Saúde

Estudo que reforça relação de zika com síndromes neurológicas é pioneiro

Investigação é a primeira, a nível mundial, com forte evidência científica sobre a ligação entre o vírus e síndromes como Guillain-Barré

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 28/11/2015 às 6:44
Guga Matos/JC Imagem
Investigação é a primeira, a nível mundial, com forte evidência científica sobre a ligação entre o vírus e síndromes como Guillain-Barré - FOTO: Guga Matos/JC Imagem
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Conduzido pela médica Maria Lúcia Brito Ferreira, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital da Restauração (HR), o estudo que confirma a presença do vírus da zika em pacientes com manifestações neurológicas é a primeira investigação, a nível mundial, com forte evidência científica que reforça a hipótese de que o zika pode estar envolvido no desenvolvimento de síndromes neurológicas em pessoas que apresentaram sinais de infecção viral prévia, como manchas vermelhas na pele, febre, cefaleia e dor articular. Na quarta-feira (25), ela informou à reportagem do JC que resultados de exames feitos em seis pacientes que participaram da investigação confirmam infecção pelo vírus da zika. 

Ao todo, nos primeiros seis meses do ano, foram observados 131 casos de complicações neurológicas no HR. “Desse total, reavaliamos 69 pacientes. Deles, 42 tiveram o diagnóstico confirmado da síndrome de Guillain-Barré”, diz Maria Lúcia, ao se referir a uma condição neurológica rara e autoimune que provoca quadro progressivo de paralisia em membros do corpo e fraqueza muscular. Dos seis pacientes com exames laboratoriais que confirmam a presença do vírus da zika, quatro desenvolveram Guillain-Barré após infecção viral. Os outros dois tiveram encefalomielite aguda disseminada – uma doença inflamatória do sistema nervoso central que pode ocorrer após um quadro de infecção. “Entre os seis pacientes, dois se recuperaram, três tiveram sequelas importantes e um consequências severas”, informa a médica, que está em fase de compilação dos achados da pesquisa para submeter a uma publicação internacional. 

A neurologista frisa que decidiu fazer a investigação porque percebeu, de dezembro do ano passado a junho deste ano, um aumento incomum de pacientes com quadros neurológicos. Só em relação à síndrome de Guillain-Barré, o Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde registrou, em Pernambuco, nove casos suspeitos em 2014. No HR, nos seis primeiros meses deste ano, foram notificados entre 70 e 80 casos da síndrome, segundo informa Maria Lúcia. 

A médica aguarda os resultados laboratoriais dos demais pacientes que passaram por investigação laboratorial (estudo do líquido da coluna e exame de sangue). “É bem provável que boa parte deles indique infecção pelo zika, já que muitos apresentaram quadro clínico semelhante”, conclui a médica. 

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