Crime

Imagens de cartazes com apologia ao nazismo no Recife viralizam na web

De acordo com membros do grupo skinhead 'Carecas do Brasil', os responsáveis pelo crime são ex-integrantes que foram expulsos por comportamento nazista

Jennifer Thalis
Jennifer Thalis
Publicado em 22/06/2018 às 21:21
Foto: Reprodução
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Imagens em que cartazes com conotação nazista e preconceituosa aparecem colados em postes da região central do Recife viralizaram na última semana nas redes sociais.

De acordo com Thales Mota, integrante do movimento skinhead 'Carecas do Brasil Pernambuco' (CBPE), entre os responsáveis por colar os cartazes nazistas nas ruas estão dois ex-integrantes do movimento. Eles teriam entrado no grupo skinhead em meados de setembro de 2017, sendo expulsos cerca de três meses depois por manifestarem opiniões nazistas, o que, segundo Thales, destoa do movimento, apesar de reconhecer a existência de um estigma nazista e racista sobre os grupos skinhead.

Sobre um dos rapazes, identificado como Gabriel, Thales pontua: "ele um ex-membro expulso por atividade e apologia explícita ao nazismo. Nós, do CBPE, repudiamos integralmente a ação desses indivíduos". Ainda segundo ele, Gabriel teria tatuado no peito a Totenkopf, símbolo de umas das divisões militares nazistas.

Após a expulsão dos dois membros, eles e quatro outros simpatizantes da ideologia nazista se reuniram e formaram um grupo neonazista no Recife.

Cartazes criminosos

Uma das imagens mais chocantes mostra a tentativa do grupo de intimidar a comunidade judaica. Nela, é possível ver um cartaz com os dizeres "Hitler tinha razão" colado em cima da placa de identificação da Sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira sinagoga das Américas, localizada na Rua Bom Jesus, no bairro do Recife.

Em outra imagem, um rapaz, identificado pelos integrante do CBPE como sendo Gabriel, aparece fazendo a saudação nazista com o símbolo da Totenkopf sobre seu rosto. Na foto do perfil do Facebook do rapaz, é possível ver ele posando ao lado de um cartaz com os dizeres “Se seu pai fosse gay você não teria nascido” e “Zona anti-antifa”. Após a viralização dos cartazes nas redes sociais, o que gerou revolta em muitos usuários, o rapaz excluiu as imagens de seu perfil.

Outros cartazes de caráter preconceituoso, intimidador e racista também foram colados nas ruas.

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Foto: Reprodução
O artigo 20 da lei 7.716/1989 prevê até três anos de reclusão para quem praticar discriminação - Foto: Reprodução
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O artigo 20 da lei 7.716/1989 prevê até três anos de reclusão para quem praticar discriminação - Foto: Reprodução
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O artigo 20 da lei 7.716/1989 prevê até três anos de reclusão para quem praticar discriminação - Foto: Reprodução

Crime e punição

De acordo com o artigo 20 da lei 7.716/1989, “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” configura crime com pena de reclusão de um a três anos e multa. Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo, também configura crime, com reclusão de dois a cinco anos e multa.

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