Entrevista

Presidente da Adeppe diz que falta gestão para reduzir violência

Segundo Francisco Rodrigues, de 403 delegados mais de 100 estão lotados na SDS

Margarette Andrea
Margarette Andrea
Publicado em 06/07/2016 às 8:35
Alexandre Gondim/JC Imagem
Segundo Francisco Rodrigues, de 403 delegados mais de 100 estão lotados na SDS - FOTO: Alexandre Gondim/JC Imagem
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JC – A SDS veio para unificar as forças de segurança. Isso não funcionou?

FRANCISCO RODRIGUES - Isso nunca funcionou. Primeiro porque são duas forças que não se entendem.

JC – Por que não?

FRANCISCO - Porque fazem trabalhos diferentes, simples assim. Não tem muito a explicar. Como a gente vai colocar duas forças numa sala se uma faz um trabalho diferente da outra? Não tem muito sentido.

JC – Mas um trabalho não é complementar ao outro?

FRANCISCO – Não, não é complementar. Se fosse tinha que haver os dois ao mesmo tempo. E não é o caso. Um tem um trabalho e o outro tem outro. Quando um falha o outro atua. Se a PM (coisa hipotética) fizesse um trabalho de prevenção completa dos crimes, a Polícia civil não atuaria. 

JC – São R$ 3,2 bilhões para a segurança. O senhor acredita que esse dinheiro está sendo mal investido?

FRANCISCO – Quanto maior a estrutura mais dispendiosa ela é. Quanto mais enxuta, mais eficiente. O governo criou vários intermediários para uma área que não precisava de nenhum. A SDS tem logo três secretários. Já começa daí o peso da pasta. Delegados, policiais civis e militares de todas as patentes que poderiam estar fazendo o seu trabalho estão na SDS para atividade meio. 

JC – Fazendo o quê? 

FRANCISCO - A gente tem hoje 403 delegados na ativa. Desses, cerca de cem (um pouco mais) estão fora da delegacia. Corregedoria, inteligência, SDS... Numa conta rápida: são 26 delegados seccionais. Há casos, como os delegados do Espinheiro e Boa Vista em que há um seccional para dois. Um absurdo! No interior faz sentido. Aqui, não.

JC – E fosse uma secretaria de segurança seria diferente?

FRANCISCO – Se a gente tivesse hoje uma Secretaria de Segurança Pública em vez de uma SDS a gente de cara já teria um prédio inteiro a menos pra administrar. Vários cargos, várias viaturas, vários computadores, vários cafezinhos, vários tapetes, vários auxiliares de serviços gerais...

JC – E os resultados do Pacto pela Vida?

FRANCISCO -É outro que tinha uma boa intenção, mas pecou por não implementar uma de suas bases fundamentais que é a valorização do servidor. O Pacto só quer número, número, número.

JC – O que tá faltando pra essa violência diminuir?

FRANCISCO -Tá faltando um melhor direcionamento dos recursos. Tá faltando gestão. Tá faltando parar de se tratar a segurança pública com política. Segurança é assunto técnico.

 

 

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