Assaltos

Moradores colam cartazes para alertar sobre risco de assaltos em rua de Boa Viagem

Cartazes com os dizeres "Atenção: área de assalto" foram colados em placas e muros de prédios da Rua Dhália. Segundo moradores, assaltos têm ocorrido semanalmente, à luz do dia ou à noite

Da editoria de Cidades
Cadastrado por
Da editoria de Cidades
Publicado em 21/07/2016 às 7:30
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Cartazes com os dizeres "Atenção: área de assalto" foram colados em placas e muros de prédios da Rua Dhália. Segundo moradores, assaltos têm ocorrido semanalmente, à luz do dia ou à noite - FOTO: Foto: Guga Matos/JC Imagem
Leitura:

"Atenção: área de assalto". Esta é a mensagem estampada em cartazes colados em placas e muros de prédios ao longo da Rua Dhália, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. A intervenção partiu dos moradores e resume a sensação de insegurança de quem vive na região. Buscando alternativas, eles também criaram um grupo no WhatsApp para trocar informações sobre atividades suspeitas na rua. Os roubos e furtos na via não fazem parte de um cenário isolado. Em Pernambuco, a Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) registrou, nos quatro primeiros meses de 2016, um aumento de 37% nesses tipos de delitos.

Matéria publicada pelo JC em maio, apontava que pequenos roubos e furtos, classificados como crimes contra o patrimônio pela SDS-PE, cresceram em 2016. Na época, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, explicou que 75% desses delitos eram praticados contra pedestres, com frequência para subtrair celulares e cordões.

Após dois meses, a situação na Rua Dhália ainda corrobora a fala do secretário. Segundo moradores, assaltos têm ocorrido semanalmente, à luz do dia ou à noite. Na última sexta-feira, por volta das 14h, o estudante de direito Luiz Felipe Fonseca, 24 anos, morador da rua há seis, teve seus pertences roubados. “Estava com minha mãe e minha namorada no carro quando fui rendido por um assaltante armado. Ele levou nossos celulares e minha carteira”, relembra. Foi do jovem a ideia de criar um grupo no WhatsApp para que os moradores se mantivessem  informados sobre as ocorrências. No grupo eles se articularam e colaram cartazes alertando para o risco de assaltos.

“Queremos melhoria na segurança. Entendemos que o Estado está em crise, mas precisamos fazer algo. Quanto mais pessoas discutirem o tema, melhor”, conta o estudante. Na noite de ontem, houve reunião entre os moradores para outras cobranças ao poder público, como poda de árvores e o reforço na iluminação.

O comércio também é afetado. O salão de beleza em que Priscila Alves, 47, trabalha mudou para outra rua na região após ser assaltado duas vezes no ano passado. “Trabalhávamos sob medo, independente do horário. Era um risco para a gente e para os clientes”, frisa a cabeleireira. “É uma situação assustadora. De um ano e meio para cá, a omissão da polícia é grande”, relata a proprietária de um mercadinho, que preferiu não se identificar.

Segundo o delegado Carlos Couto, titular da Delegacia de Boa Viagem, apesar da situação na Rua Dhália, o índice de assaltos na região não teve aumento significativo em relação ao ano passado. “Os dados de assalto nesta área são praticamente os mesmos do ano passado. Este ano, aumentamos em mais de 300% o número de prisões. Na Rua Dhália, estamos investigando três ocorrências. Um assaltante já foi reconhecido e emitimos o pedido de prisão”, detalha.

De acordo com o delegado, em 2016, mais de 60% dos roubos investigados pela delegacia envolviam a subtração de Smartphones, porém muitas vítimas desse tipo de delito não registram o boletim de ocorrência. “É de extrema importância o registro, pois serve tanto para o monitoramento, como para delimitar as áreas de atuação”, explica.

Em nota, a Polícia Militar informa que o policiamento em Boa Viagem é realizado com Patrulhas do Bairro, motopatrulhamento e policiais do Batalhão de Choque. A nota assegura ainda que o 19º Batalhão intensificará as rondas na Rua Dhália.

APLICATIVOS AGILIZAM AÇÃO DOS BATALHÕES

O uso de aplicativos para alertar sobre a insegurança já é uma realidade para moradores da Zona Norte do Recife. Desde o ano passado, o 11º Batalhão da Polícia Militar organizou diversos grupos no WhatsApp, onde é mantido contato direto com diversos representantes de associações de moradores, comerciantes, colégios e bancos

“A criação dos grupos foi uma iniciativa do próprio batalhão. Implantamos no ano passado e, com a ajuda da população, o resultado tem sido bastante proveitoso. Diminuímos o tempo de resposta das das viaturas nas ocorrências” detalha o comandante do batalhão, tenente coronel Ronaldo Ferreira. 

Segundo o comandante, depois que passaram a receber as informações, o número de ocorrências nos bairros da Zona Norte diminuiu 20%. Hoje, duas viaturas são destacadas especificamente para atender as denúncias que chegam através dos grupos. 

“Também estamos conseguindo capturar mais suspeitos. Chegam muitas denúncias sobre consumo de drogas em praças pública, o que nos faz ter um controle maior em casos de tráfico de drogas”, acrescenta o tenente coronel. 

A estratégia não fica restrita ao mundo virtual. O trabalho é complementado com a realização de reuniões quinzenais com as associações de moradores e representantes de outros segmentos, onde são discutidas soluções para as áreas críticas e a criação de mais grupos de denúncias. 

Últimas notícias