Entrevista

Pedro Eurico descarta possibilidade de ataques de facções em PE

Segundo o secretário de Justiça e Direitos Humanos, há um tratamento de dignidade para a situação do preso

Maria Eduarda Bravo
Maria Eduarda Bravo
Publicado em 04/01/2019 às 11:06
Foto: O Povo
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Após o Ceará viver uma série de ataques articulados por facções na madrugada desta sexta-feira (04), o secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, afastou a possibilidade de uma situação semelhantes acontecer em Pernambuco. "Aqui não vai acontecer nada. Aqui nós temos um ambiente de fiscalização permanente dessas organizações. As facções aqui não estão empoderadas", cravou em entrevista à Rádio Jornal, na manhã desta sexta (04).

Ainda segundo o secretário, o governo mantém o diálogo com todos os presos, visitando os presídios do Estado. "Eu converso com todos os presos, vou aos presídios. Não converso com facções, não vou conversar e não sei nem quem é. A gente dá um tratamento de dignidade para a situação do preso", completou Eurico. 

Ao longo da conversa, Pedro Eurico ainda lançou críticas ao secretário de Administração Penitenciária (SAP) do Ceará, o policial civil Luís Mauro Albuquerque, que segundo o pernambucano, quando Mauro comandava a pasta no Rio Grande do Norte, a situação também chegou a chamar a atenção das autoridades. "Mas o senhor secretário (Mauro) foi também do Rio Grande do Norte e tem vídeo dele jogando bombas de efeito moral dentro de uma cadeia. Esse tipo de bravata não resolve o problema no sistema prisional", criticou. 

'Tem risco, sim'

O governador Paulo Câmara (PSB) afirmou no último mês de setembro que não podia classificar como “impossível” ataques de facções criminosas em Pernambuco. Ao ser questionado se era impossível se repetir aqui episódios como atentados contra agentes públicos e depredação de prédios públicos, como visto no Ceará, o socialista citou medidas para construir milhares de vagas no sistema prisional do Estado para ter mais governança sobre a população carcerária. Ele também se queixou da falta de políticas públicas de segurança no plano federal e falta de fiscalização para a entrada de armas e drogas pelas fronteiras.

“Nada é impossível diante da forma como se trata a violência pública no Brasil. O Brasil não tem um sistema de segurança unificado, não tem política pública, não protege as fronteiras. Entra droga e arma de toda forma. E todos os estados têm atuado na busca de resolver os seus problemas com a capacidade que tem. Hoje a gente trabalha todos os dias para evitar que essas quadrilhas queiram fazer em Pernambuco o que fizeram nos outros estados. Mas você dizer que não tem risco. Tem risco, sim. Porque é um sistema que precisa melhorar muito, não só em Pernambuco, mas em todo o Brasil”, explicou o governador, em sabatina promovida pelo Diário de Pernambuco e pela Universidade Católica de Pernambuco.

Após o evento, o JC perguntou ao socialista o que poderia ser feito para tentar combater a atuação de facções criminosas no Estado. Paulo Câmara respondeu que continuará mantendo ações que já têm sido tomadas pelas forças de segurança. “É o que nós estamos fazendo. Procurar identificar lideranças que tenham do movimento e qual é o grau que elas podem influenciar dentro das unidades penitenciárias. É um tema efetivamente de inteligência que é feito todo dia e que não pode ser muito divulgado porque pode afetar o sistema em si. Mas que já é feito e que a gente tem obtido êxito. O crescimento de facções em Pernambuco é bem menor do que a gente vê em outros estados. Mas é um trabalho diário. Não dá para descuidar disso”, salientou.

Entenda o caso no Ceará

Desde a noite desta quarta-feira, 3, a Região Metropolitana de Fortaleza acumula registros de ataques a ônibus, além de uma tentativa de explosão a um viaduto, cuja suspeita de autoria recai sobre as facções criminosas do Estado. Nesta sexta, 4, foram pelo menos 30 ataques das 21 horas até 2 horas da manhã.

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Foto: WhatsApp/O Povo
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Em nota divulgada no fim da noite desta quinta-feira, 3, Sérgio Moro havia negado o envio imediato de tropas da Força Nacional. O ministério disse que a Força Nacional foi mobilizada "para se deslocar ao Estado em caso de deterioração da segurança". O Camilo Santana (PT), por sua vez, chegou a pedir até o envio do Exército ao Ceará. O governador chegou a dizer que Moro teria se colocado "à inteira disposição para o apoio necessário".

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