INICIATIVA PRIVADA

Governo autoriza estudo que abre caminho para concessão do Metrô do Recife

Governo Federal já incluiu a CBTU no Programa de Desestatização. Para que o processo seja concluído, metrô do Recife deve passar a ser gerido pelo Estado, que deve transformá-lo em concessão pública

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 05/12/2019 às 11:26
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Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Governo Federal já incluiu a CBTU no Programa de Desestatização. Para que o processo seja concluído, metrô do Recife deve passar a ser gerido pelo Estado, que deve transformá-lo em concessão pública - FOTO: Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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O governo autorizou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a contratar estudos para estruturação da concessão do serviço de transporte ferroviário de passageiros na Região Metropolitana do Recife e em outras quatro cidades atendidas pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e no metrô da capital gaúcha, gerido pela Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb).

A resolução, publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 5, prevê a contratação dos estudos no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Esta é mais uma etapa do caminho para a concessão do serviço à iniciativa privada. A CBTU atua em cinco sistemas de trens urbanos no Recife, em Belo Horizonte, em João Pessoa, em Natal e em Maceió.

Confira a série de reportagens: Metrôs – Uma conta que não fecha

Desestatização

Em setembro, o governo federal incluiu a CBTU e a Trensurb no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e no Programa Nacional de Desestatização (PND), atendendo a recomendações do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI).

No dia 26 de novembro, na Estação Recife, o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) e integrantes do Comitê Estadual em Defesa do Metrô realizaram protesto contra a privatização do metrô, com o objetivo de divulgar para a população os pontos negativos da privatização do serviço.

De acordo com o Blog MoveCidade, para que o processo de desestatização seja concluído, o metrô do Recife deve passar a ser gerido pelo governo do Estado. A partir daí, o governo de Pernambuco deverá transformá-lo numa concessão pública. A estadualização é prevista na Lei Federal 8.693, de 3 de agosto de 1993, que descentralizou os serviços de transporte ferroviário coletivo de passageiros, urbano e suburbano, da União para os Estados e municípios, conforme evidenciou o Blog.

Concessão

As concessões de metrôs para a iniciativa privada ganharam força como solução de ampliação e qualificação da malha sob trilhos do País. O governo federal diz não haver recursos para gerir o transporte sobre trilhos e, com as Parcerias Público-Privadas (PPPs), os governos conseguem recursos necessários e podem diluir o pagamento em algumas décadas, ganhando fôlego financeiro para qualificar os sistemas e, assim, ampliar a demanda de passageiros.

Segundo o Blog MoveCidade, o transporte de passageiros sobre trilhos transportou, em 2018, 10,9 milhões de pessoas ao dia e um total de 3,7 bilhões de passageiros ao ano. O País tem 15 operadores, que administram 22 sistemas, sendo apenas sete em regime de operação privada.

Aumento de passagens

Em 3 dezembro, a passagem do metrô do Recife foi reajustada para R$ 3,40. A nova tarifa estava prevista dentro dos aumentos escalonados, que acontecem até março do ano que vem, quando o bilhete passará a custar R$ 4. Desde maio deste ano a passagem vem ficando mais cara. Os próximos reajustes estão previstos para o dia 5 de janeiro 2020, quando o valor chegará a R$ 3,70 e 7 de março de 2020. 

Os aumentos foram autorizados pela Justiça. Até o mês de maio, o passageiro pagava R$ 1,60 para ingressar nas estações do metrô do Recife. Com o reajuste, passou a custar R$ 2,10 e, em julho, subiu para R$ 2,60. Em setembro, um novo reajuste elevou os bilhetes para R$ 3.

Problemas neste ano

Em fevereiro deste ano, no dia 20, um metrô do linha Sul apresentou falha mecânica e parou entre as estações Porta Larga e Aeroporto. Alguns passageiros se arriscaram e caminharam sobre os trilhos. Já no dia 22 do mesmo mês, um dos vagões sofreu uma pane elétrica, nas imediações da estação Joana Bezerra, na linha Centro, causando tumulto entre os usuários, que, mais uma vez, desceram das composições e andaram pelos trilhos. O problema aconteceu durante a manhã e só foi normalizado à tarde.

Em março, os trens da linha Sul pararam de funcionar, afetando 12 estações. O que ocasionou a paralisação do metrô foi um problema na rede aérea, que só foi resolvido dois dias depois. Durante o período, os passageiros ficaram sem a linha. No início de abril, no dia 4, uma queda no sistema de energia que alimenta os trens causou a interrupção do transporte por 30 minutos. Os usuários, mais uma vez, desceram dos trens. A falha afetou algumas estações da linha Centro. Já no dia 25 do mesmo mês, um problema nos trilhos causou atraso nas viagens, o que deixou as plataformas lotadas.

No mês de julho, a linha Centro do metrô passou quatro dias sem operar e todas as estações ficaram fechadas. Isto porque os equipamentos da rede aérea, sistema de energia que alimenta a circulação dos trens, estavam danificados entre as estações Mangueira e Ipiranga. No dia 22 de agosto, a linha Sul passou quatro horas paralisada. Um trem apresentou falha na alimentação de energia e parou entre as estações Tancredo Neves e Shopping. Quatro dias depois, um problema elétrico próximo à estação Coqueiral paralisou o ramal Camaragibe da linha Centro, só voltando a funcionar no dia seguinte.

No dia 5 de setembro, o trecho entre as estações Camaragibe e Coqueiral, na linha Centro, teve o serviço paralisado. Isto ocorreu devido a um problema na rede aérea. A falha afetou as estações Cosme e Damião, Rodoviária, Curado e Alto do Céu. O trecho só voltou a funcionar no dia seguinte.

No dia 7 de novembro, os passageiros da linha Centro do metrô do Recife amanheceram sem o transporte nesta quinta-feira (7), devido ao rompimento de um cabo de alimentação de energia na estação Joana Bezerra.

Linhas Centro e Sul

A linha Centro é composta por 17 estações e dois ramais: Camaragibe e Jaboatão. A linha transporta, diariamente, 250 mil passageiros. As estações são: Afogados, Ipiranga, Mangueira, Santa Luzia, Werneck, Barro, Tejipió, Coqueiral, Alto do Céu, Curado, Rodoviária, Camaragibe, Cavaleiro, Floriano, Engenho Velho, Jaboatão e Cosme e Damião.

A linha Sul do metrô possui 10 estações, transportando 120 mil pessoas. As estações são: Largo da Paz, Imbiribeira, Antônio Falcão, Shopping, Tancredo Neves, Aeroporto, Porta Larga, Monte dos Guararapes, Prazeres e Cajueiro Seco. As estações Recife e Joana Bezerra fazem parte das duas linhas.

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