Chacina

São José da Coroa Grande enfrenta escalada da violência

Tráfico de drogas estimula matança no município, que em três dias registrou oito assassinatos

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 17/02/2018 às 15:39
Foto: Suelen Brainer/Especial para o JC
Tráfico de drogas estimula matança no município, que em três dias registrou oito assassinatos - Foto: Suelen Brainer/Especial para o JC
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Destino turístico do Litoral Sul de Pernambuco, São José da Coroa Grande entrou para o ranking dos municípios mais violentos do Estado. A escalada no número de homicídios começou em 2009 (com nove vítimas) e foi se agravando até alcançar o recorde de 41 homicídios no ano passado. Os dados de 2017, divulgados pela Secretaria de Defesa Social (SDS), mostram um crescimento de 127% na taxa de homicídios, na comparação com o ano anterior, que fechou com 18 mortes. Segundo a polícia, o aumento da violência na cidade está associado ao avanço do tráfico de drogas e à disputa de gangues por esses territórios.

O triplo homicídio que aconteceu na última quinta-feira (15) e o quíntuplo homicídio na manhã deste sábado (17) inflam as estatísticas de uma realidade que vem aterrorizando a pequena população de 20,9 mil habitantes de São José da Coroa Grande. O “banho de sangue” deste sábado acendeu o alerta para a necessidade de o governo do Estado atentar para a escalada da violência no Litoral Sul. O secretário-executivo de Defesa Social de Pernambuco, Humberto Freire, se reuniu neste sábado com o prefeito da cidade Jaziel Gonsalves Lages (Pel) para discutir estratégias de segurança para a região.

A determinação do governador Paulo Câmara à SDS foi de empenho para “elucidar o caso, prender os envolvidos e garantir a tranqüilidade e a ordem à população”. Pelas ruas da cidade, o clima é de medo e insegurança. As pessoas estão recolhidas e com receio de falar sobre o que viram.

TRÁFICO

A delegada Érica Bezerra, que responde pelo inquérito do triplo e do quíntuplo homicídio, afirma que a suspeita é de que a chacina deste sábado (17) seja uma represália às execuções realizadas na última quinta (15). “Há uma disputa pelo território do tráfico de drogas na região entre grupos de São José da Coroa Grande e do município vizinho de Barreiros”, diz. Também chamou atenção da polícia o número de disparos e o calibre das armas (380, ponto quarenta e 38). Nos locais onde aconteceram as execuções do quíntuplo homicídio foram encontradas 70 cápsulas de armas de fogo.

Das cinco pessoas assassinadas, nenhuma identificada formalmente até agora, uma era uma adolescente de 12 anos e os outros homens com idades de 16, 19, 20 e 35 anos. A garota e dois rapazes foram assassinados dentro de uma residência e os outros dois foram abordados na rua. De acordo com a perícia, pela posição que os dois jovens caíram, houve uma tentativa de proteger a menina. Os corpos foram encaminhados para o Instituto de Medicina Legal (IML) como indigentes até que as famílias apareçam a façam a identificação.

A proximidade com Alagoas é outro vetor de acesso ao tráfico de drogas. São José da Coroa Grande faz divisa com o Estado vizinho e também está próximo de Maragogi, balneário alagoano que também sofre com a violência e o tráfico. Em São José, os bairros mais afetados pela presença dos traficantes são Costa do Sol, Ilha Verde e Jagatá.

Se em janeiro o governo de Pernambuco comemorou uma redução de 25% no número de homicídios durante o Carnaval e de 6,6% no mês de janeiro sobre igual período de 2017 (de 480 para 448), a chacina em São José da Coroa Grande demonstra que ainda há muito com o que se preocupar. No ano passado, o Estado registrou recorde de 5.427 homicídios, apresentando crescimento de 21% sobre 2016.

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