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Prepare-se para a abertura do Carnaval do Recife 2020. É nesta sexta!

A festa de abertura do Carnaval será na Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, a partir das 19h

JC Online
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Publicado em 20/02/2020 às 18:38
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Filipe Jordão/JC Imagem
FOTO: Filipe Jordão/JC Imagem
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Caríssimos leitores, certamente vocês marcaram na agenda a data de abertura oficial do Carnaval do Recife 2020. Mas como não me custa nada, estou passando para lembrar que a festa é nesta sexta-feira (21/02), a partir das 19h, na Praça do Marco Zero, aquela janela que se debruça sobre o estuário do Rio Capibaribe, no Centro da cidade. Pois bem, sabe quem espera por vocês nesse cenário? O multiartista Antonio Nóbrega, o Bloco das Flores, o maestro Edson Rodrigues, o cantor e compositor Getúlio Cavalcanti, o intrépido Maestro Forró e a Banda Musa.

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Lâmpadas de LED darão ao Marco Zero, no Bairro do Recife, a aparência de um circo, para ninguém esquecer o tema do Carnaval 2020 da cidade: A criança, o circo e a cultura popular. É nessa tenda, respeitável público, que Antonio Nóbrega vai apresentar o espetáculo de abertura da festa, que passeia do lírico ao político, como ele mesmo define. Um dos destaques é um jogo de malabares com sombrinhas de frevo, conduzido por Rosane Almeida, diz o artista. Mas preste atenção ao figurino dos bailarinos no palco.

 Espetáculo do lírico ao político, diz Nóbrega. Foto: PCR/Cortesia

A vestimenta foi inspirada nos trabalhos produzidas pelo artista sergipano Arthur Bispo do Rosário, falecido em 1989, e pelo carnavalesco maranhense Joãosinho Trinta, que apresentou o seu mais famoso desfile em 1989 (olha a coincidência das datas) no Carnaval carioca. “Bispo do Rosário tinha problemas mentais, foi confinado numa colônia psiquiátrica no Rio de Janeiro (por 50 anos) e fez obras de arte interessantíssimas com sucata, materiais que iriam para o lixo”, diz Antonio Nóbrega, citando peças como estandartes, navios, mantos e bordados.

Para quem não sabe, Joãosinho Trinta (1933-2011) causou polêmica ao levar para a Sapucaí uma alegoria do Cristo Redentor cercado por pedintes e escancarou para a plateia a desigualdade social do País, com a Escola Beija-Flor de Nilópolis. “Essas duas referências alinham a natureza do espetáculo, que tem uma conotação bastante social e uma voz atual, remetendo à vida social e política brasileira no momento”, declara Antônio Nóbrega. “A riqueza da coisa pobre é a principal marca de Bispo do Rosário.”

Antonio Nóbrega e o Grupo Matulão de Dança ficarão uma hora no palco num espetáculo com canções originais, criadas especialmente para a festa pelo multiartista em parceria com o médico e amigo Wilson Freire. Composições mais antigas e outras do último álbum lançado pelo artista (Rima) completam o repertório do show, com 20 bailarinos e dez músicos.

Homenageados do Carnaval do Recife 2020

O grupo sairá de cena e abre espaço para o Bloco das Flores e o maestro Edson Rodrigues – os dois homenageados do Carnaval 2020 do Recife – com seus convidados, a partir das 21h. Fundado em 1920, bloco lírico comemorou 100 anos em janeiro de 2020 e subirá ao palco com 50 mulheres vestidas com roupas na cor salmão salpicadas de borboletas, flores e beija-flores, 17 homens, 12 crianças e 20 músicos que tocam instrumentos de pau e corda.

 Bloco das Flores. Foto: Leo Motta/JC Imagem

“Blocos líricos trazem poesia e beleza para o Carnaval, o Bloco das Flores é o mais antigo de Pernambuco e foi o primeiro a abrir espaço para mulheres desfilarem e brincarem”, comenta a flabelista da agremiação, Jaci Lins. É costume das pastoras borrifar perfume nos foliões e distribuir flores e bombons. Aceitem o mimo.

E aproveitem a festa no clima de paz e amor, diz, com a experiência de muitos carnavais, o maestro Edson Rodrigues. “Carnaval é uma festa de alegria, não precisamos de violência. Vou levar muita música para o palco, com muito boa vontade”, avisa o maestro. Ele convidou para a festa os cantores Almir Rouche, Rosana Simpson, J. Michiles e Banda Som da Terra.

