MEIO AMBIENTE

Ninho de tartarugas-oliva eclode na orla de Olinda, na Região Metropolitana

No total, 94 filhotes nasceram nesta terça-feira (14), na orla de Olinda, naquela que foi a primeira desova monitorada da região.

Editoria de Cidades
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Publicado em 14/06/2016 às 19:20
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
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Um ninho de tartarugas da espécie Oliva, a menor entre as que desovam no litoral pernambucano, eclodiu, na tarde desta terça-feira (14), na orla de Olinda, na Região Metropolitana do Recife. No total, 94 tartarugas nasceram naquela que foi a primeira desova monitorada da região. 

Tartarugas-oliva colocam entre 100 e 150 ovos. Para a bióloga Keitz Moura Albertim, a chuva que castigou a região há duas semanas poderia ter diminuído o número de sobreviventes se tivesse acontecido no período logo após a desova. "Os ovos demoram de 45 a 60 dias para eclodir. Quando a chuva alagou a orla, eles já tinham aproximadamente 40 dias, já estavam mais protegidos", explica. Quando a areia está úmida, fungos e bactérias se proliferam e afetam o desenvolvimento dos animais.  

Antes da soltura, uma palestra sobre preservação ambiental foi ministrada pelo ambientalista Adriano Artoni para duas turmas de 1º e 2º anos da Escola Municipal Dona Brites de Albuquerque, localizada nas imediações do local da desova. "É gratificante para os alunos e para a gente. As duas turmas estavam aprendendo sobre preservação, então é uma oportunidade para elas associarem o conhecimento. Além disso, as crianças moravam aqui e nunca tinham visto acontecer", afirma a diretora da escola Ana Celi Bezerra.  

Diversos moradores da orla assistiram a caminhada das tartarugas em direção ao mar. Muitos moram há mais de 10 anos nas proximidades, mas nunca presenciaram uma eclosão. É o caso da manauara Cleida Lima, 78, que mora em frente ao local desde 2002 e viu o nascimento das tartarugas pela primeira vez. "Em Manaus, vi tartarugas de água doce nascerem, mas aqui nunca. É muito bacana", comemora a dona de casa. 

Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
O ambientalista Adriano Artoni palestrou sobre a importância da preservação ambiental. - Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
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Ao todo, 94 filhotes nasceram na orla de Olinda. - Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
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Crianças de escola municipal puderam acompanhar a soltura das tartarugas-oliva. - Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
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Espécie é a menor entre aquelas que desovam no litoral pernambucano. - Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
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O caminho até o mar é importante para que os animais marinhos encontrem o caminho para desovar. - Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
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As tartarugas sobreviventes voltam ao mesmo local, depois de décadas, para desovar. - Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

Para Chico Arruda, diretor de proteção ambiental da Secretaria de Meio Ambiente Urbano e Natural da Prefeitura de Olinda, a conscientização de crianças e adolescentes é a chave para  a preservação ambiental. "Temos muito caminho a percorrer. É difícil convencer as pessoas de que precisam cuidar. O caminho mais fácil é através das crianças. Este é um momento único e muito rico para elas, porque podem ficar próximas da realidade, serem protagonistas", argumenta. 

O diretor destacou ainda as frentes de ação sistemática da Prefeitura do Recife relacionadas a preservação: proteção dos ecossistemas e a educação ambiental da população.  

Segundo o Projeto Tamar, existem 800 mil fêmeas em idade reprodutiva em todo mundo, o que torna a espécie Oliva vulnerável; no Brasil, a tartaruga-oliva já está ameaçada de extinção.   

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