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Serro Azul ajudou a diminuir transtornos de enchente em Barreiros

A barragem foi inaugurada em 2017 e teria ajudado a reduzir os impactos. Outros quatro reservatórios devem ser construídos até 2022

AMANDA RAINHERI E MARGARIDA AZEVEDO
AMANDA RAINHERI E MARGARIDA AZEVEDO
Publicado em 30/05/2019 às 8:00
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Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
FOTO: Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Moradores de Barreiros, na Mata Sul do Estado, foram surpreendidos, na noite da última terça-feira (28), por fortes chuvas. Até as 6h dessa quarta-feira (29), choveu 212 milímetros, 75% do esperado para o mês de maio, de acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). Casas e ruas ficaram alagadas. Segundo a Defesa Civil do município, 376 famílias foram, de alguma forma, prejudicadas pelo grande volume de água. Nenhuma delas ficou desabrigada. Os transtornos, aponta o poder público, só não foram maiores devido à Barragem de Serro Azul, localizada em Palmares, que beneficia vários municípios da Mata Sul, entre eles Barreiros. Ela é única dos cinco reservatórios prometidos pelo Governo do Estado em 2010, após a enchente que castigou a região, a ter as obras concluídas, em 2017. A Secretaria de Infraestrutura e Recursos Hídricos espera conseguir recursos junto à União no próximo mês de julho para retomar a construção da Barragem de Panelas II, em Cupira, paralisada em outubro de 2014, por falta de verba. A expectativa é de que os cinco reservatórios estejam prontos até 2022.

“A barragem segura um grande volume de água. Duzentos milímetros significam uma chuva muito intensa. Parte dessa vazão fica retida. Ainda assim, os alagamentos acontecem porque Barreiros tem localidades muito próximas à áreas ribeirinhas”, argumenta a secretária de Infraestrutura e Recursos Hídricos de Pernambuco, Fernandha Batista. Uma ação preventiva aconteceu em fevereiro, quando o volume alcançou cerca de 50% da capacidade total do reservatório, de 303 milhões de metros cúbicos. As válvulas dispersoras foram abertas, para reduzir 10 metros do nível da barragem, preparando a estrutura para o período chuvoso. “Foi uma operação em conjunto entre Estado e município. Estávamos em 50% e baixamos para 20% da capacidade”, completa a secretária. Ontem o volume era de 53,2 milhões de metros cúbicos de água, cerca de 20% da capacidade máxima.

Coordenador da Defesa Civil do município, Mário Joaquim Galdino também defende a importância da obra. “Serro Azul foi muito importante para Barreiros. A maior enchente que tivemos ocorreu quando ela não existia. Em 2017, ano de outra enchente, o estrago não foi tão grande por causa dessa barragem. Ajudou muito a nossa região. Se fizessem as outras, acredito que não teríamos mais tantos problemas em épocas de chuva.”

Todas as barragens tiveram obras iniciadas. Duas (Panelas II e Gatos) foram paralisadas em 2014 e as outras duas (Barra de Guabiraba e Igarapeba) em 2015. “São obras de grande porte e, por isso, o aporte do Governo Federal é fundamental. Com a crise, houve a paralisação. Fizemos algumas reuniões e temos previsão de liberação de R$ 56 milhões em julho para a conclusão da Barragem de Panelas. As obras seriam retomadas em agosto, com prazo de um ano para conclusão”, explica a secretária. Os recursos federais pendentes somam R$ 320 milhões.

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Choveu em 24 horas cerca de 75% do esperado para o mês - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Choveu em 24 horas cerca de 75% do esperado para o mês - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Cerca de 100 famílias foram afetadas pela chuva em Barreiros - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Cerca de 100 famílias foram afetadas pela chuva em Barreiros - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

TRANSTORNOS

Seis bairros foram mais afetados pelas chuvas da madrugada de ontem: Santa Gorete, Itaperibu, Prainha de Cima, Lotes, Colinas Douradas e Massa Falida. A dona de casa Amara Rosângela da Silva, 41 anos, amanheceu o dia tendo que limpar a casa onde reside com os pais, dois filhos e um neto, às margens de um córrego que deságua no Rio Una, no bairro Santa Gorete. “Não sei quando esse sofrimento vai acabar. Acordamos por volta das 2h com a água entrando em casa. Minha filha está grávida, ficou assustada. Perdemos cômoda, guarda roupa, sofá. Até documentos ficaram estragados”, lamentou. Sem água encanada, ela e outros parentes passaram a manhã carregando baldes para limpar a sujeira deixada pela enchente.

Vizinha dela, Jacélia Maria da Conceição, 35, relembrou o susto que tomou na madrugada. “Tenho cinco filhos pequenos. O mais novo está com cinco meses e o mais velho tem 13 anos. Foi muita lama dentro de casa. Até apareceram duas cobras. Infelizmente não temos para onde ir, o jeito é continuar aqui.” Ela contou que não deu tempo de salvar muita coisa. “Minha preocupação era proteger as crianças. A feira que tínhamos foi perdida. Até as roupas deles o rio levou”, afirmou Jácelia.

Rosemere Maria Cavalcanti, 38, colocou os pertences, entre móveis e utensílios domésticos, na frente do imóvel onde reside há sete anos, também no bairro Santa Gorete, com uma filha adolescente. “Saí de casa por volta das 2h30 para viajar para o Recife. Fui visitar um filho. Estava chovendo muito. Voltei antes porque telefonaram dizendo que estava tudo cheio de água”, comentou.

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