A professora aposentada Tereza Souza, 54 anos, tem um cantinho cativo no Marco Zero, nesta sexta-feira à noite. “Venho sempre, na verdade comecei mesmo a prestigiar quando o percussionista Naná Vasconcelos (1944-2016) reuniu na praça os batuqueiros de maracatu. É um espetáculo belíssimo e virou símbolo da abertura do nosso Carnaval. Como a prefeitura botou o encontro de maracatus na quinta-feira (20/02), para mim o Recife tem duas festas de abertura do Carnaval e eu brinco nas duas”, declara.

 Afoxés e encontro de maracatus abrem alas para o Carnaval do Recife

O Recife se despediu das prévias carnavalescas, nesta quinta-feira (18), e abriu alas para a festa oficial ao som de afoxés e maracatus. Com a cerimônia Ubuntu – Uma Consagração ao Povo Negro, integrantes de 26 agremiações de afoxé pediram proteção para o Carnaval e fizeram uma lavagem simbólica do Marco Zero. Em seguida, 13 nações de maracatu participaram do encontro apoteótico chamado Tumaraca.

Babalorixás e ialorixás prepararam o Amaci/Omi Eró (água de cheiro) e saíram em cortejo pelo Bairro do Recife. O líquido foi derramado sobre o chão do Marco Zero. "É uma celebração dos afoxés de Pernambuco, que se unem buscando a paz, buscando a harmoniza, trazendo saúde e prosperidade para todos os foliões. Com a água de cheiro, vamos purificando, trazendo coisas boas, abrindo o espaço para que todos possam brincar com muita segurança e paz", explicou Chacon Viana, coordenador do encontro Ubuntu.

Para a cozinheira Fabiane Maria do Nascimento, 35 anos, do Afoxé Omolu Pakeru Awo, a noite foi de reverência ao povo negro. "O ubuntu é uma consagração ao povo negro. E um prazer imenso fazer parte desse grande evento. Eu desejo que todos brinquem na paz, o mundo está precisando de muito amor. Que os orixás protejam todos", disse.

Encontro de maracatus

Por muitos anos, o tradicional encontro de maracatus teve à frente um dos maiores nomes da cultura pernambucana: Naná Vasconcelos. “Antes dele, não existia nenhum encontro de maracatu. Foi com a chegada de Naná que batalhamos nosso espaço e conseguimos criar uma associação”, contou o presidente da Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco (Amanpe), Fábio Sotero. O músico recifense reconhecido internacionalmente como o maior percussionista do mundo faleceu em 2016 e ganhou uma estátua no Marco Zero. 

Desde 2018, as 13 nações de baque virado e cerca de 700 batuqueiros que compõem o Tumaraca se apresentam no dia que antecede a abertura do Carnaval do Recife. No palco, nesta quinta-feira (20), os mestres fizeram uma autorregência com participações do Coral Voz Nagô, Marrom Brasileiro e Coco Raízes de Arcoverde.

Abertura do Carnaval 2020 de Olinda

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Abertura do Carnaval 2020 de Olinda aconteceu nesta quinta-feira (20) - Filipe Jordão/JC Imagem
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O Homem da Meia-Noite comandou cortejo de frevo em Olinda - Filipe Jordão/JC Imagem
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O calunga mais amado animou os foliões ao som de muito frevo nesta quinta-feira (20) - Filipe Jordão/JC Imagem
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O palco foi montado na Praça do Carmo - Filipe Jordão/JC Imagem
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A programação da abertura do Carnaval teve início às 18h30 - Filipe Jordão/JC Imagem
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- Filipe Jordão/JC Imagem
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Frevo tomou conta da Praça do Carmo - Filipe Jordão/JC Imagem
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Show de Marrom Brasileiro na abertura do Carnaval de Olinda - Fábio Costa/JC Imagem
Frevo no palco, na abertura do Carnaval de Olinda -
Show de Marrom Brasileiro na abertura do Carnaval de Olinda -

Oficialmente, já é Carnaval em Olinda! Com o tema “O Carnaval de Olinda é coisa de outro mundo”, a cidade deu boas-vindas aos festejos de Momo na noite desta quinta-feira (20). Para começar a festa, o Homem da Meia-Noite, o calunga mais amado, comandou um cortejo de frevo, saindo da prefeitura e passando pela Pitombeiras, até chegar à Praça do Carmo, onde está montado o palco.

O grupo A Cocada, movimento cultural que nasceu no bairro do Amaro Branco e ganhou o mundo, subiu ao palco às 19h30. Por volta das 20h30, foi a vez da Orquestra de Frevo Henrique Dias, acompanhada de convidados como Karina Buhr, Fábio Trummer, Flaira Ferro e Urêa. Às 22h, subiu ao palo o cantor Marrom Brasileiro. Quem encerrou a festa foi o bicho maluco beleza, Alceu Valença. Faz mais de dez anos que o artista, morador dos Quatro Cantos, comanda o último show da noite de abertura da festa em Olinda.

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