Protesto

Caminhada em Boa Viagem pede o fim da violência contra as mulheres

Em Pernambuco, movimento contou com o apoio do Ministério Público (MPPE), do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-PE), da Prefeitura do Recife, do Governo do Estado, entre outras entidades

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 08/12/2019 às 14:25
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Foto: Renata Monteiro/ JC
Em Pernambuco, movimento contou com o apoio do Ministério Público (MPPE), do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-PE), da Prefeitura do Recife, do Governo do Estado, entre outras entidades - FOTO: Foto: Renata Monteiro/ JC
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A manhã deste domingo (8) foi marcada pelo combate à violência contra a mulher no Recife. Às 9h, centenas de pessoas reuniram-se no Segundo Jardim da Avenida Boa Viagem e, por volta das 10h, saíram em caminhada pela causa. Uma frevioca acompanhou toda a passeata, animada pelos frevos da cantora Nena Queiroga.

A Caminhada pelo Fim da Violência contra as Mulheres foi organizada pelo Grupo Mulheres do Brasil e, em Pernambuco, contou com o apoio do Ministério Público (MPPE), do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-PE), da Prefeitura do Recife, do Governo do Estado, entre outras entidades. No Brasil e em outras partes do mundo, outras 30 cidades realizaram atos semelhantes. A iniciativa faz parte dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, uma campanha global que envolve a sociedade civil, além de instituições públicas e privadas no combate aos abusos cometidos contra mulheres.

>> Leia o especial #UmaPorUma

"A educação começa em casa, não tem jeito. E a educação para a violência também começa em casa. Se o casal não se dá bem, tem que se separar. O vizinho tem que apoiar, mas o menino não pode ver o pai batendo na mãe, porque ele cresce acreditando que pode bater em outros meninos, na namorada, na irmã ou na professora. A menina que vê a mãe apanhando e depois indo para o quarto com o pai não entende que essa mãe está indo forçada. Ela vai achar que alguém pode bater nela, depois abusar dela no quarto. (...) Toda a violência que a gente quer que termine, acaba quando a violência contra a mulher chega ao fim”, afirmou uma das líderes do Grupo Mulheres do Brasil, Rose Guareschi.

Secretária da Mulher de Pernambuco, Sílvia Cordeiro listou ações desenvolvidas pelo governo estadual para auxiliar mulheres vítimas de violência e evitar feminicídios. “O Estado conseguiu universalizar em todos os 184 municípios pernambucanos um organismo de políticas públicas para a mulher. Em cada região há uma rede articulada para proteger as mulheres. Esse mês de novembro não tivemos nenhum registro de feminicídio. Isso é um indicador. Das mil mulheres protegidas pela de rede de abrigamentos de mulheres em risco de morte, nenhuma virou feminicídio”, relatou. A auxiliar do governador Paulo Câmara (PSB) lembrou, ainda, que iniciativas como a caminhada de hoje são de fundamental importância para a redução da violência de gênero, mas fez questão de ressaltar que esses movimentos têm um objetivo maior, que é o fim do machismo.

#UmaPorUma

A violência contra a mulher é constante e frequentemente acaba em tragédia. Existe uma história para contar por trás de cada feminicídio em Pernambuco. O especial #UmaPorUma contou todas. Em 2018, o projeto mapeou onde as mataram e as motivações dos crimes. Além disso, acompanhou as investigações e cobrou a punição dos culpados. Um banco de dados virtual, com os perfis de vítimas e agressores, além dos trágicos relatos que extrapolam a fotografia da cena do crime. Nesse especial, há a dor que não vai passar, mas que gera – precisa gerar – reação, cobrança, enfrentamento para ajudar a prevenir e, principalmente, salvar vidas.

Ligue 180

Se você, mulher, for vítima de agressão, denuncie. Ligue para o número 180. A ligação gratuita e confidencial, esse canal de denúncia funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, no Brasil e em outros 16 (dezesseis) países: Argentina, Bélgica, Espanha, EUA (São Francisco e Boston), França, Guiana Francesa, Holanda, Inglaterra, Itália, Luxemburgo, Noruega, Paraguai, Portugal, Suíça, Uruguai e Venezuela.

Além de registrar denúncias de violações contra mulheres, encaminhá-las aos órgãos competentes e realizar seu monitoramento, o Ligue 180 também dissemina informações sobre direitos da mulher, amparo legal e a rede de atendimento e acolhimento.

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