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Prefeitura do Recife adotará medidas de precaução contra o coronavírus

Três casos suspeitos sendo monitorados no Brasil

Amanda Azevedo
Amanda Azevedo
Publicado em 28/01/2020 às 19:47
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SONNY TUMBELAKA / AFP
FOTO: SONNY TUMBELAKA / AFP
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Com a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificando como "elevado" o risco internacional do coronavírus e três casos suspeitos sendo monitorados no Brasil, a Secretaria de Saúde do Recife informou, nesta terça-feira (28), que tomará medidas de precaução contra o vírus.

O secretário de Saúde da cidade, Jailson Correia, convocou uma reunião sobre o assunto nesta terça-feira (28), assim que o Ministério da Saúde (MS) divulgou o último boletim epidemiológico. Participaram os gestores das áreas estratégicas da Secretaria de Saúde (Sesau) do Recife para discussão das providências municipais. Também estão programadas reuniões com a Secretaria Estadual de Saúde e com as coordenações dos núcleos de epidemiologia das unidades municipais e dos hospitais privados, com o objetivo de disseminar as informações e orientações do Ministério da Saúde, para alinhar a conduta dos profissionais da Vigilância Epidemiológica, Atenção Básica e Média e Alta Complexidade, incluindo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, na identificação e condução de possíveis casos.

A Secretaria de Saúde também informou que está tomando providências para disponibilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras, luvas e outros insumos, além de estar preparando materiais informativos sobre o coronavírus, para distribuição nas unidades de saúde e em locais de interesse público. 

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Turistas chineses em Dempassar, na Indonésia - SONNY TUMBELAKA / AFP
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Pedestres usam máscaras durante feriado do Ano Novo Chinês, em Hong Kong - ANTHONY WALLACE / AFP
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Turistas chineses em Dempassar, na Indonésia - SONNY TUMBELAKA / AFP
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Casal usando máscaras no metrô de Hong Kong, na China - Anthony WALLACE / AFP
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Passageiros usando máscaras aguardam por trem na plataforma em Hong Kong - Anthony WALLACE / AFP
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Passageiros usando máscaras viajam em trem durante feriado de Ano Novo Chinês - Anthony WALLACE / AFP
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Homem usando máscaras sentado em um banco enquanto aguarda por trem - Anthony WALLACE / AFP
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Turista chinês usa máscara para se proteger do coronavírus em Dempanssar, na Indonésia - SONNY TUMBELAKA / AFP
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Passageiros usando máscaras aguardam por trem na plataforma em Hong Kong - Anthony WALLACE / AFP

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informa que já encaminhou para os municípios e serviços de saúde pernambucanos boletins do Ministério da Saúde com todas as informações necessárias sobre o coronavírus e com orientações para os profissionais de saúde, além de estar atenta para fazer as atualizações que forem necessárias.

Casos suspeitos de coronavírus no Brasil

O Ministério da Saúde confirmou mais dois casos suspeitos de coronavírus no Brasil. Com isso, já são três os possíveis registros de infecção pela nova doença em território nacional.

Além do caso já divulgado de Belo Horizonte (MG), estão sendo investigadas suspeitas em Porto Alegre (RS) e em Curitiba (PR), de acordo com informe divulgado na noite desta terça-feira pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a pasta, os pacientes se enquadram na classificação por apresentarem sintomas, como febre, tosse e dificuldade de respirar e ter histórico de viagem à China nos últimos 14 dias.

Os pacientes serão monitorados e ficarão isolados até que os resultados dos exames sejam divulgados, o que deve acontecer até o final da semana.

O novo coronavírus já infectou mais de 4,5 mil pessoas, das quais 106 morreram. Além da China, 14 países já confirmaram infecções pela doença.

Anvisa cria grupo de emergência 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou um Grupo de Emergência em Saúde Pública para monitorar e conduzir no âmbito da agência as ações referentes ao novo coronavírus.

O grupo foi criado por portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) e contará com servidores que ficarão focados no tema. Serão eles: o adjunto de Diretor da Primeira Diretoria; um assessor da Terceira Diretoria; o gerente-geral de Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados; o gerente de Controle Sanitário de Produtos e Empresas em Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados; o coordenador de Imprensa e Comunicação; e o assessor-chefe do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. O grupo de emergência terá prazo de duração indeterminado.

O governo federal diz que a situação está sob controle no País e afirma que não vê necessidade de averiguar todas as aeronaves que vêm da China. Nesta segunda-feira (27)  o presidente substituto da Anvisa, Antonio Barra Torres, disse que a vigilância sanitária será chamada para análise mais detalhada só se for notificada a presença de pessoa com suspeita do vírus, o que ainda não ocorreu em voos que chegaram ao Brasil.

