Patrimônio

Arquidiocese pretende dar uso misto ao Seminário de Olinda

Interditados desde maio de 2015, Seminário de Olinda e Igreja da Graça passarão por obra emergencial a partir de 26 de junho

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 24/06/2018 às 8:08
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Interditados desde maio de 2015, Seminário de Olinda e Igreja da Graça passarão por obra emergencial a partir de 26 de junho - FOTO: Foto: Guga Matos/JC Imagem
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Projeto para ocupação mista do Seminário de Olinda, no Alto da Sé, está sendo avaliado pela Arquidiocese de Olinda e Recife como alternativa para a sustentabilidade do prédio histórico. A ideia seria ocupar a maior parte do imóvel com suas funções de origem – formação de seminaristas – e abrir espaço na edificação para a iniciativa privada. “É uma forma de garantir renda e evitar que daqui a dez anos estejamos passando por esses mesmos problemas”, afirma padre Rinaldo Pereira.

O seminário e sua igreja, dedicada a Nossa Senhora da Graça, foram interditados pela Defesa Civil da cidade desde maio de 2015 por causa de avarias generalizadas. Só agora a arquidiocese conseguiu recursos suficientes para dar início à obra emergencial nos dois imóveis, a partir desta semana. “Temos R$ 1,5 milhão proveniente da Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura) e de doações espontâneas, diz Padre Rinaldo, presidente da Comissão de Cultura da Arquidiocese.

Dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife, assinará a ordem de serviço para autorizar a execução da obra, às 15h de terça-feira (26/06), numa solenidade no prédio do seminário. O dinheiro arrecadado será utilizado na recuperação do telhado da igreja e na reforma da coberta e do assoalho da bedelagem (antiga sala do bedel, inspetor de alunos), uma das dependências do Seminário de Olinda. “São as áreas mais comprometidas, o piso da bedelagem está escorado”, afirma o sacerdote.

REABERTURA

As intervenções serão realizadas em 12 meses, evitarão riscos de desabamento e aumento da degradação dos edifícios, mas não asseguram a reabertura do Seminário de Olinda e da Igreja da Graça, avisa padre Rinaldo. “O piso da igreja estufou e precisamos fazer esse conserto antes de ela voltar a funcionar”, justifica. A arquidiocese continua em busca de parceiros para dar continuidade à obra. “Poderemos reabrir a igreja em 2019 se captarmos mais recursos nesse período de um ano.”

Uma empresa do Rio Grande do Norte, a PS Engenharia Ltda, vai executar a obra, que terá acompanhamento da Arquidiocese de Olinda e Recife e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A Igreja da Graça, uma das construções religiosas mais antigas de Olinda, foi erguida em 1535 a pedido do primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho. A capela de origem passou por reformas com ampliação em 1551, realizadas por padres jesuítas.

O Colégio dos Jesuítas, ao lado da igreja, é construído pela Companhia de Jesus ainda no século 16. No fim do século 18 os dois imóveis são entregues à Diocese de Olinda e a antiga escola passa a funcionar como seminário. A Igreja da Graça tem estilo maneirista, uma transição entre o renascimento (sem registros no Brasil) e o barroco, de acordo com o engenheiro do Iphan-PE, Frederico Almeida. Restaurada na década de 1970, a igreja voltou às características do século 16, perdidas em reformas anteriores.

BELAS ARTES

Sem uso no fim dos anos 1950, o prédio do Seminário de Olinda foi a primeira sede da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fundada em 1959 quando o curso separou-se da Escola de Belas Artes. “Alunos e alunas funcionaram como ajudantes de construção, capinando e transportando tijolos e telhas (até o seminário). Arquitetos e professores cederam pranchetas e bancos dos seus escritórios para ambientar salas de aulas”, recorda o urbanista Zildo Sena Caldas, professor emérito da UFPE.

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