SAÚDE

O desafio de erradicar a Hanseníase

Embaixador da ONU para a Eliminação da Hanseníase visita antiga colônia da Mirueira, em Paulista

Da Editoria de Cidades
Da Editoria de Cidades
Publicado em 13/08/2015 às 8:30
Foto: Divulgação/Secretaria de Saúde
Embaixador da ONU para a Eliminação da Hanseníase visita antiga colônia da Mirueira, em Paulista - FOTO: Foto: Divulgação/Secretaria de Saúde
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Pernambuco é um dos estados com maior incidência de hanseníase do País. No ano passado, 2.536 casos novos foram descobertos, sendo 261 em crianças menores de 15 anos. Devido a esta realidade e o conhecido programa de combate e prevenção da doença, a localidade entrou na rota do embaixador da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Eliminação da Hanseníase, o japonês Yohei Sasakawa. Nesta quinta-feira (13), o diplomata visitará a antiga colônia da Mirueira, em Paulista, no Grande Recife, onde os infectados ficavam isolados, e se encontrará com cem pessoas que foram separados dos pais ao nascer no hospital. 

“O Brasil é o único País do Mundo que não vai conseguir eliminar a propagação da hanseníase. A prevalência (número de casos novos e antigos) deveria ser de 1 por 10 mil habitantes, mas está em 1,56. Segundo o Ministério da Saúde, Pernambuco é o 3º estado com maior incidência do Nordeste e o 8º do Brasil. Em relação a números absolutos, ocupa a 2ª posição na região nordestina. Entretanto, é o único local com um departamento para doenças negligenciadas (Programa de Controle da Hanseníase e do Programa de Enfrentamento às Doenças Negligenciadas - Sanar). Isto mostra um avanço. O embaixador japonês vai discutir formas de melhorar a prevenção”, relata o coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio. A entidade promove o evento. 

Em visita à Secretária de Saúde do Estado, na quarta-feira (12), Yohei Sasakawa conheceu o Sanar e declarou que o modelo poderia ser empregado em outros locais para eliminar a enfermidade. A hanseníase é caracterizada pelo aparecimento de manchas e lesões na pele, perda de sensibilidade térmica e pode causar deformidades física. No Estado, o percentual de cura permanece acima de 80% desde 2012. Para o professor de Dermatologia da Universidade de Pernambuco (UPE), Sérgio Paulo, é preciso trabalhar de forma mais efetiva para educar a população. “No Brasil, apenas 20% dos pacientes são diagnosticados na fase inicial. Identificar os primeiros sinais é essencial para evitar sequelas graves. Também faltam políticas públicas efetivas. No Recife, 42 dos 94 bairros, apresentam hiperendemicidade. O sinal de descontrole é a incidência em crianças com menos de 15 anos. Isso mostra que existe uma pessoa na casa do jovem que também está infectada, porque a transmissão ocorre após contato prolongado. Mas as visitas dos agentes são realizadas no horário comercial”, afirma.

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