VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Instituto Maria da Penha é inaugurado nesta quinta-feira (5), no Recife

Unidade oferece orientação jurídica, psicológica e atendimento piscossocial, além de cursos de qualificação profissional para vítimas de violência conjugal

Da editoria de Cidades
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Publicado em 05/09/2019 às 8:13
Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
Unidade oferece orientação jurídica, psicológica e atendimento piscossocial, além de cursos de qualificação profissional para vítimas de violência conjugal - FOTO: Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
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O Instituto Maria da Penha (IMP), fundado há dez anos em Fortaleza (CE) para dar apoio e orientação a mulheres vítimas de violência, inaugura às 14h30 desta quinta-feira (5) um escritório no Centro do Recife. O braço pernambucano da entidade ocupará o segundo andar do prédio da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação do Estado, na Avenida Marquês de Olinda, 150, no Bairro do Recife. E vai ajudar mulheres agredidas a encontrar emprego e renda.

“Se conseguirmos que as mulheres vítimas de violência nos procurem, isso já é muito importante”, declara Maria da Penha Fernandes, presidente do instituto, em entrevista coletiva na tarde da última quarta-feira, 4. Ela avisa à população que a unidade recifense do IMP vai oferecer orientação jurídica, orientação psicológica e atendimento piscossocial, além de cursos de qualificação profissional.

A meta é receber de 20 a 30 mulheres com medidas protetivas expedidas pela Justiça, no ano passado, para iniciar atividades de qualificação, diz Regina Célia Barbosa, cofundadora do IMP. “Atuamos no Recife há dez anos com formação de voluntários, numa ação itinerante realizada em faculdades, agora temos esse espaço físico com quatro salas na Secretaria do Trabalho”, destaca.

De acordo com o secretário do Trabalho, Alberes Lopes, os cursos serão gratuitos. “Vamos contratar empresas como Senac e Senai para dar a formação, elas terão oportunidade de ingressar no mercado de trabalho como empreendedoras ou com carteira assinada”, afirma. Os cursos serão montados a partir da demanda e o escritório funcionará de segunda a sexta-feira.

“Qualquer pessoa da sociedade pode se envolver nessa missão de saber como ajudar uma mulher ameaçada, ela pode pedir orientação ao instituto”, afirma Maria da Penha. Vítima de violência doméstica, ela inspirou a criação da lei que leva seu nome. “Teremos um Brasil melhor se o governo federal favorecer as mulheres com políticas públicas que atendam a Lei Maria da Penha”, observa.

INTEGRAÇÃO

A deputada estadual Gleide Ângelo acrescenta que o escritório do IMP no Recife funcionará de forma integrada com outros serviços. “A porta de entrada é a delegacia, onde a mulher vai prestar queixa, mas não adianta só prender o agressor, é preciso combater a causa”, ressalta. “Em seguida, ela terá um parecer psicossocial do Centro Clarice Lispector, vinculado à Secretaria da Mulher do Recife; passará pelo IMP e por fim chegará à qualificação e a uma fonte de renda, com estabilidade emocional e financeira”, explica Gleide Ângelo.

Durante a entrevista, o Instituto Vasselo Goldoni (SP), parceiro do IMP, lançou a pesquisa A Violência contra mulher sob perspectiva do mundo corporativo, que pretende mapear as iniciativas de mais de 10 mil empresas do País no combate a agressões que vitimam o sexo feminino. As firmas selecionadas terão 30 dias, a partir desta quinta, para responder ao questionário. “Queremos apresentar o resultado no fim de outubro deste ano”, diz Edna Vasselo Goldoni, fundadora do instituto.

Com a pesquisa é possível identificar se a empresa tem canal para denúncias de violência, se usa aplicativos, se tem ouvidoria, detalha Edna Vasselo. Ela acrescenta que o projeto com o IMP contempla parcerias com empresários para a contratação de vítimas após curso de qualificação. “Um deles, que divulgaremos depois, vai empregar cinco mulheres.”

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