorp/ Marine Traffic
A embarcação responsável pelo derramamento de óleo em Helsingborg, cidade portuária da Suécia - Foto: Mats Klevtorp/ Marine Traffic
Foto: Brian Maniglia/ Marine Traffic
Navio no Rio Delaware, nos Estados Unidos - Foto: Brian Maniglia/ Marine Traffic
Foto: Ülari Tomson/ Marine Traffic
Bouboulina no Golfo da Finlândia - Foto: Ülari Tomson/ Marine Traffic
Foto: Nikoka Vouras/ Marine Traffic
Navio Bouboulina em São Sebastião, em São Paulo - Foto: Nikoka Vouras/ Marine Traffic
Foto: Cláudio Ritossa/ Marine Traffic
Bouboulina no Trieste, nordeste da Itália - Foto: Cláudio Ritossa/ Marine Traffic
Foto: Huw/ Gibby/ Marine Traffic
A embarcação também esteve em Gibraltar, na costa sul da Espanha - Foto: Huw/ Gibby/ Marine Traffic
Foto: Cesar T. Neves/ Marine Traffic
Bouboulina em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro - Foto: Cesar T. Neves/ Marine Traffic
Foto: Piet Verspui/ Marine Traffic
Bouboulina em Callandkanaal Rott, nos Países Baixos - Foto: Piet Verspui/ Marine Traffic
Foto: Leo Noordij/ Marine Traffic
Navio Bouboulina em Roterdã, na província da Holanda do Sul - Foto: Leo Noordij/ Marine Traffic

Investigação

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o gabinete de crise, que responde por Marinha, Ibama e PF, informou que não vai se pronunciar sobre a investigação em andamento. O Estado também procurou a Hex Tecnologias Geoespaciais, empresa que fez a análise por satélite do óleo e de embarcações que circularam pela região, mas não conseguiu contato ontem. A companhia foi a responsável por enviar informações à PF. Em nota em seu site, a Hex afirma que "em nenhum momento atribuiu responsabilidades" pelo vazamento.

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