Saúde

Gripe: quase 1 milhão de idosos pernambucanos devem ser vacinados

A imunização ganha ainda mais importância porque, entre as infecções prevenidas por vacinas, as mais frequentes são as respiratórias no envelhecimento

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 23/04/2019 às 9:37
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
A imunização ganha ainda mais importância porque, entre as infecções prevenidas por vacinas, as mais frequentes são as respiratórias no envelhecimento - FOTO: Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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A nova etapa de campanha da vacinação contra a gripe, além de reforçar a convocação de crianças de 6 meses a 5 anos e gestantes, ganha mais uma meta: imunizar o maior público-alvo da mobilização, composto pelos idosos. Só em Pernambuco, são mais de 951 mil pessoas a partir dos 60 anos que devem ir aos postos de saúde para se proteger de uma doença que apresenta alto risco de complicações e mortes no envelhecimento.

A fase secundária da ação, iniciada ontem, também inclui os demais grupos prioritários, como trabalhadores de saúde, mulheres até 45 dias após o parto, povos indígenas, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis (e outras condições de saúde) e professores das escolas públicas e privadas. Na segunda-feira (22), o Ministério da Saúde também anunciou a inclusão, entre o público-alvo, de policiais civis, militares, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas. No Estado, esse contingente é formado por 38 mil pessoas.

“Os grupos prioritários têm até 31 de maio para se vacinar. Mas o ideal é não deixar para a última hora, especialmente crianças, gestantes e idosos, que têm mais chance de apresentar agravamento do quadro gripal”, esclarece a coordenadora do Programa Estadual de Imunização, Ana Catarina de Melo. O apelo para não adiar a ida aos postos tem fundamento: quanto mais cedo se proteger, maior a chance de cobertura vacinal efetiva e rápida. Para os idosos, as doses ganham ainda mais importância porque, entre as infecções prevenidas por vacinas, as mais frequentes são as respiratórias nessa fase da vida. Por isso, a imunização faz a diferença.

Na segunda-feira (22), a balconista aposentada Maria Madalena Mesquita, 71 anos, foi à Policlínica Lessa de Andrade, na Madalena, Zona Oeste do Recife, para receber a dose contra gripe. “Vim ao posto logo no primeiro dia porque quero ficar logo protegida. Todos os anos tomo a vacina e quase não adoeço”, contou. Quem também foi à unidade de saúde foi a economista aposentada Maria José de Santana, 71. Ela levou também a filha de 31 anos, Mariana de Santana Aragão, que tem síndrome de Down – condição que está na lista de prioridade para a imunização. “Faz muito tempo que já nos vacinamos e praticamente não gripamos. É muito importante essa proteção", relatou Maria José.

Queda da imunidade

Com o avançar da idade, segundo os especialistas, há uma tendência de redução da imunidade, o que favorece as infecções, como às relacionadas aos vírus da gripe. “Acontece o que chamamos de imunossenes- cência, alterações do sistema imunológico decorrentes do envelhecimento. Além disso, os idosos costumam ter doenças crônicas, como as cardiovasculares e as pulmonares, que predispõem a complicações de quadros virais como a gripe”, explica o médico geriatra Marcelo Cabral, presidente da seção Pernambuco da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG-PE).

O público idoso também tem diminuição da resposta às doses aplicadas. Em adultos jovens saudáveis, por exemplo, a eficácia da vacina contra gripe fica entre 70% e 90%. Em idosos, cai para aproximadamente 60%, segundo o Guia de Vacinação – Geriatria, da SBGG e da Sociedade Brasileira de Imunizações. Ainda assim, os benefícios da imunização se sobressaem nessa faixa etária. “Mesmo se tiverem gripe após a vacinação, eles terão um quadro mais brando, em comparação aos idosos que têm a infecção e não recebem a dose anual da vacina”, acrescenta Marcelo Cabral. Também nessa faixa etária, a imunização previne pneumonia, hospitalização e morte.

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