Na manhã desta terça-feira (28), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, atendem a imprensa para atualizar o boletim sobre o novo coronavírus da China.

Coronavírus: como é a transmissão, os sintomas e o tratamento

Abaixo um resumo de tudo que se sabe sobre a doença até o momento:

Mortalidade

"O que vimos até agora é que esta doença (...) não é tão violenta quanto a Sars", disse Gao Fu, diretor do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, no domingo.

"Temos a impressão (...) de que hoje a propagação desse vírus é mais rápida que a Sars, mas sua mortalidade é claramente menor", concordou a ministra da Saúde da França, Agnès Buzyn, do país onde foram detectados os primeiros casos da Europa. 

O novo vírus, batizado 2019-nCoV, e o da Sars pertencem à mesma família de coronavírus e no plano genético têm 80% de semelhanças. 

Segundo a OMS, a epidemia de Sars deixou 774 mortos em 8.096 casos no mundo em 2002/2003, antes de ser interrompida, ou seja, uma taxa de mortalidade de 9,5% (comparado a 34,5% de outra epidemia causada por um coronavírus, a Mers). 

Até agora, o novo vírus deixou 81 mortos, todos na China, dos 2.744 casos detectados (mais de 40 no exterior), o que equivale a uma taxa de mortalidade inferior a 3%. 

No entanto, esse número é apenas indicativo: o número real de pessoas infectadas é desconhecido porque os pacientes com pouco ou nenhum sintoma não são contados. 

"A taxa de mortalidade parece diminuir com o passar dos dias, juntamente com um número maior de casos detectados", disse Buzyn.

Transmissão

Os cientistas do Imperial College de Londres estimam que "em média, cada caso (de um paciente portador do novo coronavírus) infectou 2,6 pessoas a mais". 

Chamada de "taxa básica de reprodução" ou R0, essa medida é importante para entender a dinâmica de uma epidemia. 

No caso da Sars, estima-se que cada caso tenha infectado uma média de 2 a 3 pessoas (como a gripe), mas com grandes disparidades: havia "super transmissores" capazes de contaminar dezenas de pessoas. 

No caso do novo vírus, há uma pergunta crucial: em que estado de infecção o paciente se torna contagioso. "O contágio é possível durante o período de incubação", ou seja, antes mesmo que os sintomas apareçam, disse Ma Xiaowei, diretora da Comissão Nacional de Saúde da China, no domingo. "É muito diferente da Sars", insistiu. 

Essa hipótese, no entanto, baseia-se na observação de vários primeiros casos e ainda não está confirmada. 

"Se isso for incomum, terá um impacto mínimo na evolução da epidemia, mas se for frequente, será cada vez mais difícil de controlar", explica o virologista Jonathan Ball, da Universidade de Nottingham (Inglaterra). 

Acima de tudo, dado que o período de incubação pode ser prorrogado até duas semanas, segundo estimativas. Se essa hipótese for confirmada, "medidas como controle de temperatura nos aeroportos seriam ineficazes", disse a professora britânica Sheila Bird.

Sintomas

A doença causada pelo novo coronavírus e a Sars apresentam sintomas comuns, de acordo com a observação dos 41 primeiros casos detectados na China. 

Todos os pacientes sofriam de pneumonia, quase todos tinham febre, três em cada quatro tossiam e mais da metade apresentava dificuldades respiratórias. 

Mas "existem diferenças notáveis com a Sars, como a ausência de sintomas que afetam as vias aéreas superiores (congestão nasal, dor de garganta, espirros)", diz o Dr. Bin Cao, principal autor desses trabalhos publicados na revista The Magazine Lancet.

A idade média dos 41 pacientes é de 49 anos, e menos de um terço sofreu doenças crônicas (diabetes, problemas cardiovasculares...). Quase um terço teve uma condição respiratória aguda e seis morreram. 

Embora não se possam tirar conclusões gerais devido aos poucos pacientes controlados do novo coronavírus, essas observações permitem elaborar um primeiro quadro clínico da doença - que já matou dezenas, principalmente na China - pois a nova infecção apresenta sintomas semelhantes aos da gripe de inverno, dificultando o diagnóstico. 

Não existe vacina ou medicamento para o coronavírus e a assistência médica é para tratar os sintomas.

Controle da epidemia

A epidemia de Sars foi contida em vários meses, graças à extensa mobilização internacional. A China impôs rígidas medidas de higiene à sua população, além de dispositivos de isolamento e quarentena. 

O país também proibiu o consumo de gatos da algália, um mamífero pelo qual o vírus foi transmitido ao homem. 

No caso do novo vírus, não se sabe até agora qual animal desempenha esse papel intermediário. Enquanto isso, a China proibiu o comércio de todos os animais selvagens.

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