Patrimônio

Igreja de São Pedro volta a celebrar missas no Centro do Recife

O prédio estava fechado desde dezembro de 2012 para obra de restauração. A partir de janeiro de 2018, a Igreja de São Pedro vai cobrar taxa aos visitantes

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 22/12/2017 às 8:08
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A Igreja de São Pedro dos Clérigos, construção do século 18 no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife, será reaberta ao público quarta-feira próxima, 27 de dezembro, com música e missa. Localizado no Pátio de São Pedro, o templo católico, que mistura o rococó religioso com a arquitetura neoclássica, estava fechado para obra de restauração há cinco anos. Uma novidade, a partir de 2018, é a cobrança de taxa aos visitantes no valor de R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia).

“Nosso maior desafio, depois da obra de restauração concluída, é como fazer a manutenção da igreja. O Pátio de São Pedro não tem mais a efervescência cultural de antes. Então, resolvemos cobrar a taxa de visita, como fazem igrejas de Salvador (capital baiana) e de Minas Gerais, para garantir a sustentabilidade da edificação”, justifica padre Rinaldo Pereira, atual reitor da Concatedral de São Pedro dos Clérigos.

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A Igreja de São Pedro dos Clérigos, no Centro do Recife, foi construída de 1729 a 1759, no século 18 - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Arquidiocese de Olinda e Recife propõe o douramento da capela-mor e altares da Igreja de São Pedro - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Altar do Bom Jesus da Agonia e de Nossa Senhora da Conceição da Igreja de São Pedro, no Recife - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Na nave da Igreja de São Pedro há seis altares laterais. Arquidiocese sugere o douramento de todos - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O forro da nave da Igreja de São Pedro dos Clérigos foi pintado por João de Deus Sepúlveda em 1768 - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A atual capela-mor da Igreja de São Pedro é um trabalho de equipe de entalhadores e marceneiros - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Arquitetos, restauradores e religiosos debatem a proposta do douramento na Igreja de São Pedro - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O forro da nave da igreja, de madeira decorada, foi raspado numa obra realizada na década de 1970 - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Talhas e ornatos da igreja foram colocados aos poucos, até o século 19, diz museólogo Fernando Ponce - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Ornatos dourados, precisando de limpeza, são vistos no púlpito da Igreja de São Pedro dos Clérigos - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Os adornos na igreja têm função religiosa e não artística, observa o museólogo Fernando Ponce - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O douramento na igreja é um convite ao mergulho na Jerusalém Celeste (paraíso), diz frei Rinaldo - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Pinturas e douramento em igrejas não são adornos, diz frei Rinaldo Pereira: a função é catequética - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A imagem de São Pedro Papa ocupa o altar principal da capela-mor da igreja, no Pátio de São Pedro - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Arquidiocese informa que douramento nas igrejas não é ostentação, mas símbolo da divindade de Cristo - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O cadeiral da capela-mor da Igreja de São Pedro dos Clérigos é de 1784, segunda metade do século 18 - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A igreja fica no Pátio de São Pedro, Centro do Recife. Conjunto arquitetônico é tombado pelo Iphan - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

 

De 27 de dezembro até a primeira semana de janeiro de 2018 o acesso ao prédio ainda será gratuito, informa padre Rinaldo Pereira. A tarifa entra em vigor na segunda semana de janeiro, exceto nos horários de missas, que voltarão a ser celebradas todas as quartas-feiras, ao meio-dia. Segundo ele, a Igreja de São Pedro abrirá de terça a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos, das 9h às 13h.

A programação festiva da quarta-feira (27/12), para celebrar o retorno das atividades religiosas no prédio, terá início às 18h com apresentação do Quinteto de Cordas da Orquestra Criança Cidadã e continua com o Quarteto Encore, às 18h40. Dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife, presidirá a missa solene, às 19h30.

No período em que esteve fechada, a Igreja de São Pedro foi pintada e passou por intervenções na coberta, paredes, esquadrias, piso e instalações elétricas e hidráulicas. A obra, contratada e fiscalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), custou R$ 3,2 milhões, com recursos do PAC Cidades Históricas.

OBRA DE ARTE

De acordo com a superintendente do Iphan em Pernambuco, Renata Borba, a recuperação artística da igreja (talhas, imagens, pinturas, altar-mor, altares laterais, púlpito), possivelmente, terá início em 2018. “Recebemos o projeto de restauração esta semana e vamos analisar. Se a proposta for aprovada, vamos em busca de verba para a execução pelo programa federal Avançar, que substituiu o PAC”, declara.

A elaboração do projeto foi financiada pela Arquidiocese de Olinda e Recife e a expectativa da igreja é conciliar o trabalho de restauração com as atividades religiosas. “Não queremos fechar novamente o prédio”, afirma padre Rinaldo. A proposta, diz ele, prevê o douramento do altar-mor da Igreja de São Pedro, assunto debatido num seminário promovido pelo Iphan em julho de 2017. O Iphan ainda não decidiu se aprova ou não o douramento das peças.

A obra de restauração artística da igreja, tombada pelo Iphan em 1938, está orçada em R$ 6 milhões, informa padre Rinaldo. Comerciantes do pátio creem que a reabertura do templo levará mais pessoas ao local. “O movimento está péssimo, não temos atrações. Deus queira que voltem as missas e casamentos”, comenta Paulo Roberto Pinheiro do Nascimento, um dos proprietários do restaurante Buraco do Sargento.

Por causa da nova obra, a Igreja de São Pedro não está agendando casamentos para 2018. “Pretendemos marcar em 2019”, diz padre Rinaldo.

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