Saúde

Técnicos e auxiliares de enfermagem paralisam atividades no Hospital Getúlio Vargas

A paralisação acontece devido às condições estruturais do prédio

Mayra Cavalcanti
Mayra Cavalcanti
Publicado em 04/12/2019 às 9:58
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Foto: Jaílton Junior/JC Imagem
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Auxiliares e técnicos de enfermagem que trabalham no Hospital Getúlio Vargas, que fica no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, paralisaram as atividades e realizam um protesto, na manhã desta quarta-feira (4), em frente à unidade de saúde, na Avenida General San Martin. De acordo com o presidente do Sindicato Profissional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem de Pernambuco (Satenpe), José Francis Hebert, os profissionais só retornarão às atividades quando forem recebidos pelo diretor do hospital e ele garantir que haverá a interdição total dos blocos G1, G2 e G3.

No último dia 29 de novembro, apenas o G3 foi interditado após os funcionários ouvirem um estalo na estrutura do prédio. "Hoje a gente tem um bloco que está em ruínas. Tem uma UTI e a gente pede a interdição total do bloco G. Isto está colocando em risco a vida dos pacientes, dos técnicos, enfermeiro e médicos", afirma José Francis. Segundo ele, apesar de parte do prédio estar interditada, os funcionários continuam tendo que passar pelo local para ter acesso às salas de recuperação e ao bloco cirúrgico. "Se o bloco G3 cair, quem tiver no um e no dois vai ser afetado. Nós só vamos retornar ao trabalho se o diretor nos atender e garantir que vai interditar os outros locais", relata.

Foto: Jaílton Junior/JC Imagem
O protesto acontece em frente ao Hospital Getúlio Vargas, no Cordeiro - Foto: Jaílton Junior/JC Imagem
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Os técnicos e auxiliares de enfermagem pedem a interdição do bloco G - Foto: Jaílton Junior/JC Imagem
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A categoria alega que tem que passar pelo bloco interditado para acessar a UTI do Hospital - Foto: Jaílton Junior/JC Imagem
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O clima entre os funcionários é de medo após ouvirem um estalo no prédio do Hospital Getúlio Vargas - Foto: Jaílton Junior/JC Imagem

Nota da Secretaria de Saúde

Por meio de uma nota, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informou que está trabalhando para em um estudo de intervenção para resolver definitivamente os problemas de acomodação estrutural do Bloco G do hospital. Confira a íntegra da nota enviada pelo órgão:

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informa que o ambulatório do Hospital Getúlio Vargas (HGV) tem atendido a população nas mais diversas especialidades, como urologia, neurologia, neurocirurgia, cirurgia vascular e geral, ortopedia e clínica médica. Foram realizados remanejamentos de salas para que as consultas pudessem ser realizadas. Exames de imagem, como raio-X e tomografia, também estão sendo feitos. Importante ressaltar que os atendimentos que precisaram ser desmarcados serão devidamente reagendados pela equipe do hospital, que tem mantido contato permanente com os gestores municipais. Importante destacar que o ambulatório do HGV atende pacientes egressos da própria unidade ou encaminhados pela Regulação municipal.

A direção do HGV informa que a emergência, enfermarias e parte dos blocos cirúrgicos estão em funcionamento e que a rede estadual de saúde tem dado o suporte necessário à unidade, visando garantir a assistência aos usuários do SUS em Pernambuco. A direção ainda pontua que tem dialogado com as equipes da unidade, suas lideranças e entidades de classe nesta quarta-feira (04.12), além dos demais dias anteriores, para escutar as demandas e dar os esclarecimentos sobre toda a situação

Estrutura física - A equipe de engenharia da Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe) realizou vistorias na unidade de saúde na última sexta-feira (29.11), após relatos de estalo no prédio, e, até o momento, não foi constatada nenhuma modificação na estrutura. Como forma preventiva, a área do Bloco G3 foi isolada enquanto o caso é analisado.

Além do isolamento preventivo e provisório, novas análises estão sendo realizadas por diversos órgãos para averiguar a situação, dar os devidos encaminhamentos e maior segurança para todos. A Secretaria também está trabalhando em um estudo de intervenção para resolver definitivamente os problemas de acomodação estrutural do Bloco G da unidade, cujo cronograma será apresentado nos próximos dias para as entidades profissionais. Por fim, a Secretaria Estadual de Saúde esclarece que continua monitorando permanentemente, por meio de contrato com empresa de engenharia especializada, a estrutura do prédio do HGV e todos os laudos apresentados atestam a segurança da estrutura.

Clima é de insegurança

Em entrevista à TV Jornal, o diretor do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), o médico Mário Jorge Lobo, comentou sobre o clima de insegurança relacionado à estrutura do Hospital Getúlio Vargas. Ainda segundo ele, no próximo dia 10 de dezembro será realizada uma audiência pública com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para falar sobre o caso.

"A gente está percebendo um clima de insegurança muito grande, um medo muito grande das pessoas trabalharem aqui. Este medo tem fundamento. Este medo está em cima de uma inércia do Estado de apresentar um plano de solução que garantisse qual era o destino do espaço G3. Este medo acaba aumentando a imaginação do risco. Até o momento, todos os laudos, laudos da Defesa Civil, da empresa que monitora o hospital apontam que não existe comprometimento do G2, nem do G1 e que existe um comprometimento do G3, porém sem risco iminente de queda", declara.

Entenda o caso

A madrugada do dia 29 de novembro foi de susto para pacientes e profissionais que trabalham no Hospital Getúlio Vargas, no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife. Por volta das 23h da quinta-feira (29), as pessoas que estavam na unidade de saúde ouviram um estalo na edificação. Uma equipe estava realizando uma cirurgia neurológica quando piso da sala de cirurgia tremeu e houve o barulho. Ao término do procedimento, os pacientes do centro cirúrgico e da recuperação foram transferidos para outros setores. A Defesa Civil foi acionada e interditou parte do prédio.

De acordo com funcionários, é possível ver diversas rachaduras dentro do hospital. Na área que foi interditada, inclusive, existem rachaduras e buracos no teto. Equipes do Corpo de Bombeiros estiveram na unidade. Três blocos foram isolados e foi feita a evacuação dos pacientes.

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