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Rapaz morto em festa na Zona Sul do Recife é sepultado em Igarassu

William da Silva Melo, 19 anos, foi morto com um tiro no peito

Carolina Fonsêca
Carolina Fonsêca
Publicado em 14/01/2020 às 12:58
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Foto: Bruno Campos/JC Imagem
William da Silva Melo, 19 anos, foi morto com um tiro no peito - FOTO: Foto: Bruno Campos/JC Imagem
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O corpo de William da Silva Melo, o jovem de 19 anos morto em uma festa, no bairro do UR-1, no Ibura, Zona Sul do Recife, no último domingo (12), foi sepultado na manhã desta terça-feira (14), em Igarassu, no Grande Recife, sob forte comoção. Segundo testemunhas, o tiro que atingiu o rapaz no peito foi disparado por um policial, durante uma ação na festa em que ele estava. A Polícia Militar nega. 

Inconformados com a morte do rapaz, parentes e amigos dele relembraram últimos momentos com William. “A gente passou o dia todo na piscina, curtindo, se divertindo. Ele disse para mim que ia dormir, eu falei com ele, dei tchau e ele disse que ia para casa. Depois já chegou a notícia que ele estava no UR-1, que estava rolando uma festa, não foi um baile funk, foi uma festa, uma gravação de um clipe que estava rolando lá e por isso juntou aquela multidão. A polícia já chegou atirando, sem querer saber de ninguém, com bala de borracha, bomba de gás, com tudo. Quem chegou com tumulto lá realmente foi a polícia”, contou Jairiz Gomes, mãe do jovem. 

Wendel da Silva Melo, irmão de William, afirmou também que os policiais tentaram impedir o socorro do jovem. “Meu irmão foi tentar separar para a polícia não bater no rapaz e a polícia começou a atirar. Se abaixou e deu um tiro, que pegou nele”, disse. “A turma foi tentar levar ele para o hospital e a polícia não deixou. Não deixou de jeito nenhum. Não sei explicar porque eu não estava no momento, mas não deixaram levar. Depois, quando foram levar ele, já estava sem vida”, acrescentou. 

Amparada a todo momento pela família, a mãe de William espera uma resposta das autoridades. “Justiça. Foi uma bala de um policial, todo mundo comenta, então eu quero justiça porque meu filho levou um tiro, os policiais não socorreram, não deixaram os amigos ao redor socorrerem ele”, afirmou.

Nota da Polícia Militar 

As versões apresentadas pelas testemunhas e pela Polícia Militar são divergentes. Em nota, a PM de Pernambuco deu seu relato do caso. Confira: 

A Polícia Militar informa que, segundo apuração inicial feita junto à equipe de policiais deslocada para a ocorrência, e que não estava presente, no momento da confusão que vitimou um homem, no domingo, no Ibura. O efetivo, integrante do 19º BPM, participava, no bairro, da Operação Bar Seguro (que envolve a PM, Bombeiros e órgãos municipais), quando recebeu denúncia de que estava havendo uma briga, possivelmente, entre grupos rivais no local. Foi feito o deslocamento, mas os policiais encontraram a vítima já baleada, dentro de um carro particular que lhe prestava socorro. A viatura fez o acompanhamento em apoio para agilizar a transferência do rapaz para a Policlínica do bairro, enquanto outros militares permaneceram no local do crime aguardando a chegada da Polícia Civil, que ficará responsável pela investigação do caso, identificando as circunstâncias e a autoria do crime. Além de prematura, é irresponsável qualquer suposição ou acusação de autoria do disparo ou omissão de socorro, e inverídica qualquer semelhança com a situação apontada num fato, no Estado de São Paulo, onde temos na região em tela (Ibura e Cohab) redução de 43 % de CVLI (comparativo do ano de 2019 em relação ao ano de 2018 ), como também redução de 22% de CVP, no mesmo período.

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